19.12.05

Santinha!

Comecemos pelo que interessa: detesto sexo! Sou uma betinha de marca! Atinada até ao tutano. Nunca fumei, nem sequer um charro. Nunca namorei antes dos 18. Nunca disse asneiras. A minha mamã sempre se orgulhou de mim, e dizia à amigas que iam lá a casa, "a minha Santinha é muito caseira!". O meu pai avisou-me para não confiar nos homens, nunca, e ele lá sabia.
Num sabonete pode confiar-se. Numa sandes de queijo, também. Num homem, até ver, desaconselho.
Sou um amor de miúda, daquelas que já não existem, que fazem boas acções, ajudam as senhoras com os sacos, falam com os velhotes nos bancos de jardim... Não estou a exagerar, não senhor. Sou um amor. Sou a coisinha mais doce a seguir ao Ferrero-Rocher. Tenho sentido de humor, não sou burra... mas não gosto de sexo!
Enfim, vamos lá ver, não é bem não gostar. Também digo que não gosto de favas e já me apanhei a devorá-las com enorme gozo. A questão está em saber cozinhá-las. As favas podem saber a palha, mas quem percebe de culinária pode torná-las num manjar dos deuses. E com o sexo é o mesmo. Gosto dos beijinhos, das mãozinhas, e mais não sei quê: até me entusiasmo, mas a certa altura deixa de ser festa para mim. E ginástica por ginástica, tenho a Pilates, todas as terças e quintas pelas 18.
O problema não sou eu (penso eu). Do que eu precisava era de um homem realmente sábio. Um homem a sério, esquecido de ser demasiado homem; por outras palavras, de um homem que não fosse egoísta, que se esforçasse nos trabalhos de casa. Um que andasse à volta de mim e me desse o aproveitamento que tenho. O merecimento.
Ó senhores, o meu último namorado durou oito meses, repito, oito meses, e nunca descobriu que trago uma cicatriz na nuca. E porquê? Porque a nuca não era local que lhe interessasse explorar. O mesmo namorado perguntava-me, "diz-me, amor, onde é que estão os sinaizinhos do meu corpo!", e se não acertasse, amuava.
Depois engravidou a mulher, cuja cor-dos-olhos também não sabia dizer à distância, nem se os mamilos eram mais para o rosa ou para o castanho, nem o número que calçava nem o que vestia, e deixou de aparecer. Bendito seja o Senhor.
Resta-me, portanto, a santidade.
Ámen.

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