8.9.06

Do sadismo

"Vou castigá-la. Aprenderá pela força, como um cavalo que se quer domesticar. Vou deixá-la passar fome, e quando lhe puser na malga 3 grãos de ração...
É a minha melhor aquisição, a que mais estimo, por isso vai sofrer. Vou domesticá-la. Oh, como é impaciente! Como é selvagem! Que exemplar! Que vitória tão grande sobre a natureza, fazê-la esperar, domesticá-la, tê-la na mão. Imperar sobre.
Vai sofrer. Não me custa que sofra. Tem de sofrer para quebrar, como um combatente. Ela tem de sofrer. Castigo-a. Ela sofre. Que importância tem que ela sofra? É para o melhor! Far-lhe-á bem. Sairá enobrecida, lavada da dor.
Ela não conhece a dor. Ela não conhece a dor. Por isso, sofrerá.
E a mim, o que pode custar-me encerrá-la na minha ausência, no meu silêncio? É a dor dela, não a minha!
Contemplo-a de fora, inquieta, confusa, pedindo.
Oh, não faz mal. Ela tem que aprender! E agradecer-me-á depois. Serei seu mestre, seu guia. Não lhe darei...
A dor dos outros não vale nada. A dor não vale nada. Ela tem de perceber."


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