2.1.06

Homens Espertos e Fascinantes da Blogoesfera




( Madonna e Isabella Rossellini, by Steven Meisel)


Muitas vezes, interrogo-me sobre os rostos (e o resto) por detrás dos bloggers. Dos, não das: é me indiferente, quem elas são; eles, o que escondem sob o que aparentam, é que me fascina - numa perspectiva meramente sexual e sexista, claro.

Dos vários requisitos para o exercício deste fascínio muito pouco cândido (embora com o seu quê de candid camera), o mais importante é, por um lado, ser muito bom (de preferência, genial) a qualquer coisa, mas, por outro, não ser um totó que descambe, nem para a arrogância, nem para a auto-comiseração (dois extremos que se tocam e igualmente insuportáveis).

Porque, vejamos. Blogue é coisa de gaja, já se sabe, é conversa de cabeleireiro, manifestação de histeria, diário de adolescente. Quando esbarro num blogger que me soa a esperto, quiçá, papável e que, para mais, não dá erros de ortografia, hummmm.....torço logo o nariz. A não ser assumidamente bicha (um sub-género patético do género gay) pressuponho que tenha, ao menos, um lado predominantemente feminino, o que é uma grande seca (para fêmea, basto eu).

Não haveria grande problema na inclinação sexual do blogger em questão, não fora eu andar aqui para me deixar levar pela imaginação e pelos dedos, para inventar à força toda e para confabular cenários improváveis - para me apaixonar, em suma. E, embora me apaixone, de quando em vez, independentemente do sexo, quando mergulho no domínio puro e duro da fantasia, prefiro, decididamente, os homens.

Tenho relações de paixão com amigas minhas (como dizia outro dia a um amigo, por quem, por acaso, até me apaixonei em tempos), mas convenhamos que é diferente: o amor (possessivo, doentio, até) que temos pelas nossas amigas, é algo que se vai construindo ao longo de muito buço rapado, muita hora ao telefone e toneladas de chá com torradas.

Com os homens, é outra loiça: posso nunca os ter visto mais gordos e, toma!, dou por mim caidinha por eles (um de cada vez, calma!). Ainda por cima tenho uma sorte de euromilhões: nunca me aconteceu, um macho fascinante - na escrita, na sabedoria, na estética - revelar-se um totó de primeira apanha, um anormal que se ria aos arranques ou um cromo que não saiba o que fazer com as mãos (que os há).

É claro que, quando temos a oportunidade de confirmar as nossas suspeitas, é fodido: gajo fascinante que se nos apresente em carne e osso, dá vontade de guardar na malinha de mão (quiçá aconchegá-lo no compartimento da maquilhagem), levar para casa, acarinhar e colocar em exposição ao lado dos restantes ex-fascinantes e do eventual marido (o mais fascinante de todos e que deve ocupar lugar de destaque - caso contrário, para quê o casamento, em havendo hoje em dia tantos pequenos domésticos?).

Eu, por exemplo, estou praticamente apaixonada por certo blogger e tenho uma razoável vontade de o meter no bolso, de o trazer comigo e de brincar com ele a meio das refeições, tipo carrinho do noddy ou action man. Não o conheço que não do seu blogue, mas garanto-vos que só pode ser encantador, atendendo aos seus pontos de vista e aos seus pontos e vírgulas, e a outros pormenores que aqui não revelo, não vão vocês (ou pior ainda: ele) ficar a saber quem é - que isto é um antro de cabeleireiras cuscas (em especial, os homens, esses grandes coscuvilheiros).

Não faço a mínima se ele, o objecto da minha paixão actual pouco platónica, é um adónis ou uma excrescência mal-acabada, se é um puto, um quarentão ou um potentado geriátrico (até pode ser uma mulher, que deus me livre!) e, em sendo qualquer uma destas coisas, vejam lá, não me importo. Porque eu tenho e a é uma coisa muito bonita: eu acredito que um homem (é um homem!) como ele, só pode ser verdadeiramente encantador em pessoa, só pode. Tanto, que lhe sinto a falta se não o pressinto no ecrã, se lhe adivinho as ausências (é a posse, estão a ver? a posse, que sempre chega paredes meias com a paixão).

Não que o físico não seja importante iadaiadaiada, mas todos sabemos que uma gigantesca avalanche de tesão, uma derrocada de excitação corporalmente fluida, pode ter origem num nariz adunco, nuns dentes tortos, num olhar estrábico ou numa careca luzidia. A mesma imperfeição que repugna quem não está a ver boi da pessoa que nos seduz, pode elevar-nos a píncaros de gozo, em sabendo nós do que a casa gasta. O dom do engate perfeito encontra-se acessível só a alguns, muito poucos, que, além de maravilhosos, sabem funcionar naquele limbo que é a quase falsa modéstia de quem parece não se saber melhor do que os outros e doesn´t give a fucking damn.

Por isso, homens espertos e fascinantes da blogoesfera, essa minoria escondida algures por aí, carregada de pintarola e de personalidade, cuidado que ando à solta e, ao contrário do outro eu (o verdadeiro), este meu alter-ego vem equipado de série com airbags insuflados de paciência e um faro de cão (para aí de um basset hound, vá).

Assim sendo, um excelente 2006 para eles, para todos os homens espertos e fascinantes da blogoesfera em geral e para um deles, em particular. I´m coming.

(...)

(é no que dá, escrever sobre estes assuntos).



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