22.3.06

Os animais de laboratório assassinados todos os dias

Li esta notícia do DN de sábado passado: oito voluntários serviram de cobaias para teste de um medicamento novo contra a artritre reumatóide e a leucemia, em Londres. A dois foram administrados placebos, e nada lhes aconteceu. Os restantes seis caíram em colapso, à vez, sendo que dois continuam internados em estado muito grave. Tanto a artrite reumatóide como a leucemia são doenças gravíssimas e incuráveis, portanto, não se pode imaginar que fosse um medicamento inócuo. Os voluntários estariam informados do que testavam? Talvez não, até porque o conhecimento do que tomavam poderia influenciar o resultado dos testes. Mas saberiam, com certeza, que, para correr esse risco, lhes estavam a pagar cerca de 3000 euros. Portanto, deduzo que tenham aceite vender a possibilidade de arruinar a sua saúde por 3000 euros.
São estudantes e pessoas em carência, precisam do dinheiro. Aceito este argumento. Coloco a hipótese de eu própria ser voluntária para uma coisa destas. Quando é necessário sobreviver, arrisca-se tudo, até a morte. Custa-me é aceitar que os visados, ou a família, possam reclamar de outra coisa, agora, que não seja o preço excessivamente barato a que venderam a própria saúde. Convenhamos, 600 contos foi coisa pouca, foi barato.
Os laboratórios vão ter, a partir de agora, problemas para arranjar voluntários, diz-se. Não vão. Há sempre desgraçados dispostos a vender a vida por pouco dinheiro.
Quanto aos animais de laboratório, esses, sofrem sem reclamação, sem assistência. Abatem-se longe dos nossos olhos e ninguém pensa nisso.


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