8.2.06

Os rapazes que vêm ao buraquinho das meninas

Nós, aqui no convento, temos um acesso limitado à internet. Já se sabe, oramos de manhã à noite, temos a horta, as barrigas de freira, os lavores para a obra do senhor (tricot para as ceroulas do senhor padre Tolentino, e outros, que a senhora que tratava dele pôs-lhes os cornos e foi-se na alheta - antigamente era outra coisa - a senhora dum cura era a senhora dum cura até que a morte os separasse)...
Uma vida monótona, sempre de joelhos...
O meu ai-Jesus são estes momentinhos em que aqui posso vir contactar o mundo real, de fugida, fazendo de conta que investigo, no Google, novas orações e a vida dos santos. Que a madre superiora não sonhe!
Gosto muito dos rapazes tão educados que aqui vêm, sem segundas intenções, sempre com os olhos postos no triângulo sagrado. O que sonhava tê-los na minha fria cela, a discutir teologia, a rezar em conjunto, como irmãos. Porque os rapazes que aqui vêm ao buraquinho da meninas, vê-se que saíram das melhores escolas cristãs: pecado-castigo-confissão-absolvição. O treino que eles têm!
E pronto, agora que desabafei este casto pensamento, vou já para a minha cela despir o hábito e vestir a camisa de flanela com as botas de tricot, que está um frio danado e se me enrijecem os mamilos.
As senhoras fiquem convosco.



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