21.12.05

cafetaria horas mortas

uma consulta cedo, daquelas de rotina anual, tirou-me fora da cama mais cedo do que o habitual. andei a pé, a ser acordada a sério pelo frio, apesar dos casacos. sinto-me já naquela fase em que sei que me enganarei a escrever a data, nomearei sempre nas primeiras semanas o ano passado (o que vai acabar) - pensava nisso enquanto caminhava, hoje de manhã. o bulício da cidade é impermeável ao frio e ao natal. tudo como dantes, talvez as montras mais preenchidas, com alusividades. na volta, bebi dois cafés em sítios diferentes, hábito já antigo. devolvi livros na biblioteca - tinham-me escrito ( de uma forma suavemente ameaçadora) a avisar que me cancelavam os empréstimos.
lutei a tarde toda com uma leitura atrasadíssima, e longe de estar acabada. quando a luz deixou de incidir na sala, saí deixando a porta no trinco, suavemente fechada atrás de mim. instalei-me na mesa do café que àquela hora sei vazia, a da montra. o ar quente reconfortou-me e o barulho ainda leve de fundo acolchoou a leitura que levei comigo como uma companhia. aquela hora, antes da hora do chá, tem impregnada silencio, som furtivo e uma sensação vaga de liberdade tremenda, tudo possivel sentada numa cadeira, a uma mesa, a olhar para a rua.

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