31.12.05

São

onze e vinte da noite e por acaso hoje é o último dia do ano.
Sem lamechices, que para mim esta é uma noite igual às outras, não resisti a passar por aqui. Aqui é este sítio, mais esta aventura de que gosto de fazer parte apesar das ausências dos últimos tempos.
Portanto, e sem mais demoras, que 2006 seja o nosso ano!

:-) para todos e um bom ano (-:

Até já me chamaram sempre em parva. Por ser muito sorridente.
É, um bocado, coisa de família. Sorrio a torto e a direito. Quando me cruzo com as pessoas, quando sou atendida nas lojas, aos piropos mais engraçados, na rua.
Se tenho vontade de chorar, sorrio e tento um gracejo. Se fico embaraçada, sorrio, enquanto coro. Para resolver questões burocráticas, começo com um sorriso (embora, neste caso, o esgar possa dar para o torto, que um sorriso também não é de ferro).
Dizem que não custa nada. Quando se diz isto de alguma coisa, quer dizer-se, no fundo, que é algo que exige esforço.
No entanto, não me custa mesmo nada. Vivo com a saúde deste hábito. O meu sorriso fácil depende, mais do que da intuição, de um instinto de sobrevivência. Para mim, é tão espontâneo como o olhar.

Nota: Juro que não tenho andado a ler nenhum manual de auto-ajuda.

Morram de inveja

Recebi, no Natal, este presente lindo, que me vai dar um jeitão:


Mal posso esperar por começar a dar-lhe uso.
Até me treme a mão, só de pensar.

29.12.05

Damien Rice, Woman like a woman

com carinho para as queridas da Sociedade Anónima
e para os leitores desta organização,

Feliz Ano Novo para todos.

Krassy

(Música a pedido da Mariana e de que o Sr. Falcão também deve gostar. Eu não conhecia)

Quando...

... as pessoas não respeitam as nossas decisões. Quando fazem coisas à nossa revelia, ainda que achem que o estão a fazer por bem e que estão a fazer-nos um favor (mesmo que tenhamos dito que não queríamos que o fizessem). Quando nos tratam como se fôssemos adolescentes sem direitos; quando nos enervam com a desculpa do "estou tão doente e estava preocupada". Perdem todo o respeito que tínhamos por elas.

Não que isso adiante muito.

vontade de chorar e gritar...

28.12.05

Há coisas que não entendo...

... que uma mulher chegue do hospital literalmente a arrastar os pés, completamente fraca e quase sem conseguir falar, e a primeira coisa que o marido diz é:


"Bolas que já tenho fome!"

De seguida ela arrasta-se para a cozinha. Choca-me, pronto.

fez-se-me luz

já sei porque é dos carecas que elas gostam mais...
já não há cabelos que caiam na banheira...

Toxinas e águas medicinais

Era tão má, tão má, que lhe recomendaram banhos turcos para tratamento da maldade.

26.12.05

"Querer é poder"! e os provérbios populares são cocós!

Essa coisa do "querer é poder" é uma frase muito bonita mas...
Eu não sou muito dada a provérvios. Aliás, eles irritam-me! Mas também, tudo me irrita ;)
Até acredito que, em algumas coisas, o "querer seja poder", mas não sempre. É que eu quero muito ganhar o euromilhões e ele não me sai por muito que eu queira. Quantos miúdos querem ser médicos? e quantos o conseguem? E será que aqueles que tiveram uma média de 18,3 e que por 0,1 não foram para medicina quiseram menos do que os outros? Pior do que isso. Eu tinha uma amiga que era muito inteligente. Entrou na universidade para o curso que ela tanto queria, mas, porque os pais eram pobres nunca se inscreveu. E, por muito que quisesse, não voltou a estudar. Agora é repositora num supermercado. Era uma miúda cheia de potencial. Querer não é poder.
Eu hoje quero:

- Que a minha filha fique boa e deixe de vomitar.
- Ter como me deslocar daqui para fora para poder "arejar".
- Arranjar emprego num sítio qualquer a ganhar o suficiente para as contas e para a creche.
- Vender uma casa, vender um carro e pagar uma série de dívidas.
- Sair daqui, apanhar um avião, e voltar para casa.

Por muito que QUEIRA não POSSO fazer nenhuma destas coisas hoje. Algumas acontecerão dentro de dias (felizmente porque estou a dar em doida); outras poderão nunca vir a acontecer, por muito que eu queira. Porque, infelizmente, os nossos "quereres" nem sempre dependem só de nós. Naqueles que dependem eu POSSO... mas esses são tão poucos. "Não sou dona da minha vida".

25.12.05

Desabafos diversos

Por vezes cometemos erros. Demasiados erros. Umas vezes sabemos que os vamos cometer mas não podemos fazer nada para evitar.

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É difícil viver a vida quando a nossa vida não nos pertence. Não pertencemos a um viver que queremos nosso.

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Costuma dizer-se que as coisas mais importante não custam dinheiro. Cheguei à conclusão que TUDO, tudo tudo, mesmo tudo, custa dinheiro. Nem que seja pelo facto de, para irmos observar o mar, ou o por do sol ou os passarinhos, nos termos de vestir e a roupa custa dinheiro.

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Estou cansada. Queria ir dormir e não posso. A casa não é minha, a cama não é minha, o quarto não é meu, a decisão não pode ser minha. Estou farta, porra!

Presentes

E quando se sabe que a família não esteve toda junta este natal, coisa que nunca tinha acontecido, porque:

"É ano de crise e não havia dinheiro para os presentes"

Todo o discurso do meu post anterior faz ainda mais sentido.

Caros leitores, tomem lá um presente:

24.12.05

Minhas queridas,

Não estou com grande balanço para escrever coisas.
(faz-se de conta que está aqui um belo texto sobre este tempo)

Obrigada por terem alinhado nisto. Obrigada pelas coisas lindas, giras, engraçadas, comoventes, duras, dolorosas, honestas, imaginárias, que aqui escreveram. Obrigada pelo espírito de corpo que aqui se conseguiu construir.
Obrigada por tudo. Feliz Natal

Catarina

(e portem-se bem, que a chefa vai de férias)

23.12.05

Sermão de Natal

Não me escandaliza que se ofereçam mutumente vibradores, e outros objectos de natureza explicitamente sexual, no Natal. Aparelhos sado-masoquistas, reconstruções do hímen, tudo bem, tudo está de acordo com a mesma sociedade de consumo que oferece velas decorativas e outra quinquilharia. Não censuro. Eu também ofereço quinquilharia. Eu também alinho nas prendas.
Não me incomoda que se transforme um Natal numa festa não sagrada, que já não é um ritual de encontro da família - entendendo-se como família aqueles que nos pertencem e a quem pertencemos, aparte os laços de sangue – mas uma espécie de festa de anos em que todos recebem presentes. Em vez de dizermos uns aos outros, “hoje, és bebé”, dizemos “hoje, é Natal”. E somos bonzinhos. Alguns.
Não me apoquenta que ateus, agnósticos, muçulmanos, hindus, todos, enfim, comemorem a festa do Natal como uma outra festa qualquer, à volta de uma mesa, comendo, bebendo, trocando anedotas e prendas, ou fodendo-se com o gorro de Pai Natal e a lingerie nova, os preservativos com luzinhas pisca-pisca, e que brinquem com as funcionalidades do novo dildo que estava no sapatinho.
Mas, para mim, o Natal é o Nascimento do Menino.
Sabemos que Jesus Cristo não nasceu nesta época do ano, que é apenas uma data simbólica para comemorar esse Nascimento: não a torna menos importante! Para mim, o Natal é importante, porque o Menino está para nascer, nasce, nasceu. É Jesus e Maria, mas é, também, uma vida acrescentada, uma fêmea parida. Por tudo isso, eu, no Natal, não indo à igreja, rezo o Pai Nosso e a Ave Maria. Rezo-os todos os dias, com calma, ponderando cada palavra. Mas no Natal.
O Natal é a recriação da Vida. A fêmea pare a Vida. E o que a fêmea pare é bom. Para mim, que sou cristã, o nascimento de Jesus, que aceito como mestre espiritual, é um acontecimento muito importante, muito bonito. Não é solene, é bonito: nasceu o menino que havia de ser aquele homem de Justiça. Que me veio ensinar que só existe paz e grandeza no perdão e na dádiva. E só. Procurem-se por onde quiserem, com quem quiserem; gastem as vidas perseguindo o dinheiro e a fama: só existe grandeza no perdão e na dádiva!
Para mim, o Natal é isto: o menino nasceu de uma mulher. Portanto, o Natal torna sagrada essa mulher, deusa da criação, e esse menino, saído dela. É uma comemoração de vida, do feminino, primeiro. Depois, sim, o menino sagrado. O menino que se sagrou a si próprio.

Lembrei-me de escrever isto a propósito dos blogs enfeitados.
Os enfeites são muito bonitos, mas distraem do essencial. E eu quero lembrar que a única coisa que interessa aqui é o amor que eu tenho para distribuir por cada um de vós, e aquele que cada um de vós terá para me retribuir. O que interessa aqui é saber se eu serei capaz de vos perdoar, se vocês serão capazes de me perdoar. Interessa saber quem posso eu e vocês ajudar todos os dias. Quão melhores conseguiremos ser a partir de hoje. Mais em paz com as nossas escolhas. Capazes de realizar outras, magoando ao mínimo os que nos rodeiam.
Para mim, isto, é o Natal, e o que quer desejar a todos é, realmente, amor: não o que vão receber, mas o que serão capazes de dar.
Feliz Amor!

natividade / natalidade

Miguel Navas e Susana Campos, Espaço, 1999
O Natal celebra, antes de mais, um nascimento. Cada nascimento. Serve para unir (e desunir...) famílias. Nestas ocasiões paira sempre, nos sentidos e nas emoções, uma intensidade: a memória do que se (não) teve, dos que já ali estiveram, do que nós fomos idealizando para o nosso presente e futuro.
De preferência, esta inquietação surge no calor, morno, ao menos, do aconchego possível. Afinal, tudo morre constantemente e nós estamos sempre a nascer para as coisas. Há a possibilidade de refúgio nos conceitos.
Desenho a todos uma consoada muito, muito grávida. E que um (re)nascimento venha, em todos os momentos, justificar cada morte sincopada.

Quizz Caseira

De quanto tempo precisa uma mulher para se aperceber de que um homem está interessado* nela?
Interessado* = gosta dela = quer convidá-la para sair = gostou de estar com ela e quer voltar a estar com ela.

1- 5 segundos
2- 5 minutos
3- 5 horas
4- 5 dias
5- 5 anos
6- Outra

Sou a pior condutora do mundo e tenho provas.

Não sou a pior condutora do mundo por ser gaja, sou a pior condutora do mundo porque sou aselha, maçarica, desajeitada, cegueta e todos os demais insultos que se apliquem àqueles que, como eu, são os piores condutores do mundo. Em cinco exames de condução que fiz, quatro fui obrigada a sair do lugar do condutor porque o examinador não se sentia seguro. Ao quinto, apesar de ter partido o espelho retrovisor como em todos os anteriores, não o fiz numa via de sentido proibido, pelo que me passaram. Nos primeiros tempos conduzia pouco porque não tinha carro próprio e as pessoas que me emprestavam os seus aborreciam-se bastante por se verem sitematicamente sem espelhos. Mas depois comprei um carro para mim e pude dar azo aos meus dotes. Uma vez começou-me a cheirar a queimado e comecei a ouvir uma chiadeira cada vez que fazia curvas, preocupada com uma possivel iminente explosão de qualquer coisa decidi encostar. Um ou dois kms depois, quando descobri um sitio largo o suficiente para o efeito, tentei abrandar para estacionar, qual não foi o meu espanto, não havia travões. Tentei carregar nos outros pedais, não fosse estar enganada quanto à localização do dito, e tentei o travão de mão, mas este já estava puxado. Que má sorte, logo no dia em que me esqueço de destravar o travão de mão e ando 7 km com o carro travado, é que me falham os travões de pé... meti a segunda e fui ao mecânico, onde travei batendo no passeio. Ele mudou-me o oleo dos travões que entretanto tinha aquecido e deixado de funcionar, e riu-se. Desde então, sempre que me cheira a queimado, levo a mão ao travão.

Dominar a Vera sem falta!

A minha querida amiga Vera é a menina de dez anos mais bonita do mundo. A Vera não faz tudo tudo, mas, tudo o que faz, fá-lo bem. O privilégio - meu - de ler os seus escritos numas folhinhas pequenas e quadradas de papel, alargou-se, com a sua autorização.

As folhas estão escritas de um lado e do outro e as páginas estão numeradas, de um a oito. É assim que vou transcrever a sua prosa poética.




1
Não esquecer de aumentar o preço!

2
Dominar a Vera sem falta!

3
Porque se pode fazer o possível para conquistar o país de que nós queremos
Para sempre que é

4
o Brasil, a Austrália, o Amor e a tristeza,
Queremos saber tudo sobre a voz e a claridade do futuro
Porque gostamos dele!

5
Dificuldades que nós temos em fazer os trabalhos com o aflito de corrector e correcção ao conflito de recomendação ao Leonceu, parvo à

6
dificuldade da aventura aos cinco amores de toalhas.
Se tivermos a coragem de completar as falas de papel com os outros terrores de amor
com a tristeza da Carla Rita amores.

7
Dandi é um cão chamado Carlos, porque o Carlos foi jornalista ao governo do Brasil, querendo aplicar ao fim da conta de mar cheio e salgado do sim.

8
Com quem nós queremos falar é impossível mas impossível de aturar a televisão e ao amor interno de par e ímpar de romance
Para fazer papel com jornal aumentado!

Vera

22.12.05

A.T.L.


Este é o monitor do meu computador, que me acompanha, muitas vezes, nos tempos livres.

Em baixo, podemos ver o monitor de tempos livres do meu filho:


Will McBride, SchloB Salem, 1992

Suspeito que ficaríamos ambos muito mais satisfeitos se trocássemos de equipamento.

Sinceramente

A sério, não sei porque me fui embora naquele dia. Só sei que não foi pelo que pensas, tu não fizeste nada errado, não és tu, sou eu.
Sou eu que não sou normal, é em mim que (de certeza, certezinha) alguma coisa morreu, que não sou capaz de sentir, que penso demais, que não sei acordar ao lado de alguém sem querer fugir, não, está tudo errado, acidez no estômago, margo na boca, as entranhas às voltas, e só me apetece sair dali, vestir-me depressa e sair porta fora, não obrigada, nunca tomo pequeno almoço, estou com pressa, um compromisso (mas porque diabo não saí a meio da noite, porque diabo me deixei dormir), até logo.
Às vezes ainda é pior, começo a sentir um sabor a cinzas assim que o meu corpo é tocado por outro, o sexo sabe a funeral, como se estivesse a enterrar logo ali uma relação que ainda nem nasceu, a ansiedade aperta-me, custa-me respirar, e só quero que acabe, depressa, depressa, preciso de sair e respirar outra vez.
Juro-te que pensei que contigo ia ser diferente, juro que é verdade, não te quis magoar, não me quis magoar a mim, não penses que isto não me dói também, não penses que eu percebo o que se passa, que o posso controlar. Juro-te que pensei que estava mesmo apaixonada por ti, pensei mesmo, no caminho, enquanto guiava ao teu encontro, o vento na janela, e ao jantar, antes de me tocares , enquanto o sangue me corria nas veias espesso escuro e quente, tão quente que me fundia, o meu corpo todo a perder a forma até se tornar um único ponto incandescente.
E juro-te que tentei, na manhã seguinte, tentei acalmar a ansiedade, afogá-la no duche, e fomos almoçar, almocei contigo, e conversámos, e tentei ser normal, mas não aguentei, desculpa, quando saímos e olhaste para mim com uma interrogação no olhar, não consegui, desculpa, tive de te dizer que me ia embora. E disse-o muito depressa, para não te dar tempo de reagir, para não ver a tua reacção, evitei-te o olhar com afinco, lembro-me de te ver pelo espelho retrovisor, de mãos nos bolsos no meio da rua.
E só me senti voltar à vida já longe, na estrada curvilínea junto ao mar, com o vento e a maresia na cara e os pingos da chuva morninha que começou a cair, só aí consegui respirar. O mal estar continuou, claro, sou uma cabra, e a dor, porque acho mesmo que estava apaixonada por ti, juro, mas não importa, a isso já estou habituada, e já consigo respirar outra vez, em grandes golfadas de ar, sôfrega por ter quase asfixiado.
Mas não és tu, tu fizeste tudo bem, por favor não fiques a pensar que a culpa é tua. Prefiro que me chames nomes, prefiro que me odeies, do que saber que te sentes mal contigo próprio por minha causa.
E era isto que eu te diria, sinceramente, se alguma vez me tivesses perguntado.

Estou farta!

Isto de estar "de férias" numa casa que não é minha. Pequena até mais não. Que não está minimamente preparada para ter bebés à solta, sendo que, em resultado disso tenho uma bebé com um olho negro, várias nódoas negras e feridas na cabeça e já a apanhei com um pionés na boca... De não estar com o carro para ir a lado nenhum e estar totalmente presa. Estar sem paciência nenhuma, de modo a já me sentir culpada de tanto gritar com a miúda, mas sem ter grandes alternativas porque ela só mexe no que não deve (sendo que, ela própria, tem poucas alternativas naquilo que pode mexer) e a caminho de um estado depressivo, dá comigo em doida. Só me apetece enfiar um calmante pela boca da miúda abaixo para ver se ela dorme todo o dia e eu tomar três ou quatro para dormir também porque, além de não haver nada melhor para fazer, evitam que eu pense nos problemas que cá estão e nos que ainda estão para vir. Foda-se! Não há possibilidade sermos nós próprios mas com uma vida diferente?

Enquanto aqui morares...

À medida que vou passando pela vida, ou que ela vai passando por mim, chego À conclusão que todos temos traumas. Normalmente provocados pelos nossos familiares ou por causa deles. Ou porque não nos permitiram seguir um rumo que desejámos, ou porque nós não conseguimos fazer por eles algo que nos magoo tanto deixar de fazer, ou porque passámos por um sofrimento aumentado por sabermos que os nossos também o passavam connosco.
Foi um tempo em que não pudemos dizer que não ou em que não o conseguimos, por um ou outro motivo, fazer. É a sensação angustiante da nossa cobardia. A cobardia do deixar fazer por nós, a cobardia do comodismo. Será que podia ter sido diferente? Será que podíamos fazer alguma coisa para evitar que decisões, que não foram nossas, sobre a nossa vida, pudessem ter sido diferentes. Traumas de infância, pré-adolescência, adolescência e pós-adolescência. As acusações de sermos mal educados e ingratos quando ganhámos um pouco de coragem para nos impormos e, mesmo assim, essa imposição não levar a lado nenhum a não ser ao mau ambiente familiar e a uma frustração ainda maior do “enquanto aqui morares...”. A vontade de agarrar nas coisas e fugir para deixar de morar e mandar na nossa vida. Quantos não concretizaram essa vontade acabando por ganhar novos traumas? Traumas de uma vida difícil, de um começar do zero, da fome, de não ter nada, de, sem a vida estabilizada que os pais tinham, conseguir dar-se a si mesmo aquilo pelo que “fugiram” de casa. Quantos voltaram atrás ficando a sentir-se ainda mais sem valor?
Ouço histórias, alguma semelhantes à minha, outras mais fáceis, outras mais difíceis, mas todas, à sua maneira, traumatizantes para quem as viveu. Hoje, com filhos, penso se um dia terei a coragem de saber que não seu eu quem sabe o que é melhor para eles; são eles próprios que o sabem, à sua maneira e, apenas necessitando de alguma orientação. Orientação e nunca imposição. Porque, se aqui moram, foi porque eu quis que morassem. Se aqui moram é porque não podem, por enquanto, morar noutro lado, e os meus sonhos foram meus. Aqueles que concretizei e os outros que me magoam. Meus. Os meus filhos terão os deles e, mesmo que eu não os compreenda e não ache que sejam os melhores sonhos, são os deles. Gostava de saber que os iriam realizar. Gostava de conseguir não lhes causar o trauma do “enquanto aqui morares...”

insónia

No veludo negro azul da minha janela, há um melro.
De madrugada pia: no Inverno às cinco horas; no Verão, uma hora mais cedo.
Em noites frias como esta, fico à espera, para ver se o melro-cuco me avisa que, em breve, a vida vai aquecer.

preferem assim?

Ontem pus aqui um post com uma fotografia. A dita foi escolhida pela iluminação e pelo sorriso do homem que nela figurava, não pelas características físicas do mesmo - que, de resto, não era nada feio.
Parece que algumas leitoras acharam o menino demasiado musculado, muito Schwarzenegger e mais não sei quê. Não me digam que não gostam mais deste...


















Guglielmo Plüschow, c. 1900

21.12.05

Insuflável e descartável

O pai natal não trouxe presentes nenhuns. Não. Que isto era o mundo dos meninos que já tinham crescido há muito tempo (ou então não encontravam a parte de criança que sabiam que lá estava algures dentro) e os pais natais viviam às portas das lojas de euro e meio com luzes nos barretes ou pendurados a meio dos prédios, o plástico já rasgado a abanar com o vento. Eram pais natais insufláveis, estes que existiam agora. Umas bombadas e estava o natal armado; depois, bastava tirar o pipo e guardar até ao ano seguinte. Fácil e barato e as luzes sempre animavam.
E se acaso se estragassem, eram pais natais descartáveis.

O pai natal, como só existia assim, não trouxe presentes nenhuns nesse ano. Não. Mas no meio de algumas caixas embrulhadas por desfastio na loja e arranje-me lá um laço a condizer e tem autocolante para eu escrever o nome? Vou escrever já, que levo seis iguais desses e mais quatro daqueles, tem em azul? Obrigada, também quero, no meio de algumas caixas todas parecidas, estava outra: diferente.

- Já não tenho idade para legos, pensou ela.

Mas abriu a caixa à mesma.



E depois juntou as peças.

Ninguém como a Guida!

Guida matou António.
Parece-me bem.
Acho justo.
Os antónios, os manéis e os franciscos até se pelam por morrer às mãos das guidas.

nicho de mercado

Um gajo às vezes pode achar que a única saida é o suícidio. E eu tudo bem, há que ser precavido, e manter as opções em aberto. Só acho é que, como em tudo na vida, há que estudar a melhor maneira de se fazer as coisas, no caso uma que seja rápida e indolor. Por exemplo, um gajo podia pensar que meter uma pistola na boca e puxar o gatilho seria, apesar de um tanto ou quanto sujo, tão rápido que se tornaria indolor. E é fácil de encontrar uma pistola e andar com uma na carteira, ou no bolso de trás das calças, para a eventualidade de se ser despedido ou traído, ou qualquer outro problema que leve ao suicidio... O problema é que às vezes um gajo falha as partes importantes do cérebro e acerta numa que não é essencial, e acaba por ficar com um buraco na cara e um bocado tótó.
Um gajo meter-se à frente do comboio também é uma hipótese, amplamente usada por sinal, mas alêm de existir alguma hipotese de sobrevivência (com alguns membros amputados), e de ser mais dificil de arranjar um comboio para uma emergência (já que não há linhas em toda a parte, e eles volta e meia passam atrasados), é injusto para o maquinista, que não pediu para suicidar ninguém no decurso de um dia de trabalho.
Venenos também não é mal visto. Há os profissionais, que matam em doses baixas e rapidamente, mas poucos são indolores e muitos põe um gajo a espumar pela boca, e não são propriamente fáceis de arranjar. Há sempre a clássica, de empurrar todos os comprimidos que se apanham lá em casa com uns goles de vodka, mas essa demora o seu tempo, tempo que pode fazer com que alguem telefone à policia e e um gajo vai parar ao hospital, vivo mas com o figado arruinado.
Bom bom é monóxido de carbono. Não doi nadinha e é relativamente rápido. Só é chato para as emergências, ter que pôr o carro a trabalhar e meter a boca no cano de escape é chato e requer alguma força de vontade. Arranjar um recinto fechado e acumular o gás suficiente demora o seu tempo... Porreiro, era se uma empresa fizesse umas botijas de monóxido de carbono, equipadas com inalador. Agora até há aquelas botijas pluma, que são levezinhas, um gajo podia andar com uma na carteira, à laia de comprimido de cianeto, para as eventualidades...

cafetaria horas mortas

uma consulta cedo, daquelas de rotina anual, tirou-me fora da cama mais cedo do que o habitual. andei a pé, a ser acordada a sério pelo frio, apesar dos casacos. sinto-me já naquela fase em que sei que me enganarei a escrever a data, nomearei sempre nas primeiras semanas o ano passado (o que vai acabar) - pensava nisso enquanto caminhava, hoje de manhã. o bulício da cidade é impermeável ao frio e ao natal. tudo como dantes, talvez as montras mais preenchidas, com alusividades. na volta, bebi dois cafés em sítios diferentes, hábito já antigo. devolvi livros na biblioteca - tinham-me escrito ( de uma forma suavemente ameaçadora) a avisar que me cancelavam os empréstimos.
lutei a tarde toda com uma leitura atrasadíssima, e longe de estar acabada. quando a luz deixou de incidir na sala, saí deixando a porta no trinco, suavemente fechada atrás de mim. instalei-me na mesa do café que àquela hora sei vazia, a da montra. o ar quente reconfortou-me e o barulho ainda leve de fundo acolchoou a leitura que levei comigo como uma companhia. aquela hora, antes da hora do chá, tem impregnada silencio, som furtivo e uma sensação vaga de liberdade tremenda, tudo possivel sentada numa cadeira, a uma mesa, a olhar para a rua.

o burro do presépio

o natal faz as golpadas necessárias. os armisticios com os amigos e as pessoas da família por quem bencomportadamente juro a mim própria não arreliar mesmo que elas me arreliem. já empacotei tudo e fiz meia distribuição, a conta gotas. a arvore de natal desenhei-a numa folha de papel de um bloco,que fechei, não ocupou espaço na sala.o presépio está montado o ano inteiro, abstracto, demasiado abstracto, e porque abstracto fica o ano inteiro. comprei um cosmético com brilhantinas e enfeitei-me frente ao espelho (pareço as miudas dos morangos com açucar), feérica e natalícia na casa de banho. não sei porquê, embrulho sempre os presentes de natal com fita vermelha. com muitas voltas.

John Lennon - Happy Christmas

Querida Beatriz, que não seja por isso!

(O meu) espírito natalício

Estar alegre, cansa.

Decorações e assins

Tá melhozinho??? : p

(ps1: essa tal 'gaja' é uma oferecida, também se apaixonou por mim e nunca mais me largou)
(ps2: não sou Catarina Maria mas sou loira, sim)
(psp: era só para acrescentar esta portátel)
(xbox: e o meu belo cabelo vai até meio das costas, olé!)

E o estupor do espírito natalício, hein?



Mas onde andam as decorações de natal do blog?... ai se eu pudesse mexer no template!

20.12.05

porque a gente aqui também trata de política

Hoje, à saída do Viaduto Duarte Pacheco, em Lisboa, chamaram a minha atenção para um cartaz de campanha de Mário Soares.
A cútis do candidato estava, na fotografia, completamente lisa: um autêntico baby-face. No entanto, por uma qualquer justiça poética (terá andado ali mão alegre?), o cartaz, na colagem, ficou todo enrugado.

Noite Feliz

Que raio! Hoje é um dia importante e parece que não há aqui gaja que se preocupe com isso...e olhem que eu ainda esperei até à hora de almoço mas não aguento mais esta informação toda a querer-me saltar garganta acima (ou dedos abaixo) enfim, isso...não aguento! Então quer dizer que anda a circular por terra e pelo ar a cassete com o ultimo episódio da novela quem_matou_o_antónio e com_quem_vai_ficar_a_sonsa e será_que_a_leonor_fica_rica - tudo com os devidos pontos de interrogação nos locais proprios - e não há quem instale aqui no departamento uma televisãozinha que seja para a malta ver o directo durante todo o dia e saber o que as pessoas na rua pensam e olhar em condições para a cassete não vá estar alguma coisa importante escrita que nos dê uma pista antes de logo à noite? Eu acho isto um ultraje queridas, um desaforo!!! É o que eu acho, pronto.

É claro que vou fazer zapping para a RTP onde vão estar os dois mega-super-candidatos em debate mas, késsedizer, isso é como as novelas, podemos estar um mês sem os ouvir e quando o fizermos ainda estão a dizer a mesma coisa...

Do que gosto nos homens

Fisicamente, não é preciso muito. Sou uma pessoa do detalhe (seria por isso que me chamavam picuínhas, coca-minhocas ou preciosista, em pequena?). Basta uma coisa para eu adorar: um ombro largo e macio, ou mãos secas e fortes; pernas bem tornadas, ou uns pés longilíneos; uma boca com as comissuras viradas para cima, num sorriso de gato, ou transparência no olhar. Gosto particularmente que seja visível a depressão entre o ilíaco e a púbis, um dos pontos mais sexy de qualquer corpo.
Vem primeiro aquela banalidade: o sentido de humor. Bem sei que é a resposta que todas as mulheres dão em inquéritos de rua. Só atesta o quanto as mulheres são espertas e sabem o que lhes faz bem, como comprovam estudos recentes que vamos lendo um pouco por todo o lado. Gosto de um homem que me faça rir e se ria comigo.
Uma senhora francesa que conheço foi, um dia, a um almoço com amigas portuguesas. Com um domínio irregular da língua portuguesa, era frequente fazer traduções livres. Após um daqueles momentos pós-risota, em que soa o silêncio, ela disse, traduzindo uma expressão francesa: Ah, rir faz tão bem, não é? Faz dilatar a rata...* Seguiu-se nova e mais estertorosa gargalhada e creio que entretanto todas devem ter constatado como, por engano, tinha sido dita uma grande verdade.
Gosto que um homem seja inteligente e sensível. Para me compreender, claro - mesmo que eu saiba de antemão que nunca vou compreendê-lo, a ele.
Que seja, também, empreendedor e criativo, para eu não ter que andar sempre a puxar os bois sózinha. E para arranjar maneira de fazer o que tem de ser feito por ele, sem arrastar o mundo inteiro às costas, de tão grande sacrifício.
Gosto de proteger as pessoas de quem gosto, mas também de ser protegida. Para isto é preciso um homem corajoso e frontal. Capaz de identificar problemas e de falar sobre eles. Que saiba viver com as suas sombras e, em simultâneo, ir em busca da luz de que precisa.

* Rire, ça fait dilater la rate (rate significa baço, em francês)




















Konrad Helbig, Brazil, c. 1968

19.12.05

Hoje sinto-me assim:
























P.s. - Cat, eu depois escrevo as explicações lá do outro lado. E depois informa-me do que soubeste, por email ou telefone ou o que melhor te convier. Arreeeeee c'alívio, Porra!

natal-prendas-painatal...

O papanicolau é um exame que as gajas têm que fazer periodicamente depois de terem feito sexo ou depois dos 18, para ver se estão a ficar cancerosas*. Numa primeira fase a gaja despe-se da cinta pra baixo, deita-se numa maca, abre as pernas e põe-nas nuns ferros frios de modos a mantê-las abertas e numa posição jeitosa. Depois vem uma pessoa que percebe do assunto fazer o exame propriamente dito. O que essa pessoa faz é, com um cotonete comprido, colher umas células duma parte do utero, no entanto, e dado que a vagina é a atirar ao estreito e escuro, precisa de duas coisas: uma lanterna para alumiar, e um espéculo para escachar. (O espéculo é uma coisa em forma de pila que se mete na vagina e que funciona como uma pinça só que ao contrário). Depois de colhidas as células, pega no cotonete e espalha-as numa lamina de vidro que depois vai para o laboratorio ser analizada para dizer se as células estão ou não normais.
Conheço pessoas que consideram essencial fazer uma depilação extensiva antes de fazer o papa (nome carinhoso), outras que compram lingerie nova. Eu cá não ligo nenhum a essas coisas e não me aborrece por aí alêm fazê-lo (só me custa a parte do cotonete, que sinto-o a esfregar lá por dentro e faz-me impressão, mas é uma impressão parecida com a de trincar lã, ou pegar em palha de aço, não é nada de pessoal contra o papa).
Há coisas giras que acontecem durante o papa. Uma vez uma amiga minha partiu o espéculo. O namorado dela deve tar contente da vida, mas eu se fosse a ela não teria filhos por parto natural. Outra vez, fui fazer o papa e estavam lá alunos estagiários, um grupinho de cinco moços em idade casadoira a olhar pró meu utero por dentro. Deu-me alguma vontade de rir, mas não achei conveniente desatar aos risinhos com um cotonete enfiado na vagina. Mas o que me dá mesmo muita vontade de rir, é o meu médico pedir sempre licença...

*não me levem à letra que eu não sou médica

Melhor Blogue Feminino (Colectivo)

O Patrick Bleze, autor do blog Anjos e Demónios, rapaz do mais simpático e inteligente que há, ofereceu-nos um Óscar



na categoria Oscares que consagram uma carreira, para o MELHOR BLOGUE FEMININO (COLECTIVO).

Muito muito obrigada!

Santinha!

Comecemos pelo que interessa: detesto sexo! Sou uma betinha de marca! Atinada até ao tutano. Nunca fumei, nem sequer um charro. Nunca namorei antes dos 18. Nunca disse asneiras. A minha mamã sempre se orgulhou de mim, e dizia à amigas que iam lá a casa, "a minha Santinha é muito caseira!". O meu pai avisou-me para não confiar nos homens, nunca, e ele lá sabia.
Num sabonete pode confiar-se. Numa sandes de queijo, também. Num homem, até ver, desaconselho.
Sou um amor de miúda, daquelas que já não existem, que fazem boas acções, ajudam as senhoras com os sacos, falam com os velhotes nos bancos de jardim... Não estou a exagerar, não senhor. Sou um amor. Sou a coisinha mais doce a seguir ao Ferrero-Rocher. Tenho sentido de humor, não sou burra... mas não gosto de sexo!
Enfim, vamos lá ver, não é bem não gostar. Também digo que não gosto de favas e já me apanhei a devorá-las com enorme gozo. A questão está em saber cozinhá-las. As favas podem saber a palha, mas quem percebe de culinária pode torná-las num manjar dos deuses. E com o sexo é o mesmo. Gosto dos beijinhos, das mãozinhas, e mais não sei quê: até me entusiasmo, mas a certa altura deixa de ser festa para mim. E ginástica por ginástica, tenho a Pilates, todas as terças e quintas pelas 18.
O problema não sou eu (penso eu). Do que eu precisava era de um homem realmente sábio. Um homem a sério, esquecido de ser demasiado homem; por outras palavras, de um homem que não fosse egoísta, que se esforçasse nos trabalhos de casa. Um que andasse à volta de mim e me desse o aproveitamento que tenho. O merecimento.
Ó senhores, o meu último namorado durou oito meses, repito, oito meses, e nunca descobriu que trago uma cicatriz na nuca. E porquê? Porque a nuca não era local que lhe interessasse explorar. O mesmo namorado perguntava-me, "diz-me, amor, onde é que estão os sinaizinhos do meu corpo!", e se não acertasse, amuava.
Depois engravidou a mulher, cuja cor-dos-olhos também não sabia dizer à distância, nem se os mamilos eram mais para o rosa ou para o castanho, nem o número que calçava nem o que vestia, e deixou de aparecer. Bendito seja o Senhor.
Resta-me, portanto, a santidade.
Ámen.

18.12.05

Hoje sinto-me assim:

Do Re Mi

Mas alguém sabe por que é que a Maihorca continua a ser um sapo? Elas não são já bruxas? E quem é aquele bebé?

AI!

17.12.05

Trocar de lugar 8 dias por mês (isso é que era!)

Quando ouço os homens a dizerem coisas como:

"Porra, que 'tás chata, deves estar com o período, não?!?!?"

Porra, que coisa pá. Parece que o "estar com o período" é coisa que podemos controlar, bem como as emoções que daí advêm! Raios.
Deviam de ser eles a estar três dias com uma irritabilidade que lhes chega não sabem de onde, nem porquê, nem quando. Sensíveis como o catano que basta verem uma cara feia que têm logo vontade de chorar. Acharem que essa sensibilidade é absolutamente ridícula mas, mais ridículo ainda é não a conseguirem controlar. Terem os tomates inchados e completamente dolorosos que nem as cuecas ou boxeres lhes podem tocar (comparação ao que nos acontece com as mamas). Depois disto ficarem mais 5 dias com todos estes sintomas e ainda com sangue a escorrer-lhes pelo pirilau. Terem de andar com um penso higiénico nas cuecas e estarem sempre húmidos e desconfortávies. Por vezes sentirem o sangue a escorrer de tal forma que sabem que as calças ficaram sujas. Terem de andar a disfarçar com casacos pelo cu ou então terem de andar com mudas de roupa nesses dias. À perda de sangue, irritabilidade, sensibilidade acrescem dores inimagináveis que nem sempre passam com comprimidos e, apesar disso, se tem de ir trabalhar. Além dessas dores (na barriga), acresce fraqueza e dores nas pernas. A vista fica mais turva. E custa fazer qualquer tipo de esforço físico ou mental.
Depois disto eles ainda acham que nós "fazemos fitas" quando estamos com o período e dizem coisas como: "Fazer a barba também é chato e eu tenho de a fazer todos os dias"... Ora ide todos para o raio que vos parta!

está tudo bem

Por esta altura, as emoções adensam-se, ganham textura e nova consistência, lembram sólidos geométricos que nos perfuram as entranhas com as suas arestas flutuantes. É o Natal, esse bicho-papão que nos espreita do escuro da despensa, que insiste em nos alumiar quer queiramos quer não e em nos debitar volts a mais, agarrando-nos pelos colarinhos os traumas de infância e as perdas e danos que fomos contabilizando ao longo da vida. Traz-nos mais fome, mais frio, menos calma e tudo se nos pesa mais: no estômago, nas pontas dos dedos, na raiz dos cabelos. Damos por nós a amar mais com os olhos e menos com o resto, avaros de gestos febris, mas generosos nos quereres, nos pensares, nos votos futuros. Desleixamos o corpo que, se no Verão pede desvarios constantes por entre rios de suor que escalda, agora, de bom grado se contenta com o escorregar de um café com leite a dois, a três, à dúzia, temperado a colheradas de açúcar, canela e palavras mornas.

Vemo-nos menos selvagens, mais concentrados e compassivos, de um gostar mais suavezinho e delicado, deitado com cuidadinho nas palhinhas, pairante sob céus estrelados e embrulhado em véus, que se revela, não tanto nas romarias de pele em brasa, mas no viver e reviver de particípios passados sempre muito presentes.

Dói-nos mais, o sacana, do que as marcas na pele dos orgasmos prolongados pelas preias-mar de Verão, soa-nos mais alto do que os uivos disparados pela fisga do prazer na direcção da lua cheia; escarafuncha-nos os centros nervosos e provoca-nos, muitas vezes, arrepios de desagrado e de desconforto, por não termos assim tanto para dar. É chato, insistente, verruminoso, o Natal, porque, com a sua mesquinha pontualidade britânica, nos sublinha (a lápis de carvão, mina grossa, a marcador fluorescente), o cobertor para um, o amargo de boca, o sorriso ausente, o gelado de uma colher só, o olhar que se evita, a piada não partilhada, o miúdo que pede na rua, o presente por trocar, a árvore que não mais se ilumina: todos os curto-circuitos da vida, enfim.

É um tempo de alegria mastigada, dorida, porque sim, porque não, porque alguém assim o quis, porque já deu o que tinha a dar, porque há gente que se foi, porque há quem não tenha a quem voltar. É tudo isto e não faz mal, está tudo bem. Está tudo bem.

Tarda nada, o novo ano que chega levará de enxorrada o antigo e, uma vez mais, faremos de conta que os destroços dos nossos eus meio à deriva, se foram de vez numa maré sem retorno.

Este blog

às vezes sinto-o assim:



(e vale a pena clicar no site onde tirei a pic, para mim queria a toast friends)

Obrigada, Krassy, por terminares o tal do embargo. :)

Mais bytes por post

Um dia destes já não me consigo meter dentro do post depois de tantas comezainas de Natal.

Querida Beatriz,
Está assim terminado o embargo?

16.12.05

Isto era para chegar a um lado qualquer... mas enfim... foi o que saiu (ai que lindo título!)

Um dia sentia-me frustrada, incompreendida, zangada com o mundo. Nesse dia descarreguei toda a minha raiva numa amiga. Achei que ela tinha todas as obrigações de me ouvir, mesmo que a horas impróprias e mesmo que a ofendesse e exigisse dela mais do que ela tinha "obrigação" de dar. Nesse dia ela zangou-se. Zangou-se como nunca se tinha zangado nem eu, apesar de o merecer, esperava que fosse tanto. E a minha frustração, o meu "sentir incompreendida", a minha zanga com o mundo, de repente, pareceram-me ridículas. Perante aquela nova realidade de perder alguém que gostava tanto tanto. Mas ela perdoou-me logo de seguida. Ou melhor, esqueceu. Esqueceu mesmo. Nem falou mais no assunto. Abraçou-me com a mesma intensidade de sempre e quando ganhei coragem para lhe pedir desculpas pela aquela minha loucura momentânea, que me fez "perder a cabeça" e ofendê-la porque me apetecia, "apenas", ofender a vida, ela só disse:

- Desculpas porquê? Esquece isso. A melhor desculpa que me podes pedir é não voltar a fazer o mesmo e aprenderes a controlar os teus impulsos.

E eu aprendi (pelo menos com ela).

E este post era todo para chegar a outro lado qualquer mas entretanto fui interrompida mais de 10 vezes durante a "escritura" do mesmo que me esqueci.

E anuncio que estou de greve... só volto a escrever quando outra pessoa qualquer, que não a patroa deste tasco, escrever qualquer coisa.

Plágio...

Estou apaixonada por esta música... tenho de ter este CD :)

Pequenas coisas...

Hoje estou com umas lágrimas de desespero a espreitar ali nas pálpebras inferiores. Um nó na garganta e um aperto no coração. Sinto-me um peso com muitos pesos em cima. Olho para o passado e questiono, vezes e vezes, como permiti que me fizessem isto? Como permiti que me fizessem fazer isto a outros? Mas a resposta não está lá e muito menos a solução para o problema do presente. O meu e o que criei a outros.
Nisto recebo uma SMS carinhosa de uma amiga, vinda do nada, como se adivinhasse como me sinto. Uma amiga que não era suposto sê-lo, com quem deveria ter uma relação de distância profissional mas de quem, na segunda reunião, já me despedia com um abraço sentido (empatias!). E lá me fiquei a sentir um pouco melhor, apesar de isso não solucionar absolutamente nada.

All hands, stand by!

Uma das sócias foi de férias sem bilhete de regresso.
Beijos e abraços, querida amiga.

15.12.05

Para aliviar

É Natal, é natal, chingalingaling

Odeio gajas deprimentes!

Hoje não tinha nada para fazer. Aliás, tinha de ir às compras. Como tinha de ir às compras pensei em ir a casa de uma amiga. Na verdade nem é amiga. Para ser sincera detesto a gaja. Mas não tinha nada que fazer. Lá fui. A gaja tem um filho bebé. Muito giro. Giro demais para ela, mas todas as "coisas" têm sorte. É o que vos digo. Nisto ouço-a dizer: "O meu pai não compra o quarto do neto! Achas isto bem? custa-lhe alguma coisa dar 500 euros pelo quarto XPTO que eu vi na loja Y e lhe pedi? Está ali o quarto do miúdo vazio e eu queria metê-lo longe de nós!"... E eu, que olho para os objectos que estão no quarto dos pais e vejo: uma banheira/cómoda/fraldário, uma cama de madeira de grades, um baú com brinquedos, um "ginásio"... e penso que aquilo para mim era mobilário suficiente para um quarto de bebé. Mais umas decoraçõezitas estava feito. Mas ela não! Para ela tem de ser o quarto XPTO que viu na loja Y e, como não tem dinheiro para o comprar acha que o pai dela o tem de fazer e fica ofendida por não ser assim e acha que é uma desgraçada... Odeio gajas e a mania de serem umas desgraçadinhas. Odeio gajas e a mania do "ninguém gosta de mim!"... ARREEEEEE!!!!!

Anos de crise

(sete gajas ao almoço e um alentejano para o café)

- ...mas então tu tiveste a crise dos sete anos?
- Ah pois tive! E não foi pouca!
- E ele?
- Ele? Ele não deu por nada! Disse-lhe, olha passámos a crise dos sete anos, respondeu-me, crise qual crise?
- Riam-se riam-se...
- Tu estás casada há quantos?
- Vinte e cinco! Vinte e cinco!
- Então e passaste a crise dos sete e dos treze anos e depois, quando é a próxima?
- Depois? Então, depois é todos os anos, pensam o quê?
- E tu, estás casado há quantos?
- Vou fazer catorze daqui a uma semana.
- Ah, já passaste a crise...
- Crise, qual crise?
- Pois!
- Homens é isto!
- Mas a tua mulher aposto que passou a crise dos treze!
- Deixem-no lá. É alentejano: ainda está a pensar se passa a dos sete...

Quase 12 horas sem posts?!

É assim. Apanham-se com os salários principescos que pago para aqui escreverem um postitozito de vez em quando e mais o subsídio de Natal, vão-se-me todas para as compras e fica a chefa a escrever posts, não é? :p

Ora então que se lixe mesmo!

Minhas amigas e meus amigos aqui vos faço uma revelação extraordinária que a meu ver não tem nada de especial mas que faz de mim uma ordinária da pior espécie aos olhos de muita gente. Eu gosto de sexo, eu gosto muito de sexo! Eu penso em sexo todos os dias. Tenho um apetite sexual que eu considero saudável embora muitos (e sobretudo muitas) possam considerar excessivo. Se eu pudesse e tivesse com quem queria ter sexo todos os dias. Mesmo nos dias em que estou menstruada porque assim como assim até estou mais lubrificada! Só muda é a cor, mais nada!

E se me refreava um bocado nas fantasias enquanto estava casada (por causa da tal história da infidelidade em palavras e pensamentos as well as em acções), hoje que estou sozinha é mesmo um vale tudo! Aliando um apetite insaciável (ou não fosse eu uma loba que quase me venho só com o cheiro de carne fresca) a uma curiosidade agora sem limites nem restrições estou no jogo de pensar sempre mais e mais longe. E em tudo o que eu puder para me dar e ter mais prazer. Hoje procuro o prazer maior e por vezes encontro-o em fantasias inverosímeis mas que duma forma ou de outra me deixam mais excitada do que qualquer gesto ou palavra… e mais molhada também!

Caneco, já escrevi mais do que queria e ainda nem comecei a beber nada! :-P

O caneco!

Para não dizer pior… é que agora apetecia-me escrever aqui uma data de asneiradas mas ponho-me a pensar nas pessoas x, y, z e o resto do alfabeto todo que já lêem o blog e sabem quem eu sou e pumba! Já não posso dizer o que me vai na alma… nem mencionar o facto que a lua cheia me põe os nervos em franja e o sangue em ponto de rebuçado. Ah, já agora se alguém ouvir uma gaja destrambelhada a uivar por aí posso ter sido eu que me transformei em loba de vez. Ou então será das borracheiras que estou a prever apanhar nos próximos dias com tanto almoço e jantar festivo planeado… este ano tou a pensar em ir a tudo! Se notarem a minha ausência por aqui é porque não consegui encontrar o caminho da casa de banho até ao pc! :-P

14.12.05

zombies

Ouvi, num destes dias, José Saramago em conversa com Ana Sousa Dias. Dizia o escritor, sobre a morte, que ela não era uma entidade estranha à nossa existência. A nossa morte anda conosco, esclareceu. Cada um carrega consigo a sua morte e – ideia apaziguadora – a nossa morte morre conosco.
Ouço falar de uns pais que violaram a sua criança de dois meses. Ela ainda não morreu.

Há fumo no meu quarto

Mas não há fogo, nem fogacho, só um lume discreto.
Nunca fumo no quarto. Ultimamente, quase nunca. Quando estou doente, de cama, se puder fumar, saio do meu quarto antes de o fazer. Não gosto de cheirar o tabaco, no quarto.
Até gosto do cheiro de alguns tabacos, em algumas pessoas. Como o aroma a tabaco de cachimbo que se desprendia da roupa do meu pai, no fim de um dia de trabalho. Mas não nos lençóis, quando me deito.
Tenho sido atacada, amiúde, por uma maleita antiga, que só visitava o meu corpo de tempos (muitos) a tempos. A dificuldade em deslocar-me demove-me da ida à sala, ou à cozinha. Há uns anos deixava de fumar, nestas circunstãncias, sem grande sacrifício. Agora posso considerar-me uma fumadora, viciada, pelo que consigo fumar pouco; sofro, se não fumar.
Significa que perdi a força de vontade. Perda esta, forte o suficiente para deitar abaixo a minha sacro-santa lei de não se fumar no meu quarto. Sempre há uma força qualquer...

A Teoria da Circulação

Todas as mulheres sabem que homem que conduz um carro à Fangio (desde o rugir do motor antes do arranque, até à velocidade de ponta, passando pelas manobras perigosas naquela que se vai safar sempre) sofre de Complexo de Pénis Diminuto (sempre adorei esta palavra, e especialmente aplicada a este caso, soa-me a qualquer coisa como - Dá-me um minuto, querida, que ainda chego lá).

Mesmo sendo apenas um palpite, bastou-me uma única experiência para comprovar toda a veracidade desta maravilhosa associação entre “acelera” arrogante / pénis pequeno.

Com a liberalização do sistema de prestações, houve uma outra variável que se veio juntar a este pequeno grupo de sintomas, que os portadores de CPD manifestam. Primeiro que tudo, a gama do carro em si. Quanto maior a cilindrada e potência da máquina, menor o tamanho do dito.

Ora, vinha eu hoje descansadinha a 80 à hora a curtir uma música no meu carrito, quando comecei a reparar que já excedia em 30km/h o limite de velocidade. Havia uns então, que deviam ir a mais de 120, tentando a todo o custo passar pela direita, centro e até por cima.

Não foi difícil começar a observar que a totalidade destes magníficos condutores era do sexo masculino; e daí até ao “pá este parecia mesmo o X a conduzir” foi “um tiro”. Levando-me imediatamente a concluir, que a estrada está cheia de portadores de CPD.

É claro que esta conclusão da qual não abdico mesmo em evidência de contrário (até porque as manifestações dependem de outros factores que agora não vêm ao caso), me poderia levar a considerar os efeitos nocivos deste complexo, para a sinistralidade que temos vindo a observar nas nossas estradas. Mas curiosamente, não.

De repente, estava ali sobre a minha cabeça (enquanto um BMW me rosnava violentamente por detrás) a razão para a qual hoje em dia existem tantas mulheres insatisfeitas com os seus parceiros. E foi aí mesmo, a ser encurralada por um Audi e por um Mercedes, que descobri finalmente a solução para este caso.

Minhas caras leitoras, se têm parceiros portadores de CPD cujo principal sintoma é a negação da causa a qualquer custo, e não se sentem satisfeitas com o torque ou o binário dos mesmos, experimentem o seguinte:

- Em vez de gemerem durante o acto sexual, experimentem fazer-se soar como um ruído de motor prestes a arrancar num sinal em plena rotunda.

- Se lhes quiserem mandar bilhetinhos de amor, digam coisas do género - Eu sou a jante de liga leve prateada, que te espera nesta auto-estrada infinita. Faz-me rodopiar a 7000 rotações.

- Quando quiserem que eles vos passem a outra posição, refiram-se com carinho que pelo andamento da coisa, uma quinta a fundo era o ideal para papar tudo quando viesse pela frente; e mesmo por detrás...

- Para lhes gabarem o corpinho, usem coisas tipo – Ena! O teu chassis hoje parece o de um Ferrari… - ou - Querido os teus máximos estão tão bem afinados que chegam até ao fim da curva! – ou ainda – Nunca tinha montado um assim. Foi “kitado” ou é de origem?

Aviso - Em caso algum usar a palavra Airbag.

- Finalmente, se tiverem pressa para acabar, naqueles dias mais "soft" em que a coisa não desenrola; podem sempre aludir ao facto do ABS estar com problemas e pedirem uma inspecção com “lavagem de estrada”.

Experimentem, e digam-me lá se não estou certa?

13.12.05

Rosto

Adormeço no sorriso do teu corpo

todas as noites

A Paixão

A paixão é um monstro que uma vez despertado é muito difícil de controlar ou até de obrigar a voltar a adormecer. Não digo que não seja bom, porque é, sentirmo-nos apaixonados. Mas esse sentimento em permanência não se compadece da nossa vida feita de rotinas e obrigações e deveres e muito poucas distracções e desvios que nos permitam saciar a alma, o coração e o sexo.

Eu sou um vulcão em risco de permanente erupção. Calma e reservada por fora, arde em mim um fogo feito de lava transparente que brota do meu sexo nos momentos menos esperados e até menos desejados. Controlo tanto os meus desejos e vontades como uma montanha em cima aberta controla a lava a ferver e a impede de querer sair de onde está. De querer saltar por cima de pedras, árvores, casas, animais e até pessoas. Ardendo e ardente queimando tudo em seu redor e deixando árida e negra uma paisagem outrora verdejante.

É o perigo da paixão. De queimar tudo sem descrição nem discrição. Sem selecção nem motivação. Vai queimando, queimando, queimando até à exaustão. Até não ter mais combustível que a alimente. Até matar o que resta da vida que tinha quem a sustentava. Se a paixão é vida, eu hoje anseio pela morte.

Estou exausta.

12.12.05

Retiro o que disse!

Enfim, não na totalidade mas pelo menos em parte. Pois que o livro da dita senhora não presta para nada. A história chega a ser enjoativa de tão inverosímil e as coisas que ela escreve sobre as relações entre pessoas dá-me a nítida sensação que foram copiadas de algum livro de psicologia ou como se chama a ciência que estuda relações humanas (é antropologia?) Ai caneco que estou a estupidificar!

Lê-se bem mas é mesmo pralém de estupidificante! E ainda por cima assim que terminei o livro ainda me deu para ir ao cinema ver um tal filme “Broken Flowers” com o Bill Murray que me enervou de tão lento e de tão estúpida que era a história! O gajo tá velho como o caraças, e tanto que eu gostei de o ver no filme “Groundhog Day” com a Andie MacDowell (e o que será feito dela prálem dos anúncios a champôs e loções?) e já não gostei tanto de o ver no “Lost in Translation” e neste último então está insuperável de mau! Há uma cena em que ele sai de um quarto de motel e que a câmara o está a filmar de costas que só apetece empurrá-lo para ver se ele cai da varanda… é que ó menos o filme ganhava mais alguma acção!! :-S

Dedicatória

Para ti, minha ordináriazinha preferida, puta da pior espécie, invejosa pindérica que estais aos meus calcanhares a tentar ser avistada pelo meu (O MEU!) miudo,

tenho a dizer-te que podes enfiar os boatinhos que andas a espalhar no sitio onde enfias as cuecas sem classe que costumas usar porque ninguém quer saber quem eu ando a foder e a coqueluxe lá do bairro não costuma interessar-se por ordinárias que não sabem dizer duas frases seguidas com sentido. ok?


Aiiiii...o que eu adoro o espirito natalicio.
Que venha a proxima festa!

11.12.05

E porque um blog também serve para isto

Querido Menino Jesus,
Não sei se estás a achar piada a esta coisa dos blogs, mas acredito que és rapaz para aderir a estas tecnologias modernas e por isso decidi editar (publish, é assim que se diz) os meus modestos pedidos de Natal.
Como sabes, tenho-me esforçado por me portar bem, por amar o próximo (nada de exageros, claro) e todas essas coisas que andas há anos e anos a ensinar-me, às vezes com resultados tão inglórios.
Lembras-te daquele computador que vimos há tempos na FNAC? Esse mesmo, aquele com o écran maravilhoso, muitos kbytes e um som estupendo? À noite até fomos ver aquele candeeiro espectacular que ficava tão bem na minha secretária....
Pois... era isso que eu queria e tu sabes que até preciso, porque me ouves muitas vezes resmungar por causa dos problemas, da lentidão e outras coisas inomináveis (a ira, a ira...)
Depois há as botas que estão na montra daquela sapataria onde me tens visto tantas vezes cometer alguns pecados de luxúria. São um nadinha caras, eu sei, mas não tem defeito nenhum e tu sabes como sou esquisita.
Era só isto. Como vês, não é um exagero. Podia ser um carro novo, um anel de diamentes ou um faqueiro de prata, enfim luxos, mas como vês, são pedidos ao teu alcance e que farão de mim uma rapariga mais feliz.
Pela minha parte, prometo que tudo farei para não andar sempre a incomodar-te com as minhas tolices, que tu tens mais que fazer e muita gente para atender.
Um abraço aos teus pais.
Krassy

"A mesma atitude pode despertar reacções distintas, dependendo de circunstâncias aleatórias"

Estava longe de pensar que um livro da Rita Ferro ("Não me contes o fim") me deixasse fechada em casa a pensar num domingo de sol como este que está hoje. Ora atentem nalgumas palavras que eu gostaria de ter escrito um dia…

«A verdade é que continuamos a desvalorizar o poder que exercemos sobre os outros, achando sempre que não conseguimos atingir o interlocutor. Mentira: basta por vezes uma frase agreste para lhe provocar os mais estranhos comportamentos, equívocos e intenções. Depois o outro fica embatucado, digerindo o que lhe dissemos, e nós supomo-lo indiferente. Outro erro: a indiferença não passa de uma atitude, pois ninguém é impune a insultos, reparos ou desconsiderações. É então que carregamos no tom e reincidimos, tentando ao menos abaná-lo, e que o outro, já ferido, reage de forma imprevisível.
[…]
Seria bom saber a quem, ou como, tivemos o condão de tocar, mas essa consolação ninguém a tem.
[…]
Misteriosa, mas exaltante, a noção de que ninguém nos é totalmente indiferente e de que nunca o somos verdadeiramente para os outros, ainda que sejam célebres ou poderosos. Perigosa, por outro lado, a reacção em cadeia que os nossos comportamentos provocam, acabando por condicionar, de uma forma discreta ou determinante, negativa ou positiva, o nosso comportamento ou o dos que se cruzam connosco.

E não há inocência na conduta que se adopta, nas palavras que se escolhem ou no seu sentido oculto; somos livres e responsáveis para usar desse poder como um feitiço ou uma arma, porque o seu efeito é obscuro e as responsabilidades difíceis de imputar. Mas cuidado: o efeito que buscamos pode resultar noutro bem diferente, ou até oposto ao pretendido. Não há regras. Há gestos grandes que nos deixam impassíveis e atitudes mesquinhas que mudam a nossa vida. Depende do dia, da lua, do estado de alma, do tempo, da atenção, da autoria.»

E digo-vos leitores incautos que por aqui passam neste dia solarengo de quase Inverno, digo-vos também a vocês comentadores que por vezes ferem intencionalmente quem sentem (porque não o escondo no que escrevo) estar fragilizado, as palavras que aqui deixo e as palavras que aqui me deixam afectam-me muito mais do que vocês imaginam. Há comentários que me desfazem por dentro, que me mordem por sentir a sua crueldade, frieza e até injustiça no que ali está escrito contra mim. Eu sou uma boa pessoa, como toda a gente será em querendo. Mas claro que tenho os meus dias, como todos e ao ser humana tenho as minhas falhas, tenho os meus maus momentos de descontrolo e desespero.

Um antídoto recomendado pela Rita Ferro no seu livro é o carinho mas nem sempre todos reagimos à ternura e ao carinho da melhor forma. Especialmente quando estamos demasiado devassados e nos sentimos tão violentados que nos apetece disparar sobre toda e qualquer pessoa que se meta à nossa frente. Não percebo porque somos assim. Não percebo muitas das minhas reacções. Mas enquanto for viva vou tentando melhorar. Todos os dias analiso o que fiz. Do que me posso orgulhar e do que me arrependo. Enalteço-me pelas coisas boas e castigo-me pelas más. Aprendo todos os dias, comigo e com os outros. Aprendo também com tudo o que se passa à minha volta, inclusive com aqueles que me magoam sem sequer se darem ao trabalho de me conhecerem e tentarem perceber porque me sinto por vezes mal comigo própria. Os comentários anónimos e maldosos não me fortalecem. Pelo contrário. E digo-vos que me marcam mais do que os outros. Afectam-me mais do que os outros. É um mal terrível que eu tenho em ser assim. Mas não posso deixar de ser como sou. Não porque não queira mas porque não consigo.

10.12.05

IDEIAS PRECISAM-SE!

Bolas. Preciso de ideias para uma prenda de aniversário para uma mulher sofisticada, que vai fazer 35 anos (limite de 40 euros). Raios parta, que nada me ocorre.

9.12.05

Ontem, hoje e amanhã

Há anos que ando a esperar o "dia de amanhã". Amanhã vai tudo ser mais cor de rosa. Amanhã vai tudo melhorar. Amanhã tudo isto vai passar. Às vezes o amanhã até chega, mas dura sempre pouco tempo e o "ontem" volta novamente com mais força. O que vale é que os amigos do "hoje", sorriem no amanhã e apoiam no "ontem". E o "ontem" torna-se mais leve mesmo que seja mais pesado.

Falta de imaginação galopante

Alguém tem ideia do que se possa comprar para 15 sobrinhos de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 2 e os 24 anos, que não me leve à falência imediata, que seja rápido e de preferência tudo no mesmo local?
Agradecida antecipadamente.

(livros e chocolates, já não dá mais)

As mães queixam-se da prole:

- Mexe em tudo, já não aguento andar sempre atrás dela.
- Fala pelos cotovelos, não tenho tempo para pensar em nada.
- Caramba! Sempre a querer atenção, gasta o meu nome!
- ...Bolas, tens mesmo que estar aqui?
- Não páram quietos!

Raio dos putos... até parece que estão vivos.

off limits

Não sei o que se passa com o meu coração. Ouvi dizer que ele bate no peito, por dentro. Do lado esquerdo. Pouco à esquerda, ligeiramente descentrado, num pequeno desvio do esterno.
Mas não é por aí que anda o meu coração. Já o senti várias vezes a empurrar as costelas flutuantes, do lado direito. Hoje de manhã andou aos saltos sobre o fígado, que eu bem o senti. Deu umas pancadas distintas na parede interna das minhas costas e, depois – não estou a fazer confusão – depois, o vértice, ponto sobre o qual as curvas se equilibram, foi empancar com o meu estomâgo. Bebi leite, água, café; comi um iogurte: tudo para o pressionar dali para fora. Consegui que assentasse, a baloiçar ligeiramente, nas asas do ílíaco.
Agora anda às cambalhotas na bacia. Incomoda um bocado. Não sei o que fazer (nada?), mesmo sabendo o que tenho. É uma chatice ter o coração descaído.

A Maria anda em festas!

Pois que já começaram as benditas festas de Natal. E eu não sei porquê acontecem-me sempre coisas que não lembra o caneco (ou se calhar lembra mas podia ser com a vizinha do lado e não comigo de vez em quando para não variar!)

Mas passo a relatar! Pois que estava eu muito bem entretida a ver o espectáculo de Natal e claro sem reparar que a minha mais pequena andava feita aspirador a apanhar pipocas do chão para as alegremente deglutir… Até que houve uma que não deglutiu e então claro, o que acontece a uma criança pequena engasgada com uma pipoca e acabadinha de lanchar?... Pois… uma cena género exorcista portanto! Leite de chocolate em forma de jacto feito vómito por cima dela, da irmã, de mim e do belo casaco de cabedal de uma senhora que eu felizmente não conhecia. Agarrei nelas e fugi prás casas de banho e depois de limpas ainda por lá ficamos (embora um pouco mal cheirosas confesso! :-S) porque a mais velha não se queria vir embora sem o presente de Natal e eles só distribuíam os presentes depois do espectáculo!

Foi cansativo demais… acho que para o ano já não vou! E ainda me vim embora a pensar se me devia ter oferecido para mandar limpar o casaco de cabedal da senhora que teve o azar de estar sentada ao nosso lado… mas não me ofereci e felizmente não a vi mais até ao final da coisa!

8.12.05

marasmos

Os marasmos dos dias parados, aqueles dias que boiam de costas numa aguadilha estagnada, nos contaminam a sua inércia e nos fazem deixarmo-nos andar; dias cegos, que não olham para trás nem em frente, mas apenas para o seu umbigo de dias cegos, um buraco negro forrado a distracção, como quem não quer a coisa, a morte da bezerra que se nos infiltra. Marasmos que hibernam cá dentro, que nos pasmam as entranhas num silêncio imóvel, à espera de dias melhores e mais leves, com menos quilos em cima; os humores pregados ao chão e avariados, arrastando-se com esforço pelo asfalto das nossas cabeças, a falta de vontade do riso, a falta de siso e a gargalhada que se segue, fraquinha, de uma moleza que dá dó (uma mágoa tão quieta, que nem da cadeira se levanta). São dias que não prestam, suspensos no ar no deitar no amar no comer no foder, esta modorra de não ser nada nunca mais, a tentação da crisálida, o dobrarmo-nos na mansidão expectante da posição fetal, deixem-me estar que não quero sair, tudo culpa desses marasmos, agentes duplos de gabardina escura que se infiltram na corrente sanguínea, cercas de aço que nos confinam a uma quietude desagradável, que quereríamos derrubar e espezinhar mas não podemos, pois faltam-nos as forças: sentimos o peso do mundo nos braços e nas pernas, queremos fechar os olhos e recolhermo-nos no nosso próprio útero. Ou num útero qualquer. Felizmente, são a espaços, estes dias.

In my place

E pronto. A casa está de Natal, há luzes a piscar do hall à sala, a árvore está linda e as compras estão feitas. Os desejos estão embrulhados em papel vermelho com pais natais, as tristezas em caixas douradas com bolas verdes, as saudades embaladas em cartolinas prateadas com estrelas azuis e as alegrias em pacotinhos com laços de seda.

7.12.05

noite cigana

bulgária, agosto 1998

a casa é de vermelho e madeira escura. saímos e passeamos nocturnos pela vila. no jardim um acordeão. ao toque cigano acho a solidão. não é contigo que quero estar aqui. quero estar só. só. (e agora estou, apesar de ti.) o teu passo fotográfico junto ao meu. este sempre adiante. numa avidez subtil. quero sofrer em silêncio a beleza estranha. rostos cujo calor me escapa. melancolia quente que se vai colando aos lábios. fica. porque que é que casei contigo? sufocas a minha solidão. o acordeão ainda. mais presente. a tocar-me o futuro aos ouvidos. acorde menor sobre a melodia maior deste quadro monótono que me pintei. quero fugir ficando aqui. e acabo de decidir. não volto para portugal contigo. e se voltar apaixono-me. por isto. por outro.

e então voltei.

Vá-se lá entender o mulherio

Escorraçamo-los. Como a cães tinhosos, insensíveis ao olhar murcho do bicho magoado, corremos com eles aos berros, aos pontapés, aos já não te posso ver, não te aturo mais, não há paciência para isto, nem mais um dia, põe-te a andar, saí daqui, pira-te do meu espaço, não se aguenta essa tua mania de olhares para mim como objecto, não me respeitas como ser humano, não te interessa que eu tenha raciocínio e inteligência, que seja mulher/profissional/culta/interessada/interessante, não me apoias na vida/carreira/afazeres/interesses, a ti tanto te faz que eu seja assim ou assado desde que esteja gira/boa e bem vestida/despida, eu sou mais do que um corpo e quero um homem que olhe para mim como uma pessoa completa.

E depois, o pobre diabo escorraçado, enfiado, gasto, deprimido, arrastando os pés e a infelicidade atrás dele, mergulhando em anti-depressivos e ansiolíticos, bebendo cervejolas com os amigos em situação igual encostado ao bar onde todas as mulheres são umas cabras, lá arrebita e arranja outra.

E nós, lá no fundo, no fundo, ficamos todas contentes porque a outra é mais feiosa que nós.

The bitch in me sings Alanis style

I want you to know, that I’m not happy for you
I wish nothing but the worst for you both
A younger version of me
Is she perverted like me?
Would she let you go anal on her?
Does she write elaborately?
And would she have your babies?
I'm sure she'll not make an excellent mother (not to my kids anyway!)

Cause the love that you gave that we made
Wasn't able to make it enough for me
To be open wide, No!
And every time you speak my name
Does she know how I told you
I'd hold you until you died
Till you died, but I’m still alive!

And I'm here, to remind you
Of the mess I left when I went away
It's not fair, to deny me
Of the cross you bear that I gave to you
You, you, you oughta know

You seem very well, things look peaceful
I'm not quite as well, I thought you should know
I did not forget about you, Mr. Simplicity
I hate to bug you in the middle of dinner
But it was a slap in the face
How quickly I was replaced
Do you close your eyes and think of me when you fuck her?

6.12.05

más intenções passivas

Porque será que quando temos uma ferida todas as esquinas parecem mais protuberantes, com o único intuito de nela esbarrarem?

o amor e os dias

a empregada está a passar a roupa. oiço o barulho do ferro de encontro à tábua, e o som dos tecidos a serem deslocados à medida que são alisados por aquele pequeno mobil quente. não tenho jeito para mandar. dou-lhe instruções quase tímidas, não gosto de dar ordens a quem é tão adulta como eu, sabendo decerto o que há a fazer numa casa a funcionar. quase como duvidar da sua maioridade, do que sabe das dinâmicas da luta dos sentidos de ordem face ao caos que nos convida a perder as estribeiras da limpeza e das arrumações.
hoje não me apetece ouvir o aspirador, esse ogre barulhento que invade o meu espaço, e convenci-me trocar a roupa passada em vez da ausencia de pó.
mais um natal, como uma respiração que não se pode suster. as famílias mínimas sentem o natal de modo diferente, sente-se uma ausência que nunca o foi porque nunca esteve preenchida, apenas teoricamente desejada. a comparação dos natais da infância em que a casa tinha mais gente é uma memória tão longinqua, parece um conto antigo de um livro infantil, daqueles de que se gostava.
vive-se por vezes em determinados momentos do que se foi, reinventando um presente atento mas apolíneo, de uma complexidade com tantas dobras que o resultado é uma textura lisa, de tão saturada. a prescindibilidade é uma terra franca, território vivo e poroso, o menos fica tão parecido com o mais, como respirar.
desconheço algumas palavras relacionais,internas a esse substantivo colectivo chamado família. não sou neta, nem mãe, nem sobrinha. aparte outras familiaridades que deixei de ser. os afectos inflaccionados tratei-os sempre por intimos, tão parecidos com elásticos invisiveis, inventados com a soberania do segredo, com a senha passe atrás dos óculos escuros. apesar desse minimalismo, sei por hábito as orbitas dos descentramentos e da rarefacção do eu, pelo habito do nomadismo de viajar aqui.
os atritos são cabos, na depuração do conceito.

My left foot #2

Faço resumos de novelas e compilo histórias macabras ouvidas em programas de televisão.
Envio à cobrança.

Se calhar é por isto que as pessoas se drogam...

Quero que o agora seja amanhã, que o presente doa depressa e o futuro passe a passado e que eu me lembre dele com carinho, mas de preferencia sem eu estar lá.

Mordidela de cão... (até ver)

No domingo, depois de uma discussão; eu quero, não, eu quero, não, eu quero, não..., a minha filha resolveu pendurar um cartaz na porta do quarto dela que dizia assim:
GRAVEYARD
HELP

Hum...até sei o porquê da associação mas, a coisa foi-se tornando um pouco mais trágica ao longo do dia e pareceu-me ver crescer um certo aproveitamento da parte dela para levar as palavras noutra direcção.
Apesar de atenta, resolvi não evidenciar a coisa, tentando levar para a brincadeira cada vez que ela ia até ao “cemitério” e fazia questão do anunciar bem alto.

Ontem, quando a fui buscar à escola, fui vestida um pouco mais à antiga eu; procurei as velhas botas Doc Martens, vesti-me de preto com umas calças já bastante investíveis e compus uma imagem adequada ao género.
Em silêncio, ela olhou-me mas não disse nada.
Quando chegámos a casa, perguntei-lhe novamente sobre o cartaz, ao que ela me respondeu sobre ser Dread e coisas no género.

Muito bem, se era para ser assim, então vamos lá comprar o conjunto todo, não devemos fazer as coisas por metade; vestia-a mal, pintei-lhe os olhos de preto, os lábios de roxo, cheguei à sala e procurei um cd dos marilyn manson. Meti a tocar o beautiful people em volume bastante alto e, toca de começar aos pulos à louca.

A miúda viu-se compelida a embarcar na ideia ao início mas, rapidamente, deixou de achar piada. Quando a música parou, sorriu e sorrateiramente foi para o quarto despir-se, pedindo depois umas toalhitas para limpar a cara. Eu fui para a cozinha começar a fazer o jantar. Quando dou por ela, estava à porta da cozinha, encostada na ombreira a olhar-me ainda espantada, com um sorriso meio interrogativo.
Espreitando disfarçadamente para a porta do seu quarto, vi o que cartaz desaparecera.

-Ó mãe, tu às vezes és um bocadinho esquisita, não és? Disse, vindo-se abraçar à minha cintura.
-Sou sim – respondi a sorrir.

(antes eu que tu, minha querida...)

5.12.05

Falta de solidariedade no Natal

A empresa até se esforçou e até patrocina um evento com alguma relevância junto das instituições de solidariedade social. E até pediu voluntários junto dos empregados para que se disponham a despender meio dia do seu tempo para ajudar na organização deste evento que por certo irá fazer felizes muitas crianças de parcos ou nenhuns recursos. E até à última da hora ainda não há voluntários suficientes… mas ali junto à máquina do café e lá fora na amena cavaqueira e pró vício do tabaco já vejo que há muitíssimos voluntários…

Fico um bocadinho triste… e espero muito que o evento não seja cancelado por falta de voluntários.

4.12.05

sobre o quê

O amor está no espaço entre as gargalhadas de cada um dos meus filhos. Quando os timbres se unem e quando desafinam.
Está no calor demasiado e no sabor amargo de beijos ensonados, pela manhã.
No cheiro de cabelos polvilhados com gotas de chuva.
Na luz que muda.

Bruxelas

Não gosto de couves de Bruxelas.
A Grande Place é pequena.
Sobra o Manneken-pis...

Pá, Cecília!!!

Onde está o post?
Eu tinha respondido, buááá...

86

Oitenta e seis contactos de messenger... e não está online ninguém que interesse para uma pessoa fazer, sei lá, um daqueles desabafos chatos como a porra! Arre que até nisso tenho azar. Chiça que só me apetece dizer caralhadas, mas este blog é familiar por isso expressões como caralho mais velho, cona da velha e puta que pariu têm o acesso vedado.

3.12.05

Sobre o amor

Amo o teu corpo agora, enquanto sangra e ainda mais quando deixar de sangrar. Nós e os nossos corpos envelhecem um com o outro.

E eu não digo que não percebo nada de política!

Prontos as usual e com a falta de tacto que me caracteriza parece que já meti a pata na poça! E vejo-me forçada a pedir desculpa ao nosso ex-leitor clitorino pedindo-lhe encarecidamente que deixe de ser ex! Pois não percebi que a Cecília até gostava dos seus comentários apimentados (e a bem dizer também eu!) E depois sim confesso que senti ciúmes! Esse sentimento monstro de olhos verdes… pois! Não faço greve de fome, nem guerrilhas nem motins mas perdi a cabeça e olhe… esqueça caro amigo! Volte sempre e seja bem vindo senão acho que a Cecília não mais me perdoará! :-P

Exactamente sobre política!

(Este é inspirado no nosso caro ex-leitor clitorino que andou aqui tanto tempo dependurado que pode ser que tenha aprendido alguma coisa, embora eu esteja em crer que não!)

Minhas senhoras pois que isto vos é dedicado uma vez que a grande e vastíssima maioria dos homens (ou pelo menos daqueles que nos lêem) não atingem! Imaginai portanto o seguinte cenário idilicamente imaginado pela imaginação fértil aqui de serviço e depois pensai lá se gostaríeis que isto vos acontecesse… estais claro livres de pensar ou até dizer, perdão, escrever, que isto tudo é uma grande treta fruto de uma mente de uma gaja frustrada e mal fodida… mas pelo menos façais o obséquio de me ler! Ai… mas deixai-me lá mudar o tempo verbal antes que isto corra mal que estou para aqui a usar um que é nem sei bem qual!!

Ora bem vamos lá à carne, ou por outra… ao bife!

Entra em cena o amigo Tó Manel. Ora o Tó Manel é daqueles gajos bem parecidos que foi por assim dizer bafejado pela sorte genética de os ter todos no sítio. Estou a falar dos músculos pois claro! Ó o que estáveis a pensar?! Em relação a isso aí já lá chegaremos! Pois o Tó Manel é um tipo bem parecido sim senhora. Ele até acha que dá ares do amigo Tom, daquele do filme dos aviões tais a ver? Aquele que o Zé Mário até tem uma fotografia da gaja das mamas que o fodia no filme lá pespegada na parede ao lado dos urinóis lá na oficina? Já sabeis qual é? Pois o Tó Manel é assim pra modos que um Tom Cruise em versão tuga. O homem até anda na moda e tudo que a Clarisse dali do cabeleireiro da esquina tem um fraquinho por ele e anda sempre a dizer-lhe o que ele deve usar para andar na moda. Ela compra aquelas revistas que ensinam o povo a vestir-se bem e depois mostra-lhe o que ele há-de comprar. E o Tó Manel até tem um fornecedor certo porque no caminho entre a sua modesta casinha e a oficina onde trabalha mora uma família de ciganos e ele é amigo do Pepito já há muitos anos. E o Pepito até vai a Espanha buscar o material e tudo. Olhando para a bela camisola Hilfiger e calça Diesel e até o sapatinho bota da Timberland, pois olha que ninguém diria que é de segunda, que é como quem diz que é igual à primeira mas não tem o selo oficial da marca e custa dez vezes menos que o nosso amigo Tó Manel é um trabalhador esforçado mas ganha mal e porcamente, mesmo fazendo horas extraordinárias a limpar os carros das donas de casas com maridos preguiçosos que os deixam lá num estado lastimável (os carros não os maridos entenda-se!)

O Tó Manel é um sucesso ali no bairro. Com um olho verde que não deixa as moças indiferentes, com um andar descontraído e despreocupado mas sabendo que está a ser avaliado, o nosso Tó Manel sonha com a noite de sábado. Pois é nessa e só nessa que ele se transforma no que sente que é a sua verdadeira essência. Pois fiquem sabendo que ele é o rei do sábado à noite ali na Brandoa e arredores! E olhem minhas amigas que não é coisa pouca porque há muita concorrência ali por aqueles lados! (Enfim, digo eu que infelizmente não sei onde fica essa tal de Brandoa mas pelo nome deve ser um sítio catita!) Pois chegando à noite o nosso Tó Manel enfia-se no seu fato Armani de 2ª (e que nem se nota nada!), camisinha branca de seda com o peitinho depilado à mostra (sim que a Clarisse o convenceu que assim ficava melhor e ela coitada lá ganha mais uns cobres a dar cabo dos excessos capilares do Tó Manel). E lá vai o nosso homem para a night! Gel no cabelinho espetado e curto (sim que cabelos compridos é prós larilas dos motoqueiros que entre as pernas só apanham mesmo as suas próprias motas!), e a barba tão bem feita que nem se nota que algum dia a teve. A Clarisse fez um bom trabalho e o Tó sente-se confiante. Esta é a sua noite de sorte! O seu corpinho bem tratado que não é para qualquer uma meter o dente ou sequer a pata, esta noite irá ter o que me merece ou não se chame ele António Manuel Jesus de todos os Santos!

Logo no bar da Maria coxa, pois que a pobre da mulher tem mesmo uma perna mais curta que outra e também ela helas tem um fraquinho pelo nosso menino, aparecem logo em cena as desesperadas do costume. Marias, Alices, Cecílias, Luísas, Isabéis, Marianas pois não está logo na cara o que estas senhoras pretendem dum tipo como o Tó Manel?! Chupam-no até ao tutano e só com um olhar! Suas vampiras de carne fresca de homem fresco! Ele é que sabe o que estas mulheres andam todas à procura mas ele pode dar-se ao luxo de seleccionar pois claro! Adiante para a disco night que é na pista que o Tó mais brilha. Sim que o Pepito ciganito amigo de longa data ensinou-o a dançar de tal forma que ele quase se julga aquele Joaquim espanhol que não é o Joaquim do talho embora esse também fale espanhol porque andou uns tempos escondido do lado de lá da fronteira por causa de uns dinheiros mal parados que sem ele saber como foram parar lá à câmara frigorifica do talho dentro duma carcaça dum belo porco, e que desperdício de carne que foi aquele… mas já estou a divagar!

Vamos lá voltar à vaca fria, ou ao belo porco ou lá qual era a carne de que eu estava a falar! O Tó na pista é mesmo um ás e as senhoras que o seguem para todo o lado não podem deixar de imaginar como será este belo espécime na cama uma vez que os movimentos requeridos parecem estar todos lá! Tem ritmo sim senhora… agora até fiquei aqui um bocado embasbacada a visualizar os rodopios de quem sabe o que está a fazer com os pés e as pernas e as mãos e os braços e o resto do corpo todo.

Aparece então uma moça jeitosa que se senta discretamente na ponta do bar. O Tó de tão habituado que está à fauna daquelas paragens fica logo de antena no ar… Carne nova, sangue fresco! Quem será a bela moça que acabou agora de entrar. Muito discreta, bonita mas não excessivamente e sobretudo com um ar inteligente. Sim porque o Tó pode não ter grandes estudos mas gosta de falar com quem sabe dar troco. Para louras burras tinha a Clarisse ali do cabeleireiro com a vantagem que deixava de ter que pagar a depilação do peito e das pernas que lhe custa horrores (e suores quentes e frios também!)

Maria de seu nome (e lá poderia ser outra coisa, afinal somos ou não somos todas Marias?!) não se sentia demasiado à vontade ali. Não era noctívaga por natureza e só recentemente tinha cedido às pressões da mãe que já via a sua vida de futura avó a andar para trás por falta de candidato a progenitor do seu futuro neto. Maria sentada no bar a bebericar um martini dry (confesso que nem sei bem o que é, mas soou-me bem!) enquanto o Tó fazia as suas maravilhas na pista de dança. Até que cansado decidiu avançar. Perguntou a Maria se podia sentar-se ali ao lado e ela aceitou. O homem não a deixava indiferente, tinha um ar de qualquer coisa mais do que o resto da gente. Lembrava-lhe alguém mas ela não se recordava bem (ai tamos mal que a gaja não deve ter visto o Top Gun! Até parece mal!) O Tó pediu uma cerveja porque gostava de se manter na bebida ligeira. Porque precisava de se manter claro e coerente pró que desse e viesse. Depois de cumprimentados e mais ou menos introduzidos, Maria deixou-se levar pela conversa surpreendentemente diferente do Tó Manel. Lá as leituras das revistas que não eram as do Zé Mário mas das donas de casa que as deixavam nos carros que os maridos não limpavam, pois essas revistas tinham muita informação que ajudava o Tó a ter uma outra percepção da vida e do mundo! Conversa puxa conversa e o Tó lá ia dizendo que se sentia muito só e incompreendido. Que por azar pai e mãe tinham-lhe morrido e ele coitado teve que se agarrar à primeira oportunidade para se desenrascar na vida. E um vago padrinho tinha-o convidado para ir trabalhar lá para a oficina apesar dele achar que poderia ter sido muito mais. E olhai que um homem admitir que gostaria de ter sido muito mais do que é… olhai que é preciso tê-los no sítio! E agora tava mesmo a falar dos tomates! E o gajo era sincero quando dizia isto. Fosse pelo que fosse a verdade é que o tipo caiu nas graças dela. Depois de uns quantos martinis e de umas quantas cervejas já eram só olhinhos, os dele nos dela e vice-versa. A coisa estava a aquecer portanto.

Concordaram em mover-se para o apartamento dela até porque o Tó partilhava o sítio dele com o Zé Mário lá da oficina. Chegaram e consumaram o que os olhos de um e outro já pediam há umas horas. Ele até que não era mau amante. Deixou-se levar sem pressas e assegurou-se do orgasmo dela antes de se deixar levar ele pela tensão que sentia a crescer dentro de si (mas para dentro do preservativo que o Tó era tão respeitador da intimidade como da higiene dos outros). Ficou tão fascinado o Tó pela Maria dos olhos grandes e doces que lhe perguntou se podiam ver-se outra vez. Mas ela já saciada e achando que desta ainda não era de vez virou-se pra ele e disse-lhe: “Olha meu caro amigo… azar! Uma boa foda não faz uma boa relação!... Passasses muito bem e olha… nem penses em mandar postais que eu não vou ter tempo para os ler!”

2.12.05

E quando...

... deixamos de comandar a nossa vida, estamos dependentes de tudo e todos, nos sentimos presos e angustiados e as lágrimas insistem em permanecer ali, mesmo por baixo das pálpebras inferiores a fazerem uma força enorme para sair e nós, insistimos ignorar a sua presença, num fingimento continuo que estamos tão bem e tão felizes?...

O manicómio sai à rua...

...nos dias em que o teu corpo não pára de me procurar; insistes em que eu seja língua da tua boca, sangue espesso do teu pulsar, palma linhada da tua mão.
Prometes-me uma só vontade, eu peço-te um longo entardecer.

não exactamente sobre política

Olhando um sistema do qual nada percebo, distingo duas características, à direita e à esquerda. A primeira é o cinismo, a segunda a ingenuidade. Na conjugação da raiz de cada uma, há outro vector. Seta cravada na bissectriz entre ambas, é uma ferida aberta que já não sangra, amálgama do reconhecimento profundo e desencantado da realidade e de um voluntarismo na aproximação à utopia. Uma forma doída de felicidade, tocada pela melancolia.Talvez o caminho da lucidez.

não me digas

que não acreditas no natal?, anda cá, que eu faço-te mudar de ideias: por hoje, só por hoje, serei uma espécie de mãe-natal ou de duende só teu, brincalhão e às ordens, perfilada na tua linha de montagem; vou oferecer-me-te, chegada indágora dos confins do pólo norte, meia zonza que estou com os efeitos do jet lag e desconchavada por dentro com os solavancos do trenó: precisada de uma massagem. Gostas da minha tanga?, encarnada, com estas estrelinhas prateadas, brilhantes, a indicarem-te o caminho, a dizerem-te por onde seguir, como se fosses um rei mago à procura de uma gruta especialmente iluminada. Anda, que eu explico-te como se faz: dá-me a tua mão que eu guio-te pelo meu deserto arenoso e quente, não tenhas medo, o natal é bonito, é época de paz e de amor, os corpos e os espíritos roçam-se uns nos outros e há uma magia no ar, no chão ou lá onde é, que nos abre as bocas de espasmo e de espanto; hoje, tudo é diferente, acredita. Gostas do meu sutiã novo? Vem, toca-o, toca-me: tive o cuidado de escolher um de mola fácil, rápida no desaperto, para que não percamos tempo (tempo em falta, toques em débito: aqui são mais oito horas que lá). Cuidado com estes adornos brancos de pele falsa que se prendem às alças, não me agarres com tanta força os ombros, não ainda. Depois. E o cinto, já reparaste no meu cinto? Largo, preto, mesmo como o do Pai Natal (sim, sei: fantasia barata de carnaval, suspiro-me ao ouvido), ocupa-me a cintura toda e combina com estas botas, vês?, altas, pretas, de verniz: com treze centímetros de salto fico quase mais alta que tu, não conseguirei ajoelhar-me em condições, caso me dê para rezar (e eu hoje estou cá com uma fé). Não consegues desapertar-mo?, é fácil: não tremas as mãos, aperta um bocadinho de mais, eu sustenho a respiração, depois soltas os ilhozes. Podes prender-me a cintura, se assim te der mais jeito, agarrares-me por trás para que eu não balance; ou, então, eu dispo o resto sozinha. Espera!, faço-te um strip ao som do que estamos a ouvir, o santa claus is coming to town, melhor, uma table dance, queres? Bem me parecia.Tira-me esse triste peru de cima da mesa, levanta-me a toalha brocada e atira-a aí para um canto, guarda-me os cristais no louceiro, para que não se partam as memórias de família, acende as velas - as compridas, as mais compridas, que estão no centro do centro de mesa -, dá-mas e eu mostro-te como é que é. Vais passar a acreditar fervorosamente no Natal e a achar que melhor época não existe, isso te garanto.

No próximo ano, em Outubro, e já só pensas nas decorações.

Odeio o Natal...

... e o fim de ano e todas essas tretas de supostas festas de família feliz (como um prato chinês).
Já sei que arrisco que a "comandanta" deste esquadrão anónimo me expulse. Ela e os seu jingale béles e luzes e pinheirinhos. Mais o estupor do pai natal de barba falsa e oh oh oh's irritantes! e as prendinhas que cada um compra, mais os lacinhos e toda a gente a ver quem gastou mais. A merdinha do "não rasgues o papel para se aproveitar para o ano que vem" e o "obrigadinha pelas peúgas, e as cuecas e a merda dos sabonetes em forma de rosa".
Oh oh oh! jingale béle, jingale béle! às 22 já são 24 e plim plim plim, que giros que nós estamos e onde está a fulana? foi enfiar-se de birra na cama! Bah! sempre a mesma coisa, ora que porra! Tragam mas é mais uma fatia de bolo rainha e cinco ou seis cálices de vinho do porto para ver se esta merda anima.

Engineer’s Log Entry #75243

Esta noite voltou a haver uma tempestade inter-estrelar. O comandante deu ordens para ninguém abandonar o seu lugar. A nave esteve bastante instável e os campos magnéticos foram abaixo algumas vezes causando mal estares de variada ordem entre a tripulação. A nave foi atacada por nano-fotões-termo-virais aos quais não estava preparada para responder adequadamente. Alguns desses radicais livres penetraram o seu escudo até aí inviolável e causaram estragos na maquinaria da minha responsabilidade. Estranhei ver os meus instrumentos a falharam assim, com estalidos e pequenas explosões estridentes. Às 600 horas a nave guinou irremediavelmente para a esquerda. Os estabilizadores altitudinais deram finalmente de si. O comandante ligou para a casa das máquinas e exigiu que eu os reparasse within the hour. Mas sem luz e sem instrumentos quedei-me ali muda a ver os sinais vitais da nave a diminuírem de hora para hora. Os gritos incessantes do comandante tornaram-se cada vez mais longínquos até passarem a ser apenas estática.

E eu fiquei ali a olhar para o espaço inter-galáctico e para o buraco negro que sugava a nave já sem energia. “This is Major Tom to Ground Control… I’m feeling very still… I think my spaceship knows which way to go… Tell my wife I love her very much she knows…

Over and Out.

1.12.05

Morte

Da trilogia Sexo, Amor e Morte ontem foi esta última que me escolheu como vítima de um sonho que não o chegou sequer a ser porque não cheguei a adormecer. Visiono muitas vezes a minha Morte (e chego a sonhar com Ela também). Eu não tenho medo de morrer apesar de intrinsecamente e como todos os seres humanos ou mesmo como todos os seres vivos não querer morrer. Este estado actual em que me encontro é o único que conheço e não sei o que haverá depois da Morte. Tenho uma enorme curiosidade em relação à Morte e mais especificamente em relação à decomposição do invólucro que me compõe.

Ontem sonhei que me estava a desfazer aos bocadinhos… primeiro começavam a saltar as unhas depois a pele em pequenos quadradinhos como se fossem flocos de neve… depois os bocados de carne vermelha e ensanguentada. Foi tão real a visão que até senti o cheiro nauseabundo do sangue que jorrava à medida que os bocados de carne se iam desprendendo de mim. Não tive medo daquela visão. Fiquei ali a olhar com a curiosidade mórbida de quem quer perceber o que se passa quando tudo acaba. Ontem acabei comigo assim… arrancando bocados de carne e músculo e gordura e intestinos e vísceras até só restarem os ossos. Brancos, estilhaçados, fragilizados pelas quedas e tombos grandes da Vida. Bastou um pequeno toque e os ossos estalados desfizeram-se em pó no meio duma nuvem de fumo.

Depois ficou só a caveira sem nada lá dentro a não ser duas bolas reluzentes. Duas bolas de bilhar. Dois números de Azar. Nem na Morte tive Sorte...

Devia ter sido ontem, mas ontem não tive tempo. No entanto este blog é tão sensível às efemérides como qualquer outro

Era adolescente. Ouvi o meu pai a ler, enlevado, um poema de Fernando Pessoa à minha irmã mais velha e gostei das palavras. Não recordo o poema, sei que tinha o menino Jesus pelo meio.
O livro estava numa das prateleiras mais altas da estante e, uns dias depois, pedi ao meu pai autorização para o ler (geralmente não era preciso, mas eu tinha percebido que aquele era especial). O meu pai disse-me que não, que eu era muito pequena e que poesia não era o meu género.
Por conseguinte tive que esperar um dia em que fiquei sózinha em casa. Subi ao sofá e peguei no livro com cuidado. Durante aquela tarde fui lendo, abrindo páginas ao acaso, optando por textos que sentisse que me pertenciam. Ouvia, em alguns, a voz do meu pai e, noutros, a minha voz a dizer – com alguma perplexidade – as palavras lidas.
Depois disso nunca fui grande leitora de Fernando Pessoa, para lá da visita ocasional. Leio poesia, mas as minhas escolhas incidem, preponderantemente, em outros poetas. Porém, Fernando Pessoa foi a primeira poesia que eu amei.

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