17.1.06

Mestra de culinária

A homenzada é muito dada à cozinha. Gostam do tacho, da colher de pau e da prateleira das especiarias...!
Sabendo isto, e ciente de que a nossa clientela habitual manifesta grande motivação para a aprendizagem, resolvi pronunciar-me, hoje, sobre questões de culinária, na qual sou exímia.
Peço desculpa às colegas e leitoras, mas a informação que aqui encontrarão é do nosso mais ordinário conhecimento. Todavia, para a homenzada que se dedica à cozinha com um estatuto ainda amador, há que proporcionar uma educação básica: os principiozinhos sobre os quais assenta a construção de uma vraie cuisine que possa satisfazer o nosso exigente paladar!

Caros leitores, para facilitar este processo, e colher a vossa atenção sempre tão distraível, recorro à analogia que sei estimular maximamente o vosso sistema nervoso central e periférico: nada se assemelha mais que sexo e cozinha!
Por exemplo, vejamos as favas. Podem ser o maior petisco ou um verdadeiro barrete gastronómico: tudo depende da mão do cozinheiro(a). Eu, que detesto favas, se mas fizerem a preceito, marcham!
A mim, infelizmente, os cozinheiros têm-me saído mauzitos ao fogão, por isso me preocupo em ensinar-vos a manusear os apetrechos, a dosear, calcular tempos de cozedura... Nunca se sabe!

O pior defeito de um cozinheiro é a pressa.
Nada de pressas. O lume acende-se devagar e a cozedura deve ser lenta.
A colher de pau é um instrumento bastante sólido que, mal usado, pode causar dano nos ingredientes. Uma colher de pau serve para mexer lenta, mas não constantemente. Mexe, deixa apurar um pouco (não faz mal que a colher fique pousada dentro do tacho!), mexe, pára. Vai-se provando de sal. Passa-se o dedo pela borda do tacho, uma e outra vez. As papilas gustativas não enganam, e a prova é obrigatória

Outro defeito que o cozinheiro deve evitar, consiste na avaliação da qualidade do tubérculo segundo o tamanho. A cenoura mais pequena e tenra, desde já vos digo, é bastas vezes a mais deliciosa. Tal como o tomate e a batata: os sabores encontram-se mais concentrados, e o tamanho permite inúmeras e variadas utilizações. Já encontrei à venda cenouras maiores que os tachos: rejeitei-as liminarmente. Mesmo cortadas, são verdadeiros bacamartes de difícil culinária. Se o legume ou o tubérculo excede o tacho, não coze decentemente e atrapalha. E, como se sabe, em tachos muito atulhados, fica a comida encruada. Portanto, não recear o menor tamanho dos hortícolas. Usá-los muito e usá-los bem, sempre lavados e fresquinhos.

Não hesitem em colocar-me qualquer dúvida que estes primeiros conselhos de cozinha vos possam suscitar.
Aqui no convento somos muito dadas à marmelada, à pessegada, e doces que tais, mas que não se iludam: mulher que é doceira não se nega à saladeira!


Cenouras: escolha-as sempre tenras e fresquinhas. As maiores são duras e de difícil cozedura.
Não importa o aspecto, mas o petisco que se pode fazer com elas.

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