24.11.05

Contra a parede

Laivos de cusquice, indagos subtis, como quem não quer a coisa, as mãos, como são as tuas mãos? e os olhos? o que é que tens vestido hoje? que perfume tens posto?, pontos de interrogação, reticências, espaços, de silêncio e de espera; respostas, prontas, tardias, hesitadas, por fim, despejadas de rompante e, vai-se a ver, os dois a cagar na sintaxe e nos erros ortográficos, sem darem conta, eu fazia-te e acontecia-te, rasgava-te a combinação de seda, arrancava-te as botas pelos tornozelos, enfiava-te os dedos por entre as cuecas, dava-te uma trancada aqui e agora que até perdias o fôlego, acredita!, e eu fazia-te um broche mas apertava-to de tal maneira que nem te conseguirias vir e cavalgava-te a noite toda, cala-te que não me aguento, temos de nos encontrar, tás doido?, não fodemos bem assim?, melhor que muita gente no aconchego da caminha...espera, falemos de outra coisa, das presidenciais, do soares e do cavaco, sim?,olha... o que é que fizeste hoje? pensei em ti e nas mil e uma maneiras de te foder, no chão, contra a parede..., se é contra a parede é só uma maneira!, não é nada! podes estar de costas e eu ir-te tipo à canzana, ou então de frente, espalmada contra o reboco, vês? vejo, mas nesse caso terias de entrar por baixo e fazer uma espécie de slide até encaixares em mim, percebes? cala-te, foda-se!, que não consigo escrever, fico sem mãos..., se estivesses aqui, vinha-me na tua cara e obrigava-te a engolir e depois a ladrar, se ladrasse e engolisse, engasgava-me de certeza e depois vomitava-te em cima, és uma porca, olha, filho, desliga, desliga, podes sempre desligar, sign out, sign out, liga mas é a cam... tás doido, conheço-te de algum lado?, isso é só para amigos..., e as tuas mamas? são grandes, copa C, tás a gozar, não tás?, não, não estou... eu gosto de maminhas pequeninas, das que cabem nas mãos, azar, as minhas são grandes, é pegar ou largar, tá bem, eu pego, não hão de ser assim tão grandes, o suficiente para sufocares nelas, a não teres cuidado..., e como seria isso?, então: mergulhavas-me no colo, amarfanhavas-te no rego que fazem quando me debruço e depois eu apertava-te o aparelho nasal enquanto me lambesses..., pois, ok, podia ser que assim não me viesse logo, lá está, é um problema, esse..., és mesmo doida, pá, e tu és um ganda tarado...

(entremeios de loladas e smileys).

Acabavam sempre da mesma maneira: uma das mãos de cada um, espalmada no teclado em frente, enquanto a outra mão de cada outro, seguia dentro e fora, pelos arredores encharcados do corpo e, nos ecrãs de ambos, apareciam coisas estranhas como

hlkahfdelwçr4ypr1weihjçqwiefudlkclskdçqwrsjarywjfsdkjtlwuqyfldksjkjadefwet4rtyerfdkjfids!!.

Um dia, no cumprimento de promessa impensada, saída de um orgasmo sincrónico, encontraram-se por fim para um café. Como velhos conhecidos, dissertaram sobre o traseiro sobredimensionado da brasileira que os servia, a solidão do velhote que, sentado no sopé da estátua, dava milho aos pombos, problemas de software, e o facto de o patrão dela se negar a descontar para a segurança social. Ele pagou-lhe o café e a água mineral e, à saída, pegou-lhe na porta para que passasse primeiro. Despediram-se com dois beijinhos na cara e passaram a trocar emails sobre meninos doentes e a fome no mundo (daqueles em corrente), fotos em alta resolução do Kilimanjaro e demais natureza (apresentadas em power point) e piadas sobre o Bush, louras burras e portugal no seu melhor.

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