31.1.06

"QUERIAM NEVE E EU DEI-VOS NEVE"

Aquilo da neve foi tudo uma grande palhaçada e a mim bem me tinha parecido que uma coisa assim, a meio de um Domingo comum, não seria bênção dos céus.
Cheirou-me a esturro logo que ouvi falar em tanta neve por tanto Portugal fora. Quer dizer, não era dia de semana, não era de noite, não era Setembro. Não. Era Domingo, era de dia e era Janeiro. A conjugação perfeita para Portugal parar, sorrir e sentir-se mais como o resto da Europa. Sem outra forma de aproximação, não esteve nada mal lembrado, não senhor!

Nevou por todo o lado.
Até na praia!
E ninguém percebeu que era tudo forjado?
Ninguém viu os aviõezinhos a lançar os flocos? Ninguém?!
Eu vi!
(É que como aqui na terra não havia sequer nuvens, lançar flocos daria uma bandeira do além! Entretive-me a vê-los, aos aviõezinhos, passarem para trás e para a frente. Aterravam, carregavam, levantavam, nevavam. Foi assim durante quase todo o dia. Eram os mesmos aviões que por aqui andavam no verão a deitar água nos fogos. Agora, sem fogos para apagar, nada como inebriarem-nos as decepções com flocos de neve).

Na desconfiança, e a achar estranho tanto movimento aéreo, rumei à serra para ver a tal neve. Et voilá! Qual neve qual carapuça! Ou a neve cheira a nestum de arroz?

À noite liguei-lhe.
- Então engenheiro! Bela manobra!
- Ah pois é! Três anos e meio não é muito para pré campanha e disto ninguém se vai esquecer. Já me estou a ver a discursar: “ …e naquele domingo enfadonho em que nada mais alegrava Portugal, eu, eu!, eu dei-vos a neve!”.

o amor

Durante muito tempo tive a ambição de um dia viver no campo, tratar de um pomar e de uma vinha.
Olhou-o. Ele abriu mais os olhos e, num aceno de cabeça, o seu rosto interrogou-a, mudo.
Não te conhecia esse sonho, foi a explicação.
Eu já existia antes de te conhecer, respondeu (num tom levemente sarcástico).
Eu sei. Só digo que nunca mo contaste.

Durante o brevíssimo silêncio que se seguiu, ela constatou que ele lhe dizia muitas vezes que ou ela mudava muito ou havia sempre camadas novas por descobrir. Ele, tinha acabado de romper, po um instante, a opacidade já espessa da completa previsibilidade.
Era aí que devia residir o amor, pensou. O mistério prescrutado no outro nunca estivera em cada um deles, mas nessa entidade estranha a ambos.

O meu ex é normal?

O meu ex telefona-me para dizer que tem saudades dos meus abraços e dos meus beijos e do meu cheiro e da minha pele e de qualquer outra coisa que agora me escapa. Não é que queira vir recebê-los, é só para que eu saiba que ele tem saudades. E, também, para saber se podia matá-las, caso quisesse.
O meu ex, quando não lhe ligo a ponta de um corno durante semanas, enche-me a caixa de mensagens a perguntar se ainda o amo; mas o meu ex, quando tomo a iniciativa de lhe telefonar para saber se está benzinho, responde que anda muito stressado e não tem tempo para falar comigo.

A minha família é normal?

A minha mãe telefona-me quatro vezes por dia. A primeira, para saber se estou bem e se vou lá almoçar; a segunda, para perguntar o que quero para almoçar e lembrar-me que vá à farmácia comprar-lhe duas caixs de Ben-U-Ron 500 mgs, porque o de 1 grama não resulta tão bem; a terceira, para confirmar a que horas vou almoçar, e reclamar que a televisão está muito encarniçada; a quarta, para me convidar para o almoço no dia seguinte... às vezes há uma quinta vez. E uma sexta.

30.1.06

(outras) consequências da falta de sexo

Ao fim de duas semanas tenho a testa toda escarafunchosa, cheia de borbulhas.

Retrato anónimo

Às vezes dá por ela a imaginá-lo morto e enterrado e ela viúva, com os filhos para criar.
Ou imagina-o a fugir, sem malas e sem roupa, deixando apenas um bilhete

"gosto de ti mas a minha paciência acabou"

Ela sorri enquanto pensa; e pensa que viveria sem ele. O que sobrevive agora, viveria depois.

29.1.06

Ordem nisto, ó table dancers!

Este blog não se escreve sozinho, minhas senhoras! Acredito que entre o Sporting (olé!), a miséria do Benfica (taditos, taditos...) e mais a neve e as compras, a coisa fique assim para último, mas amanhã é segunda feira, vamo lá a ver se escrevemos qualquer coisa, hein?

ass: a chefa.

Adenda: não foi lá muito amável pois não? (És uma bruta, filha!) Ora então aqui um sorrisinho e mais um ófaxavor e um équesãoasminhasmailindasdetodas e um postinhozinho, custa nada, válááááááá....! Senão ainda escrevo eu e eu NÃO POSSO AQUI ESCREVER POSTS, SABEM MUITO BEM!

28.1.06

meninas

Este FDS, que tal uma table dance para os vossos gajos

(ou mesmo para os gajos das outras)?




Então, esta é A MÚSICA.



Etta James, I Just Wanna Make Love To You

(sucesso garantido, em especial para os que

habitualmente não fodem nem saem de cima)


P.S. Gosto taaanto daquela parte em que ela diz que lhe só lhe quer cozer o pão para o ter bem alimentadinho... (nesta altura, rodamos no pole)

27.1.06

Eles andam aí

ou
isto aconteceu-me porque eu mereço.

Acabadinho de sair do forno o post imediatamente abaixo deste, pego numa agenda cultural que aqui tenho dentro da carteira e procuro alguma coisa que me possa distrair. Verifico que a "casa da musica" tem uma boa proposta e decido tentar o site.
Para poder comprar bilhetes, sou convidada a registar-me. Mais um registosinho, mais uma vez eu escarrapachadinha na web, mas enfim, já este mundo e o outro tem o numero do meu telefone, de certeza, tal é o número de vezes que fui convidada a digitá-lo.
Estava eu muito sossegadita (e relembro que tudo isto se passou uns segundos depois do post anterior) quando

TCHARAN!



a primeira coisa que me pedem é o "título". Sem a hipótese "nenhum", deixo em branco e preencho o resto.
Não posso. A mensagem no ecrã é clara. Tenho que escolher um título e não posso não querer nenhum dos que me apresentam! Não me registo, claro.

Poposta

Proponho uma nova abordagem ao cálculo dos índices de desenvolvimento de uma nação.
A saber,
- para indexação ao índice de parolice e de subdesenvolvimento (mesmo que mental), proponho que passem a ser contabilizadas as pessoas que acrescentam deliberadamente ao próprio nome um título académico, as que insistem em ser tratadas por doutor (ou engenheiro, ou o raio que as parta), e as que se fazem valer do tal título para subordinarem os colegas de trabalho.
É muito lindo (lindo, e não bonito), receber correspondência assinada pela Dra. Marta Sobral, directora de marketing, ou pelo Eng. Carlos Abadia, responsável pela área de projectos do sítio tal. A partir de agora, quando receber uma carta dessas, vou responder e exigir um pedido de desculpas por não constar no destinatário, antes ou depois do meu nome, a referência “mãe, dona de casa, carregadora de sacos de compras, limpadora de rabos com cocó, e cozinheira”, e que, independentemente de eu ter ou não estudado muito, fazem de mim a pessoa que efectivamente sou.

Abomino especialmente as situações em que a hierarquia se constrói com base em letras (de acrescento ao nome) e não em ciências (do saber).
(Não gosta da palavra hierarquia mas isso é porque se calhar eu sou um bocado hippie)
Sei, porque vi, que eu sou como o tomé, que em muitos sítios por este país fora, e também noutros, um bocadinho mais pobres ainda do que o nosso, que uma parte do pessoal que manda bitaites (uma parte não é o todo) não percebe nada, mesmo nada, do que os tristes dos mandados fazem....

Este país não anda para a frente por vários motivos mas um deles é porque o nosso índice de parolice é uma coisa tão complexa quanto delicada:
“O senhor doutor fulano de tal precisa de falar consigo”
Se eu responder
“Diz ao Zé que eu já vou”
Estou lixada
Mesmo que para mim ele seja o Zé com quem eu tomo café todos os dias. Da porta do café para fora, o Zé, como acha que é mais do que eu, passa a senhor doutor José coiso e tal. Normalmente, a proporção que se lhe acresce no nome decresce-lhe em inteligência e é pena. O Zé é boa pessoa e se, em vez de estar sentado numa secretária a dar peidolas de sabedoria instantânea tentasse perceber como é que se faz um puré com batatas e deixasse o senhor doutor enfiado numa gavetinha, e aprendesse a tratar os outros de igual para igual, olhos nos olhos e sabedoria-na-sabedoria, então tínhamos coisa para andar. Não temos e é pena.

26.1.06

intimidade

escrevemos e escrevemos e escrevemos sobre os desmandos das cumplicidades e dos contrastes entre os homens e as mulheres. gritamos bem alto e em surdina -ja li dos dois modos aqui - as incompreensões respectivas, atravessando sexos, homosexualidades e transexualidades. penso que andamos sempre à procura de cumplicidade, por mais ingredientes que possamos juntar: sexo, sex-appeal, ternura, amizade, e tantos outros.
por vezes, ponho-me a pensar: mas haverá mais cumplicidade do que aquela que existe entre uma mulher e um marido que usa capachinho ( não sei se se escreve assim ou capaxinho...)? é preciso uma cumplicidade e tanto...todos os dias.

Ontem

esqueceste-te de um bocadinho do teu coração e eu apanhei-o do chão e guardei-o no bolso. Foi chato, porque tinha lá dentro uma pastilha elástica meia mastigada, aquilo pegou-se tudo e foi o cabo dos trabalhos para o limpar. À custa de muita paciência, lá lhe retirei os restos da gorila de menta e uma ou duas moedas de cinco cêntimos que, entretanto, se misturaram com aquela porcaria toda. Bem, mas o que eu te queria dizer é que o tenho aqui comigo, esse pedacinho de qualquer coisa que te pertence, e que o embrulhei a vácuo, para que não oxide nem se gaste (quem sabe, talvez um dia o venhas buscar). Espera, lembrei-me agora! Tu não te esqueceste dele, deitaste-o fora, assim é que foi! Deitaste-o para o chão e até o espezinhaste quando me viraste as costas, numa tentativa deliberada de o inutilizares.

Eu e esta minha mania de trazer o lixo todo para casa.

Para acabar de vez com as dúvidas


Creio que toda a gente está familiarizada com a imagem ao lado:



mas de vez em quando há sempre alguém que pergunta, então e aquela bolinha ali no meio, serve para quê? Pois serve para ir sendo manipulada e faz subir e descer as páginas. E pronto. Estou certa que toda a gente, com algum treino, conseguirá fazer subir e descer páginas sem qualquer problema. A partir daí fica o caso arrumado.
Está tudo esclarecido ou é preciso fazer outro desenho?

Ora deixa lá ver então se sei escrever sexo...

O sexo é uma actividade a que as pessoas se dedicam quando querem ter filhos, orgasmos ou dormir melhor de noite. O sexo normalmente faz-se entre duas pessoas mas pode ser com muitas ou só com uma mas aí as pessoas chamam outros nomes ao sexo, por isso já não é sexo. Para dar filhos o sexo tem de ser feito entre dois orgãos diferentes, um ovário e um testículo. Como o ovário está enterrado na barriga das pessoas e o testículo é uma bola mole e dorida, não se consegue ter filhos tendo só estes dois orgãos. Aí existem duas soluções, ou se vai ao médico e se faz a coisa com seringas, ou se dá uso a outros orgãos. Estes outros orgãos são os pénis e as vaginas. Um pénis é um orgão assim em forma de cenoura, banana ou pepino, de cor rosa-acastanhada e textura variável. A vagina é um bocado de carne com um buraco no meio. Quando o pénis está em modo textura dura, consegue enfiar-se e aguentar-se dentro do buraco de carne, e o testículo pode mandar os genes pelo pénis fora, que lá dentro eles já se conseguem encaminhar e chegar ao ovário. Os pénis e as vaginas não são muito bonitos, não cheiram muito bem e tendem a ter doenças e maleitas fácilmente contagiosas, mas as pessoas não têm nojo porque têm mais-valias. Uma mais-valia do sexo é o orgasmo. O orgasmo é bom e distrai as pessoas dos problemas da vida no geral e do sentido desta em particular e as pessoas gostam de ter orgasmos e por isso gostam de fazer sexo. Outras mais valias do sexo incluem ter filhos, dormir melhor e aquecer os pés. Um dos problemas do sexo é a desigualdade de direitos. A localização do centro fazedor de orgasmos está localizado no pénis e aos homens basta fazer sexo para os ter. Mas nas mulheres o centro fazedor de orgasmos está localizado fora da vagina por isso é mais dificil de convencê-la de que ter uma pila feia, mal cheirosa e passível de ter doenças dentro dela é boa ideia, principalmente se a mulher não quiser ter filhos, já tiver os pés quentes e não sofrer de insónias. Uma boa maneira de convencer uma mulher de que o sexo é boa ideia é amá-la.

25.1.06

Obrigada

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Em nome de nós todas, o nosso muito, muito obrigada pelas vossas visitas.

Girls!!!! Digam qualquer coisa. Estou sem palavras
.

*Desde 15.10.2005

100 nada said...
Credo! Hum...obrigada, digo
.

24.1.06

tatuagem necessariamente diária

betuma as olheiras com uma precisão topografica: este creme opaco tem o perigo de revelar a textura da pele muito fina e porosa ao redor dos olhos. a tecnica é pôr o creme com umas pancadinhas muito leves que se sobrepõem em camadas quase transparentes, sem chegar muito perto da raiz das pestanas. sempre se tapa também aquela veia pequenina e desarrumada que teima em morar logo abaixo do olho esquerdo, quase no exterior da olheira correspondente.
não prescinde do eye liner com uma precisão de caligrafia chinesa, e caligrafada assim assume um dos rituais mais matutinos dos dias - vicio de muito jovem, quase insolente na desobediencia à ordem materna de ir lavar a cara. hoje,passados anos, se a vê sem eye liner, a mãe pergunta se está cansada, pela má cara e pela falta do desenho que afinal lhe falta como um signo.
precisa desses momentos como o verdadeiro momento da escultura do tempo. nas vantagens e desgovernos da diária escarificação que este realiza. encara-se ao espelho e todos os dias enfrenta uma precisão de rigor, de complacência diversa para si própria, em que a beleza se torna relativa face à eficácia dos gestos e da composição.

Escrevo

"contingências financeiras" num relatório de trabalho.
Farto-me de rir, claro.

23.1.06

Da futilidade e sua continuação...

Ela era tão boa de cama, tão boa, que cedo se transformou em colchão.

competição

_Gosto de ti: montes.
_E eu... serras!
_Cordilheiras...
_Pois eu, gosto de ti como daqui até ao fundo do oceano, só que em positivo.

Já corrigi

Tinha aqui um post todo catita com um link para uma notícia do público.
Era assim:

Será
que quando fizeram estes cálculos (e estes cálculos estavam lincados para a tal notícia), sabiam que hoje estaríamos no rescaldo de ontem? (e ontem estava lincado para onde está agora).

Mais:
O que eu gosto mesmo é de contrariar estas teorias absurdas do "dia mais deprimente do ano". Portanto, vou-me auto-insuflar de boa disposição. Ainda por cima está um dia lindo.

Se não era isto, era parecido.
E faz de conta que o link ali de cima que não funciona (mas devia funcionar se não fosse preciso pagar para ler a tal notícia), dava para aqui:

"Investigador britânico conclui que hoje é o dia mais deprimente do ano - Conjugação de seis factores faz com que 23 de Janeiro possa ser uma data muito má para muita gente"

hoje sofro de hipersónia

A porção da noite passada que escapou à minha insónia foi passada com uma companhia na cama. O meu filho mais novo irrompeu pelo meu quarto, com uma expressão muito aflita. Disse-me que a caminha dele não estava a servir. Tinha que vir para a minha, porque estava cheio de tosse. A cada ímpeto, a cabeça dele elevava-se e ele voltava-se para mim com um "ó mãe..." pungente. O corpo dele encolhia-se mais nas dobras do meu.
Ficou a sobrar-me muito sono. De manhã, já medicado, tudo parecia regularizado e ter-se tratado de mais uma crise alérgica. Foi bem disposto para a escola. Acabei por ter que ir buscá-lo, a meio da manhã: estava com dificuldade em respirar. O carro não pegou e fui a pé (quase a correr). Depois desta pausa, aerossois e vapores.
Ter filhos tem este lado: há sempre a espada suspensa, ali em cima. Não a abanem.

22.1.06

E ELA

Em quem terá votado?

21.1.06

É que eu, o vermelho, desculpa lá,

mas assim fica, por um lado, mais adequado à data e, por outro, a luz não faz tanto mal aos olhos...

Diário de Notícias, 20-1-05
(Obrigada Nelson Santos)

diz-me que prefere ficar assim,


que não quer mudar, que gosta de me ler e que a atracção física pouco importa, pois o que lhe interessa mesmo é a amizade, a relação intelectual e o jogo virtual, simpático, inócuo, do escreve aqui e comenta ali; diz-me que preza demais a família, que não se quer envolver porque não lhe apetece, que lhe falta a vontade e que não há tesão que lhe mude o rumo à existência; gosta dos seus confortos e das suas rotinas, quer que tomemos café de quando em vez e que almocemos como velhos amigos; acha-me muita piada, farta-se de rir com o que escrevo, diz que tenho imensa graça, que sou uma pessoa gira e que, fisicamente, não sou nada de deitar fora, embora não lhe apeteça transformar a nossa relação em coisa séria (leia-se: cama, fora de questão). Diz-me, com insinuante meiguice, que vai às compras, que se ajeita na lida da casa e que, se preciso for, me toma conta das crianças enquanto eu saio à cata de presas frescas.


Em resumo, estou fodida: ou sou um grande coiro, ou me apaixonei por uma gaja.

"A Intimidade na Amizade"

"Ele encontrou alguém com quem pode falar, pensei. E eu também, pensei a seguir. No momento em que um homem começa a falar de sexo a outro, está a dizer alguma coisa acerca de ambos. Noventa por cento das vezes isso não acontece, e talvez seja melhor que não aconteça, mas se não conseguirmos alcançar um certo grau de franqueza no que respeita a sexo e optamos por proceder como se nem sequer pensássemos nisso, então a amizade masculina é incompleta. A maioria dos homens nunca encontra um amigo assim. Não é comum. Mas quando acontece, quando dois homens se descobrem de acordo sobre esta parte essencial de ser um homem, sem medo de serem julgados, aviltados, invejados ou dominados, seguros de que a sua confiança não será traída, a sua relação humana pode tornar-se muito forte e nascer uma intimidade inesperada."

Philip Roth, in 'A Mancha Humana'

20.1.06

Ó prá gente, todas giras!

A nossa Soca é "um blogue colectivo e onde homem não escreve. Só lê. Coisas destas:"

e a seguir o post sobre as eleições ali em baixo, da Maria Rita.

Isto no DN de hoje, página 16, e não é na culinária nem no correio sentimental: é na parte das eleições mesmo! :) Ora viram?

Um grande obrigada ao João Morgado Fernandes.

DPPD *

Uma data de pessoas (homens e mulheres) que eu conheço anda a passar por um processo que consiste no seguinte:

- Desentendem-se com a/o parceira/o;
- A coisa acaba por chegar a um fim;
- A pessoa e respectiva/o parceira/o passam ao estatuto de Pessoa Provisoriamente Disponível;
- A partir desse momento, passam a moer o juízo a todos os amigos que estão ao alcance, sobre a falta de existência de Pessoas Disponíveis que eventualmente pudessem servir de futura/o parceira/o;

Está a parecer-me que tudo isto precisa de uma organização melhor, pelo que proponho desde já que cada Pessoa Provisoriamente Disponível, antes de passar a essse estatuto ou imediatamente após, deposite por favor a/o sua/seu ex-parceira/o, num DPPD a criar para efeitos de maximização de uma eficiente circulação de todas essas Pessoas Provisoriamente Disponíveis

e também para que deixem de massacrar toda a gente.

* Depósito de Pessoas Provisoriamente Disponíveis

Também descobri

que as bolachas Torrada do Lidl são muito mais durinhas e docinhas que as da linha branca do Jumbo.

Descobri

que não tenho paciência para gatas no cio.

19.1.06

Olha, azareco!

As três raparigas giríssimas despedem-se à beira do passeio. Ainda estão na fase do que bom que foi, gostei tanto de te ver e a contar as últimas histórias que se esqueceram durante as horas que passaram à mesa; coisa para mais meia hora, pelo menos, portanto.

O carro a sair do estacionamento em marcha-atrás toca numa delas. Ela bate nele com a carteira enquanto diz OH! OH!; afastam-se as três e o carro lá trava. Elas esquecem-se dele, mas ele não se esquece delas. Pára ao lado: não as queria atropelar, diz o condutor já entradote, de gel no cabelo, olho em bico e baba a escorrer, mas é que não as vi mesmo. Claro, responde uma delas e volta-se para as amigas.
Ele insiste, a baba a escorrer pelo vidro da janela meio aberta: seria um desperdício...
Elas voltam-lhe as costas e encolhem os ombros. Ele, finalmente, lá percebe e arranca de olho no retrovisor.
Estampa-se de encontro ao semáforo à frente: não foi um desperdício.

18.1.06

Homens

Eu acho que os homens se dividem em duas categorias: o Meu e os Outros. O Meu têm a obrigação moral de ser perfeito (para os meus standards, obviamente): tem que ser sexy, másculo, romântico e bem humorado. Não pode deixar a sanita pingada, pelos na banheira, a louça por lavar ou a roupa espalhada no chão. Tem que fazer metade das tarefas domésticas ou mais, tem que me amar e o mostrar e não pode dar erros ortográficos. Tem que ter umas luzes de electricidade, dar uma mão na mecânica e saber usar ferramentas. E tem que ser bom na cama.
Claro que o bom senso dita que uma eventual louça por lavar pode ser desculpada com duas dúzias de rosas, ou que a sua metade das tarefas domesticas pode ser substituída por um salário chorudo que pague a uma pessoa que as faça, mas no geral, se estes requesitos não forem cumpridos, vai haver gritos, insultos, queixas, mau feitio e eventualmente cessação de contrato.
Quanto aos Outros homens, os que não são o Meu, não quero saber se são românticos ou sensíveis, se mijam no bidé, se deixam um mar de pintelhos na banheira, se só limpam a casa em ano de eleições ou se se sentam à espera que caia comida no colo. Gosto deles se forem simpáticos e bem dispostos, não gosto se forem arrogantes ou cromos. Parece-me fácil.

Nenhum deles me convenceu

e não acredito que nenhum deles seja capaz de o fazer nos próximos três dias. Já nem sequer tenho paciência para os ouvir, quanto mais para me deixar convencer!
Sigo por outra via. Presidente que é presidente tem que ter uma primeira-dama à altura. E não é que nesta perspectiva tudo se torna tão simples?

Ou

PORQUE É QUE VOU VOTAR MANUEL ALEGRE NA PRÓXIMO DOMINGO:

A senhora Cavaco é um bocadinho corcunda e vai atrás do marido para todo o lado. Não terá postura, nem tempo, (nem iniciativa), para ser uma verdadeira primeira-dama.

A senhora Barroso é uma Senhora, uma Senhora com letra maiúscula. Veste-se lindamente, tem bom ar e diz coisas acertadas. Deve usar cremes caríssimos o que só augura em seu favor. Mas não lhe vejo estaleca para viagens, compromissos a desoras nem para emoções fortes na cova da moura.

A senhora De Sousa só pode ser operária. O cabelo não engana. Aliás, para o senhor De Sousa o verdadeiro trabalhador é o trabalhador operário. A senhora De Sousa não vai querer abandonar o barco e as colegas só porque o marido é presidente. O povo quer-se unido.

Não conheço a senhora Pereira. Nem sei se quero conhecer.

A senhora Louçã não vai com o marido para lado nenhum. Quando por acaso vai, segue na sombra. Não pode! Mulher de presidente anda ao lado do marido! Ah! E tem uma actividade profissional da qual não abdica. Não pode! E a caridade? E a obra social? E as viagens oficiais?

A senhora Alegre é um miminho. Tem um ar tão doce, tão feliz… Aposto que anda pela casa em bicos dos pés e que usa um avental grande com folhos, que faz bolinhos e chás para o lanche e que se preocupa com os detalhes. Gosto dela, pronto. Com ela o palácio vai estar sempre um brinquinho, haverá sempre um cheiro a pão acabado de cozer e nem o jardim será descurado. Terá tempo para se dedicar a mil e uma causas e acompanhará o senhor Alegre para todo o lado. De certeza.
(E os gémeos? Ai que fofos!)


(Porque é que a senhora Sampaio não se candidatou? Ela é que ganhava isto com uma perna às costas)

uma virgem e seus pénis

Um dia deixei um comentário sobre a perda de virgindade que fez muita gente dizer: conta, conta. Na altura não me apeteceu. Cá vai agora de forma resumida:

O primeiro pénis que senti tinha mais de 20 cm e era gelado. Sim, gelado. Aquilo impressionou-me. Como não tinha termo de comparação pensei que todos os pénis eram gelados. Verdadeiros cubos de gelo. Detestei a sensação. Como o pénis tinha mais de 20 cm e era tão grosso que eu não conseguia contorná-lo com os dedos, decidi que aquele não entrava em mim. Porque isto, caras amigas, é assim: uma pessoa quando deixa de conseguir escolher com quem perde a virgindade, passa apenas a poder escolher com que pénis o fazer, então mais vale fazê-lo com um pénis maneirinho, do que com um que nos rebente todas. O dito pénis nem entrou em mim, nem voltou a ver-me.
O segundo pénis era mais maneirinho, ainda que fosse grandote (tinha uns 17 cm). Mas não era tão grosso. Só que era mole. Não conseguiu entrar, nem à primeira, nem à segunda, nem à terceira e eu acabei por desistir. Porque essa coisa do "não te preocupes, acontece a todos, eu espero", é muito bonito quando acontece assim de vez em quando...
O terceiro pénis era maior, entre o primeiro e o segundo mas, era maricas. Desistiu.
O quarto pénis tinha uns 5 cm e era fininho. Parecia um dedito. Olhei para ele, fartei-me de rir e mandei-o ir procurar alguém com menos experiência que acreditasse que aquilo era normal, o que o confundiu uma vez que eu dizia ser virgem. Lá se foi.
O quinto pénis tinha uns 15 cm, se calhar nem lá chegava, mas era suficientemente grosso para ser satisfatório. Lá entrou e lá fez o servicinho como deve de ser. De tal modo qua acabou por ficar a fazer o serviço por mais três anos, o que acabou por ser uma surpresa agradável.

E pronto. Foi a história de uma virgem e seus pénis.

17.1.06

Mestra de culinária

A homenzada é muito dada à cozinha. Gostam do tacho, da colher de pau e da prateleira das especiarias...!
Sabendo isto, e ciente de que a nossa clientela habitual manifesta grande motivação para a aprendizagem, resolvi pronunciar-me, hoje, sobre questões de culinária, na qual sou exímia.
Peço desculpa às colegas e leitoras, mas a informação que aqui encontrarão é do nosso mais ordinário conhecimento. Todavia, para a homenzada que se dedica à cozinha com um estatuto ainda amador, há que proporcionar uma educação básica: os principiozinhos sobre os quais assenta a construção de uma vraie cuisine que possa satisfazer o nosso exigente paladar!

Caros leitores, para facilitar este processo, e colher a vossa atenção sempre tão distraível, recorro à analogia que sei estimular maximamente o vosso sistema nervoso central e periférico: nada se assemelha mais que sexo e cozinha!
Por exemplo, vejamos as favas. Podem ser o maior petisco ou um verdadeiro barrete gastronómico: tudo depende da mão do cozinheiro(a). Eu, que detesto favas, se mas fizerem a preceito, marcham!
A mim, infelizmente, os cozinheiros têm-me saído mauzitos ao fogão, por isso me preocupo em ensinar-vos a manusear os apetrechos, a dosear, calcular tempos de cozedura... Nunca se sabe!

O pior defeito de um cozinheiro é a pressa.
Nada de pressas. O lume acende-se devagar e a cozedura deve ser lenta.
A colher de pau é um instrumento bastante sólido que, mal usado, pode causar dano nos ingredientes. Uma colher de pau serve para mexer lenta, mas não constantemente. Mexe, deixa apurar um pouco (não faz mal que a colher fique pousada dentro do tacho!), mexe, pára. Vai-se provando de sal. Passa-se o dedo pela borda do tacho, uma e outra vez. As papilas gustativas não enganam, e a prova é obrigatória

Outro defeito que o cozinheiro deve evitar, consiste na avaliação da qualidade do tubérculo segundo o tamanho. A cenoura mais pequena e tenra, desde já vos digo, é bastas vezes a mais deliciosa. Tal como o tomate e a batata: os sabores encontram-se mais concentrados, e o tamanho permite inúmeras e variadas utilizações. Já encontrei à venda cenouras maiores que os tachos: rejeitei-as liminarmente. Mesmo cortadas, são verdadeiros bacamartes de difícil culinária. Se o legume ou o tubérculo excede o tacho, não coze decentemente e atrapalha. E, como se sabe, em tachos muito atulhados, fica a comida encruada. Portanto, não recear o menor tamanho dos hortícolas. Usá-los muito e usá-los bem, sempre lavados e fresquinhos.

Não hesitem em colocar-me qualquer dúvida que estes primeiros conselhos de cozinha vos possam suscitar.
Aqui no convento somos muito dadas à marmelada, à pessegada, e doces que tais, mas que não se iludam: mulher que é doceira não se nega à saladeira!


Cenouras: escolha-as sempre tenras e fresquinhas. As maiores são duras e de difícil cozedura.
Não importa o aspecto, mas o petisco que se pode fazer com elas.

comentários

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Podem comentar à vontade: ninguém disse que não o fizessem. Aqui há direito de resposta. Cada um defende o seu ponto de vista. Isso é bom.

pequena viagem a madrid

que as viagens dão sempre uma insónia na vespera, é um hábito. por outro lado, ouvir a cidade a começar a mexer-se enquanto a maioria das pessoas dorme instala uma espécie de jet-lag sedentário. como uma coisa que começa antes de começar a ser. talvez o mais parecido com isso seja a imagem do desejo.
'viajar, perder países', dizia o Pessoa. frase enorme sobre a dessedentação. o depois.
e o que se viaja estando aqui.no mesmo sítio, as maiores distâncias. sem o incómodo da bagagem.

16.1.06

Farta de ser loira

Vou cortar esta cabeleira de gaja boa e pintar de uma côr inteligente.
(ò Krassy, amiga, isso do nariz novo, é onde mesmo?)

You can keep your old nose on

(Blogger em transe)
Acabo de chegar da casa de uma amiga que mudou de nariz. Pelo menos tudo me leva a crer que há-de lá estar um diferente por debaixo daquela montanha de ligaduras. Nem me atrevi a perguntar se ela estava bem. O facto é que não estava doente, mas bem não podia estar. Não pode. Começam a insinuar-se umas manchas negras à volta dos olhos e aqueles tubinhos não inspiram nada de bom. Por acaso até acho que ela tem muita vontade de dar uns valentes gemidos de dor, mas está caladinha. Primeiro porque está toda entrapada e depois porque não pode dar "parte de fraca". O protótipo do novo nariz era francamente bonito e espero que não fique decepcionada. A bem dizer, já ninguém a podia ouvir queixar-se do nariz horrendo. Quando decidiu fazer a operação plástica, todos respirámos de alívio, fartos daquele tema recorrente de conversa.
Agora está ali toda empalhada, mas suponho que esteja feliz (pelo menos enquanto durar o analgésico....). E se lhe dá vontade de tossir? Ou de espirrar?
Como graçola, levei-lhe uma miniatura da Cleópatra embrulhada numa embalagem de perfumaria. Garanto que nunca na minha vida me arrependi tanto de oferecer alguma coisa a alguém: a vontade de rir foi tanta que ia estrebuchando por detrás daquelas ligaduras e tubos.
Acho que ainda vai levar algum tempo até conseguir pôr o pé fora de casa. Até lá, julgo que não vai querer olhar para nenhum espelho.

Catarse

Este blog é muito visitado por homens.
Os blogs da mulherada são invadidos, diariamente, por toneladas de testosterona inútil.
A homenzada adora meter-se nos nossos cantinhos. Mal vêem um buraquinho...
E se elas falam de sexo, ai, se elas falam de sexo, essas doidonas, ainda batem umas à nossa conta!
Gostam de blogs de mulheres?! Ainda bem! Venham, venham...

Aqueles a quem não enfia a carapuça façam o favor de passar ao lado. Deve haver alguns. Não os conheço, mas, quem acredita em Deus e em extraterrestres, tem de admitir: pode existir algum. Os homens são uns sacanas da pior espécie! Sempre foram mentirosos, traidores, sempre estabeleceram pactos entre si dos quais excluíram as mulheres que fodiam e as outras; sempre foram ilógicos, indecisos e inconstantes; sempre pensaram com a pila; sempre apreciaram os jogos de bastidores, e sempre os jogaram mal, mas, caramba, sendo sacanas, tinham coragem. Os homens, antigamente, tinham força física e coragem. Agora metem dó.
Agora, força física e coragem, procurem-na nas mulheres. E inteligência e discernimento. E tudo. Qualidade geral: mulheres!
Eu não encontro um homem, um homem digno, um homem que valha dois tostões há muitos anos!
Cabrões, estou-lhes com um pó! Ando-lhes com um pó!



copyright Bruno Espadana

14.1.06

ESCOLHAS

A uma semana das eleições, só sei em quem não vou votar.
Falta-me decidir em quem voto.

Trocado por miúdos

é nesse instante de manhã exactamente entre a nuca e o interior das coxas que me acorda o querer-te assim indolente. manipulo o teu corpo a saque ao ouvido do sono.
mas eis que somos quatro na cama e o anseio trocado por miúdos em ternuras serenas.
conservo o calor aqui. exactamente aqui. entre as pernas. quase doloroso.
até logo, meu amor.

A culpa e a certeza

No princípio dos anos 90 fui ver, com o meu pai, um filme do realizador Costa-Gravas, O Enigma da Caixa de Música.
Quer dizer, fui deliberadamente repeti-lo com o meu pai. Era importanto que o visse com ele, porque, a certa altura, a relação pai-filha do filme assombra-se pela revelação do passado paterno, ao qual a investigação feita pela filha-Jessica Lange, descobria as piores ligações criminosas.


Queria que o meu pai pensasse nos crimes praticados pelo protagonista-pai, e nos sentimentos experimentados pela filha perante a descoberta da terrível realidade.
Quis levá-lo porque, entre mim e o meu pai, havia também um filha que tinha coisas por dizer, nunca ditas, que não podiam sê-lo. E ele poderia encontrar-se, finalmente, e perceber, finalmente. Eu desejava que a minha mensagem lhe chegasse através do filme.
Mas não aconteceu. Gostou do enredo, do suspense, mas, no final, a decisão que a filha tomara ao denunciar o pai, era, na sua opinião, errada. Devia ter compreedido e perdoado as suas actividades. Por ser seu pai. Em nome do sangue. Do amor.
Eu e o meu pai não tínhamos a mesma visão do mundo.
Perdoei-lhe? Nesta fase, sim, perdoei. Mas ele foi culpado.
Tê-lo-ia denunciado? Creio que não. Tê-lo-ia protegido como sempre fiz.
O meu pai precisou de morrer para eu pudesse denunciá-lo.
Odiá-lo, e amá-lo de novo, como se nascesse virgem nos meus braços.

Primeiro, venha a cama

Sou daquelas que acha ser possível homens e mulheres relacionarem-se apenas como amigos.
Claro que, antes disso, temos de nos seduzir, apaixonar, ter sexo desenfreado e, em alguns casos. viver juntos e ter filhos.
Depois disso tudo feito e bem esgotado, claro que podemos ser só amigos.

13.1.06


Roy Orbison, Pretty Woman

é giro...

acabar de escrever qualquer coisa num caderno a lápis e, de indicador em riste, procurar a tecla enter...

12.1.06

Hey, hey, clity

Apelido: Durão!
O nosso menino,
de olhar cristalino,
(esta é só para rimar. com o nome... ahh!!)
(qualquer coisa acabada em ão)
Ai ele é tão bão,
é tão clitorino.

Fiquem sabendo que o nosso Clitorino não nos abandonou, meninas. Está em estágio, a treinar para o triatlo. Com a equipa. Pois. E com as meias Lassie.

(Clity, nunca deixes de usar as meias Lassie. Absorvem a transpiração e tu tens que te precaver; olha o pé de atleta. Se alguma se romper, já sabes que podes contar comigo: o meu kit de costura está à tua inteira disposição.)

no parque

Uma altura costumava ir com uma amiga minha para um parque muito grande e com muita relva e muitos recantos ajardinados. Iamos pra lá ler, conversar, escrever e comer sandes quando nos dava a fome. A todo o nosso redor, era um sem fim de casalinhos que, em pleno dia e à vista de toda a gente, se lambiam e mordiam e enrolavam uns nos outros. E nós não conseguíamos deixar de nos indagar se, se em pleno dia aquilo já raiava os limites da pornografia, ao cair da noite aquilo não seria um motel gratuito e sem tecto. No entanto, um dia que nos deixamos ficar até mais tarde tivemos a nossa resposta: ao por do sol, os aspersores saíam e começavam a regar todo o parque. Desde então que sempre que me passeio num jardim e ligam os aspersores penso comigo mesma "olha, lá ligaram o sistema antiqueca"

11.1.06

Consulta pública

Tenho uma dor no pescoço... num músculo que leva ao pescoço... um torcicolo, uma nevralgia... uma dor permanente, em qualquer posição em que me coloque. Isto, há uns bons cinco dias.
O que faço? Saco de água quente?
Ideias...

Manifesto

Adoro viver.
Mesmo nos dias em que corre tudo mal, e já não suporto a cabeça, contratempos, pequenos ruídos.
Mesmo quando fizeram de mim gato-sapato, me traíram, usaram, gozaram.
Adoro viver, porque sei isto, como vós: amanhã, e depois, e todos os dias, acordarei de consciência lavada, e sentir-me-ei limpa e feliz, porque não me estraguei na feira das mentiras, nem na do prazer ou da dor.
Tenho o futuro inteiro muito meu, muito branco, todo livre. Tenho outras manhãs, outras noites. O amor inteiro, hei-de ter.
Não alimento medo. Quando o tenho, abro os olhos e mantenho o passo. Não corro, porque os cães atacam sempre quem corre.
Eu aprendi. Não pude ser lavrada pela feira do ódio. Não havia espaço. Não há.
Eu amo.

Intemporal - reflexões em tempo de saldos

1. Um baton é sempre rubro. Nem muito vermelho nem muito rosa nem muito castanho. Nada de brancos, de rosas pálidos, de acetinados. Um baton é aquele que, sendo exactamente da cor dos lábios, lhes dá cor, porque lhes dá vida. Algum brilho é permitido, não demais, pelo que a aplicação de gloss deve ser comedida.

2. É possível viver sem pão para o pequeno-almoço, jamais sem baton.

3. A melhor maquilhagem não é uma máscara: é a que copia fielmente as nossas cores naturais; que nos devolve o que já é nosso.

4. Esqueçam as cores da moda. Não há moda, apenas o que nos fica bem. Se o amarelo combina com o tom do cabelo e o dos olhos, usem-no, mesmo que a moda dite negro e castanho.

5. À cautela, cores lisas para casacos, calças e saias. As cores lisas permitem feitios, cortes inovadores. Os padrões já são feitio.

6. Rabos e barrigas querem saias e calças a cair lisas, até meio da coxa. Nada de folhos. Atenção, rabos a sério ficam bem com calças justas, ao contrário do que se diz.

7. Se ainda houver orçamento, investir nas prendas a dar o resto do ano: aniversários, etc.
Lenços de pescoço, cintos, meias, lingerie, alguma bijutaria é intemporal.

E pronto, até amanhã, ou isso.

Projectos de vida

Podemos sentir-nos infelizes ou, em alternativa, ir aos saldos.

10.1.06



(...)
O Roma, Roma, at thy feet
I lay this barren gift of song!
For, ah! the way is steep and long
That leads unto thy sacred street.

(...)
Rome Unvisited
A poem by Oscar Wilde

Equilíbrio?!

O inferno particular de cada um, é apenas aquilo que os outros lhe desejam.

Desde que me lembro que gosto de ler.

Gostava tanto de ler que ficava acordada até tarde, que lia às refeições, que fingia doenças só para poder ficar em casa, sossegada a ler. Às vezes os meus pais vinham controlar se eu não estaria a ler à meia noite ou a ler doente ou a ler em vez de estudar. Por isso tive de aprender a fingir que não estava a ler. Escondia os livros de ler no meio dos livros de estudo quando estava a fingir que estudava, e debaixo da cama quando estava a fingir que dormia ou que doía. Mas os meus pais suspeitavam de alguma coisa porque iam verificar debaixo da cama se não estaria por lá um livro perdido, e eu comecei a aprender a esconder os livros na estante, onde eles não procuravam.
Uma vez tentei ler nos intervalos dos exercícios de matemática na escola, mas a professora puxou-me as orelhas e desisti. Às vezes os meus pais iam à casa de outras pessoas, e eu ia tambêm, e gostava mais ou menos de ir conforme a biblioteca que as pessoas tinham. Gostava muito de ir a casa da tia M. que tinha banda desenhada, e da tia S. que tinha romances, mas o que eu gostava mesmo de fazer era de ir a casa da tia O. a pessoa mais feia e com mais mau feitio do mundo, mas que tinha um sotão recheadinho de livros (e que também fazia compota de maçã).
Livros é a melhor prenda do mundo. Há livros aos montes para os que gostam de ler, e há livros com poucas e nenhumas letras para os que não gostam. Há livros em ouro para os que dão valor ao valor, há livros em segunda mão para os menos abonados, e há blogs que se podem agrafar para os tesos de todo.
Acho que o pior castigo do mundo deve ser estar preso e não saber ler.

Latente...

Tenho tantas palavras presas na mudez do coração.

Quando se ama

Quando se ama compreende-se e aceita-se. Por vezes a distancia dói, mas tem de aceitar-se. Aceitam-se os "espaços" e os "tempos". Aceita-se o "ser" e o "estar". Até aquelas coisas que irritam são aceitáveis (ainda que não deixemos, nem devamos deixar, de tentar corrigir). Quando se ama tentamos ser mais perfeitos (sabendo que a perfeição não existe, mas existe a correcção). Mas, quando se ama, nunca, nunca, nunca, devemos deixar de ser aquilo que somos, aquilo que mais gostamos de ser, só porque isso incomoda a pessoa que amamos. Porque, antes de tudo o resto, temos de nos amar a nós próprios, temos de nos sentir bem connosco.

Basicamente, amar é uma merda.

9.1.06

Olha!

Este senhor (?)
achou que eu, no meu post anterior, me estava a referir a pilas grandes! Que nós, mulheres, não nos importamos que o gajo seja um homúnculo desde que tenha uma pila grande e que é isso - basicamente - que nos seduz e dá tusa! É extraordinário, o nivel de basicidade de alguns espécimes masculinos. E no fim ainda pergunta (acho que é uma pergunta...) o que é iadaiadaiada!...

Meu caro senhor, iadaiadaiada significa palavras, expressões ou factos a mais, daqueles que não fazem falta, sabe? Que não precisam de lá estar e que em nada contribuem para a compreensão acrescida do que quer que seja. Mais ou menos assim como o seu post, está a ver?


Cumprimentos tesudos.

Sobre as camas das solteiras

No Inverno, uma cama de casal é grande demais para uma solteira, porque o outro lado está sempre gelado e nos acusa do que está em falta.
No Inverno, não é fácil um corpo solitário aquecer uma cama de casal, porque é de casal, ponto final.
Tenho uma técnica, que costumo aconselhar às outras solteiras: lençóis de flanela, pijama do mesmo material, e, agora vem o segredo: roupa de cama puxada, dos dois lados, formando um efeito de túnel à medida do nosso corpo, onde se instala, muito dócil. É fácil que o calor que o corpo emana, aí se mantenha, confortando-nos, finalmente.
Então, a cama fica macia, uterina, e não apetece sair, nunca.
Então, a cama abraça-nos, e é o mais doce dos amantes, toda a madrugada.
No Verão, pelo contrário, as camas de casal são apreciadas pelas solteiras: o calor espalha-se por toda a sua extensão. Se o lençol sob a pele escalda, rebolamo-nos para o lado vazio, fresco.
Adicionalmente, se dormirmos nuas, e dormimos bastante, os lençóis de algodão roçam-nos as ancas, suavemente, bem como os mamilos, que crescem e enrijecem.
No Verão somos umas rebolonas.

Pst Pst

Patroa? ?? Anda por aí???
Aquela coisinha verde tipo árvore ali à direita? "Tá" a ver?
Aquilo parece-me já um nadinha requentado.
A patroa desculpe, mas ando em fase de ressaca das festas e já não posso ver presépios ou árvores de Natal fora de época. Ou seja, requentados.
Qualquer luzinha que ainda veja a piscar só me apetece dar-lhe uma pantufada.
Olhe, é como comer bolo de noiva fora dos casamentos, bifes aquecidos no micro-ondas ou azevias no Verão.
Beijinhos e obrigada
Krassy

7.1.06

quando ouço música, eu danço

Se gosto, é amor. O amor tem muitas formas e aplicações. Alteridades, também. No que o motiva estão causas várias; podem nem ser discerníveis.
Frequentemente, a admiração por um talento enrola-se no meu amor por alguém. Talentos, há-os como há chapéus. Tenho uma amiga que faz as saladas de fruta mais bonitas que já saboreei. Outro amigo não permite que qualquer tristeza se instale nos seus interlocutores, à custa do seu inesgotável sentido de humor. E há aquele para quem todas as mulheres são muito giras, o que, convenhamos, é um talento visual precioso.
Entre todas as pessoas que despoletaram em mim tal sentimento, encontro talentos daqueles mais conspícuos, como o literário, o artístico, o musical. E os talentos subtis, que se descobrem facilmente com um pouquinho de atenção.
Acontece que as pessoas que amo me decepcionem, magoem ou destratem. Como é óbvio: é uma premissa possível em qualquer relação. Zango-me muito. Nestas alturas chego a pensar que nunca mais. Acabou, pronto. Já não me é permitido gostar.
Até que a manifestação do seu talento particular me chega, de modo directo, discreto, ou quase subliminar. E eu não resisto a sentir-me grata: por ter podido conhecer, de perto, aquela pessoa e por continuar a sentir um prazer trazido pelo seu talento. Tudo passa, então, e penso:

Sabes que não gostei. Que gosto sempre de ti.
Já tinha saudades tuas.

contenção

Tanto contido em mim. Tanta coisa a ter que sair cá para fora. Sensação de falta de ar, eminência de uma explosão.
Tenho que evitar comer leguminosas.

6.1.06

Será que os deuses estudam omnisciência na escola?

em piloto automático

Hoje está um dia como não há noite igual.
Até o cabrão do mar está inchado. Se calhar é da maré alta.

(tá bom assim, chefa?)

não sei se já vos aconteceu...

contar a alguêm uma coisa que se leu num blog desconhecido, como se tivesse sido uma história real passada com uma amiga real...

Andem lá com isso, óóó!

Pensam que isto se escreve sozinho, é? :p

5.1.06

Mais ou menos a ver com o post de baixo

Ora vamos lá esclarecer os leitores e até algumas leitoras menos conhecedoras da natureza feminina:
- as mulheres, quando estão chateadas, não é só por
1. estarem com o período
2. andarem a ser nada, pouco ou mal fodidas
3. não terem ainda conseguido comprar todos os sapatos giros existentes no mundo.

Há outras razões (quando me lembrar quais são, volto cá).

uma teoriazinha

facto 1: uma gaja quando 'tá com o período retêm liquidos, o que se nota mais ali pela zona da barriga
facto 2: uma gaja quando retêm liquidos ali pela zona da barriga vai muito provavelmente verificar que a roupa não lhe serve ou lhe assenta mal

teoria: as gajas andam com mau feitio quando 'tão com o período porque acham que estão gordas...

Eu

Quem não sabia que os preservativos se podem meter no IRS como despesa de saúde desde 2002 diga eu.

considerações de uma bordadeira

quem faça a apologia da motricidade mínima e da manualidade. A exortação para esta prática faz algum sentido, teoricamente, já que ela providencia alívio rápido com economia de meios; para quem sente um apelo pela dimensão estética, less é, de certo modo, more.
Eu acho, no entanto, que esta solução apresenta algumas desvantagens, além da falta de peso. Está bem, é verdade que a motricidade mínima e a manualidade não nos deixam pior que fodidas, nem nos fodem o juízo. Mas, por outro lado, não propiciam a companhia, tão docemente presente, dos traques malcheirosos debaixo dos lençóis, nem dos beijos matinais de hálito azedo. E sobretudo, não fodem, tout court.

4.1.06

post scriptum

não. não esqueço o carnaval de 77. a tua morte a meio dos peixinhos da horta (o telefone nunca tocou a esta hora) admito caiu-me mal. (assaltado pela urgência de esquecer. não quero ouvir. detesto partidas) mas eu sei que te pesou o meu anseio de colo na tua falta dele. eu sei (não quero levantar-me. esqueçam-se de mim. tenho vergonha desta fome acossada) lamento. eu não peço mais. fica agora só (não vás já. senta-te aqui comigo a vê-los chorar) este desejo de não ter regressado mascarada da tua morte. desejo (sem ti não sei aprender) de parares de morrer de vez (pai)

As doze passas

Pá...roda lá isso!!!

3.1.06

Kilroy Was Here

textos requentados não devem ser servidos

Considerações de ano novo

Não desgosto do ano novo e das celebrações que se arrastam com a entrada deste porque deve ser das poucas datas no ano que todos se sentem quase obrigados a fazer qualquer tipo de celebração, e isso é bom porque volta e meia um gajo prefere ficar em casa no quentinho com as pantufas e o pijama e acaba por não ver o mundo. O que me aborrece nas celebrações de ano novo é aquela obrigação que parece pairar por sobre as pessoas de se divertirem duma determinada maneira e de irem para essas diversões vestidos de preto e brilhantes e com muitas lantejoulas. E aborrecem-me os euros que se gastam para se irem divertir da maneira socialmente aceite e os euros que se gastam nas tais roupas pretas e brilhantes e com lantejoulas que são invariavelmente feias, desadequadas à temperatura da noite em questão e que mostram a banha toda. Às vezes gostava que as pessoas fossem um bocado menos temáticas.

Primeira lição do ano: uma gaja, quando é boa, não precisa de gastar muito dinheiro em roupa, basta mostrar decote. Inversamente, uma gaja em não sendo boa nem gira, se gastar dinheiro suficiente, pode disfarçar.

2.1.06

duas rimas estúpidas

Descia a rua, de carro. Do meu lado esquerdo, a cooperativa de habitação económica Sonho de Abril. Arquitectura sem qualquer vigor revolucionário, nem frescura primaveril. (Olha, rimou. Tenho que me cuidar, para não acontecer muitas vezes. Não tarda, começo a escrever sonetos.)
As gotas traçavam linhas transparentes sobre o pára-brisas embaciado. Os meus olhos fitavam os traços descendentes e os coágulos de água de formas arpianas. Nestes, repetiam-se os fragmentos de asfalto, de relva mal amanhada e de janelas, paredes tristes e passadeiras, na mesma deformação convexa.
Só pensava: porcaria de tempo. Lá fora, céu cobalto pálido com nuvenzinhas violeta; não pára de chover, aqui dentro.
Passei à esquerda do sonho mau e então a estrada rachou. A água do rio à minha frente.
Lisboa é assim: uma gaja pode até estar num fim do mundo, que todas as águas escorrem para um Tejo ao fundo.

Homens Espertos e Fascinantes da Blogoesfera




( Madonna e Isabella Rossellini, by Steven Meisel)


Muitas vezes, interrogo-me sobre os rostos (e o resto) por detrás dos bloggers. Dos, não das: é me indiferente, quem elas são; eles, o que escondem sob o que aparentam, é que me fascina - numa perspectiva meramente sexual e sexista, claro.

Dos vários requisitos para o exercício deste fascínio muito pouco cândido (embora com o seu quê de candid camera), o mais importante é, por um lado, ser muito bom (de preferência, genial) a qualquer coisa, mas, por outro, não ser um totó que descambe, nem para a arrogância, nem para a auto-comiseração (dois extremos que se tocam e igualmente insuportáveis).

Porque, vejamos. Blogue é coisa de gaja, já se sabe, é conversa de cabeleireiro, manifestação de histeria, diário de adolescente. Quando esbarro num blogger que me soa a esperto, quiçá, papável e que, para mais, não dá erros de ortografia, hummmm.....torço logo o nariz. A não ser assumidamente bicha (um sub-género patético do género gay) pressuponho que tenha, ao menos, um lado predominantemente feminino, o que é uma grande seca (para fêmea, basto eu).

Não haveria grande problema na inclinação sexual do blogger em questão, não fora eu andar aqui para me deixar levar pela imaginação e pelos dedos, para inventar à força toda e para confabular cenários improváveis - para me apaixonar, em suma. E, embora me apaixone, de quando em vez, independentemente do sexo, quando mergulho no domínio puro e duro da fantasia, prefiro, decididamente, os homens.

Tenho relações de paixão com amigas minhas (como dizia outro dia a um amigo, por quem, por acaso, até me apaixonei em tempos), mas convenhamos que é diferente: o amor (possessivo, doentio, até) que temos pelas nossas amigas, é algo que se vai construindo ao longo de muito buço rapado, muita hora ao telefone e toneladas de chá com torradas.

Com os homens, é outra loiça: posso nunca os ter visto mais gordos e, toma!, dou por mim caidinha por eles (um de cada vez, calma!). Ainda por cima tenho uma sorte de euromilhões: nunca me aconteceu, um macho fascinante - na escrita, na sabedoria, na estética - revelar-se um totó de primeira apanha, um anormal que se ria aos arranques ou um cromo que não saiba o que fazer com as mãos (que os há).

É claro que, quando temos a oportunidade de confirmar as nossas suspeitas, é fodido: gajo fascinante que se nos apresente em carne e osso, dá vontade de guardar na malinha de mão (quiçá aconchegá-lo no compartimento da maquilhagem), levar para casa, acarinhar e colocar em exposição ao lado dos restantes ex-fascinantes e do eventual marido (o mais fascinante de todos e que deve ocupar lugar de destaque - caso contrário, para quê o casamento, em havendo hoje em dia tantos pequenos domésticos?).

Eu, por exemplo, estou praticamente apaixonada por certo blogger e tenho uma razoável vontade de o meter no bolso, de o trazer comigo e de brincar com ele a meio das refeições, tipo carrinho do noddy ou action man. Não o conheço que não do seu blogue, mas garanto-vos que só pode ser encantador, atendendo aos seus pontos de vista e aos seus pontos e vírgulas, e a outros pormenores que aqui não revelo, não vão vocês (ou pior ainda: ele) ficar a saber quem é - que isto é um antro de cabeleireiras cuscas (em especial, os homens, esses grandes coscuvilheiros).

Não faço a mínima se ele, o objecto da minha paixão actual pouco platónica, é um adónis ou uma excrescência mal-acabada, se é um puto, um quarentão ou um potentado geriátrico (até pode ser uma mulher, que deus me livre!) e, em sendo qualquer uma destas coisas, vejam lá, não me importo. Porque eu tenho e a é uma coisa muito bonita: eu acredito que um homem (é um homem!) como ele, só pode ser verdadeiramente encantador em pessoa, só pode. Tanto, que lhe sinto a falta se não o pressinto no ecrã, se lhe adivinho as ausências (é a posse, estão a ver? a posse, que sempre chega paredes meias com a paixão).

Não que o físico não seja importante iadaiadaiada, mas todos sabemos que uma gigantesca avalanche de tesão, uma derrocada de excitação corporalmente fluida, pode ter origem num nariz adunco, nuns dentes tortos, num olhar estrábico ou numa careca luzidia. A mesma imperfeição que repugna quem não está a ver boi da pessoa que nos seduz, pode elevar-nos a píncaros de gozo, em sabendo nós do que a casa gasta. O dom do engate perfeito encontra-se acessível só a alguns, muito poucos, que, além de maravilhosos, sabem funcionar naquele limbo que é a quase falsa modéstia de quem parece não se saber melhor do que os outros e doesn´t give a fucking damn.

Por isso, homens espertos e fascinantes da blogoesfera, essa minoria escondida algures por aí, carregada de pintarola e de personalidade, cuidado que ando à solta e, ao contrário do outro eu (o verdadeiro), este meu alter-ego vem equipado de série com airbags insuflados de paciência e um faro de cão (para aí de um basset hound, vá).

Assim sendo, um excelente 2006 para eles, para todos os homens espertos e fascinantes da blogoesfera em geral e para um deles, em particular. I´m coming.

(...)

(é no que dá, escrever sobre estes assuntos).


1.1.06

ressaca

Hoje começou um novo ano. Podia deixar-vos aqui os meus votos disto e daquilo, e tal. Mas, infelizmente, perdi o meu cartão de eleitor.

2006



para evitar despedimentos...

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