23.2.06

Da utilidade da cadeira de rodas da Irmã Lúcia

A nossa querida irmãzinha Lúcia viveu no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, terra de enormes belezas conservadoras, ortodoxas e outros maravilhosos conceitos acabados em -ade, como infidelidade, filha-da-putade, sacanade... (ouço na televisão aqui do convento, que eu não conheço este vocabulário, senhoras, não conheço!)
Ora, o quartinho da nossa irmã Lúcia mantém-se no Carmelo tal e qual, tal e qual, deusas nos valham: a cama de ferro, a almofada, o rosário, a mesa com a estátua da senhora em tamanho gigante sobre uma toalha de cetim e renda, o Cristo cruxificado, por todo o lado, uma ovelhinha branca de brinquedo, e uma cadeira de rodas. A santa cadeira que a transportou. Tudo em exposição. E eu estava aqui a pensar em escrever à madre superiora do Carmelo de Santa Teresa, e perguntar se não se importaria de emprestar a cadeirinha da santa-quase-canonizada, a uma senhora de idade que mora na rua do nosso convento, e que vive com uma reforma de 230 euros, e que não sai à rua porque não tem dinheiro para remédios, quando mais para cadeiras de rodas.
Pensei eu.

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