2.9.06

kames!

Nas férias, costumamos ir ao engano de nós mesmos, como se o empanturrarmo-nos de prazeres vários nos reduzisse a uma escala infantil e nos convencêssemos de que poderíamos viver sempre assim, a fugir ao capitão gancho e aos crocodilos. Demasiados risottos, vinhos brancos e tintos, imperiais, ceias e conversas a meio da noite, lanches e mergulhos a meio da tarde, e sexo a meio de tudo (daquele escorregadio, em que os corpos derrapam gentilmente um no outro, de tão molhados que estão do efeito de estufa). Trazem, ainda, a ilusão de que a vida é um carrocel de feira, de tanto e de tudo o que nos permitimos: brincadeiras indecentes, algodão doce, gelados olá, pipocas, bicicletas sem capacete, joelhos esfolados, bebedeiras disfarçadas, vozes desafinadas, revistas foleiras e música pimba. Nas férias, o anacronismo da felicidade absurda que nos deixamos sentir é tal, que nos permite alcançar estádios de suprema beatude, como aquela noite em que os miúdos me relembraram do kames. O kames, estão a ver?! Não, a sério: do king, sei que se lembram, mas do kames, o dos sinais combinados, o ícone dos serões sem MTV dos anos oitenta?! Ah... Sensação engraçada, esta, quando o passado nos aterra no presente pelas mãos do nosso futuro.

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