23.11.06

«Os valores, a realidade, as pessoas, a ideia de um País»

Ségolène Royal (Photothèque Région Poitou-Charentes)


"Importam os valores, a realidade, as pessoas, uma ideia de França": Ségolène Royal convenceu, por agora, o PS francês, com um estribilho que apela ao que sentimos faltar à nossa volta. Não explicou muito mais. Não sabemos que valores. E eu tenho medo! Não sabemos que ideia de França. E eu tenho muito medo das ideias que os países fazem de si mesmos! Mas Ségolène tem tudo a seu favor; um nome musical, um belo sorriso, elegância.
Ser mulher, neste caso, e o facto da França, e do mundo inteiro precisarem de ver algo mudar, efectivamente, contaram, desta vez, a favor. A Imprensa francesa admite que ajudou.
Também estou convencida que José Sócrates ganhou as últimas legislativas por uma certa vantagem de elegância, que não a do seu discurso. E o meu medo começa aqui: Ségolène mostra-se tendencialmente centrista, mas não vai ser um Sócrates no feminino, pois não?
Queria que os valores e as ideias de Ségolène para as pessoas, o País, a realidade fossem os de uma certa ideia de esquerda humanista de que tenho saudades, de que precisamos muito para conseguir respirar outra vez fora da caixa de aço da Ordem do Cifrão, e sermos capazes de nos voltar a olhar mutuamente como concidadãos, não como inimigos que se imaginam, invejam, roubam favores e privilégios, desconfiando todos de todos, promovendo o ódio generalizado ao outro, como estratégia de isolamento de cada um.
Se... talvez Ségolène pudesse mudar a França, e se... talvez mudasse a França, meu Deus, quem sabe, talvez fosse possível mudar... o mundo?
Eu gostaria muito.


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