27.7.06

porque posso

"Tantos akas e nicks quantos os estados de espírito, os registos vocais, as perspectivas psicológicas, a humidade na atmosfera ou o alinhamento dos astros. Brincar às identidades secretas, aos espiões e aos escritores, porque sim. Fingir que finjo e ser quase sempre eu, sarcástica e desbragada, predominantemente alegre. Fiel. Canina. Cadela. Sobre vinha vindimada, quando presumem que me expõem. Saber segredos de estado, desvendar vacuidades e contar coisas que nunca houveram, o contrário dos dias. Aqui, no recreio, no intervalo das importâncias, ser puta culta que gasta passeios, amante enjeitada ou freira, de tristeza alcoforada entre grades, porque não? Mãe por acaso, por um acaso feliz. Incerta. Ser casta ou pornográfica, o que me der na gana, porque sou mulher e tenho cio e recato e, quando não tenho, invento. Isso, é isso: gente, bichos e cinema no sofá, uma escrita tremida ao som de pirosices latinas, ancas largas, decotes fundos e saltos altos, desmesurados. Uma timidez disfarçada. Riso dependurado que tropeça em escadas e erros à escuta, de prevenção. Porque me apetece, porque sou livre de o fazer (de o mostrar, de o esconder). Onde e quando. O corpo inteiro ou meia boca. Um olho. E é assim, de simples."


Vieira do Mar

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