30.8.06

Renda-se a mim!

Nem sei o que faça com isto que a Micaela me pediu para ver e entregar ao Sérgio que hoje veio cá visitar-nos. É que a rapariga nem fala bem português e eu acho que ela anda a ouvir demasiada rádio mas deve ser uma mistura género pastoral com música ligeira portuguesa e se calhar com coisa de novela à mistura e eu entender o que está aí em baixo descrito, vá lá vá! Pois então ela que se entenda com o Sérgio que eu não percebi patavina e nem me atrevo a mexer num ponto ou virgula que seja não vá sair asneirada e depois ainda sou eu que fico marcada. Mas porque é que estas raparigas insistem em meter-me no meio dos seus dramas de amores de faca e alguidar! Resolvam-se duma vez que este mulherio está a ficar impossível de aturar!

Meu querido Sérgio,

Hoje eu tenho este pedido para você que não pode ser mais adiado! Você tem estado a brincar com o meu sentimento mais puro e cálido por um tempo demasiado prolongado e agora está nas suas mãos, entre elas mesmo, tomar uma imediata acção para remediar esta situação. Venha se encontrar comigo após o espectáculo de hoje e deixemos que a minha rata e o seu cobra brinquem a seu belo prazer deles! Eu digo-lhe que esta noite de lua mal esbarrigada será a primeira vez em toda a história da humanidade desde que a serpente se perdeu na rata de Eva, que uma rata engolirá um cobra duro como rocha e entesado como um corno inteirinho sem deixar o mais pequeno bocadinho que seja para contar a história às outras ratas que por aqui andam aos saltos ansiando pelo seu cobra colossal.

A minha rata diz que lhe aplaque a morte súbita por envenenamento total! Mas daquela que não se morre mesmo e só parece que nos finamos ali porque esticamos o pernil mas depois a gente volta a si e está pronta para outra desde que a sua cobra tenha lá mais desse vigoroso veneno que nos abafa e nos refega sem nos liquidar! Pois esgromite-se todo lá para dentro que eu não vou nem me importar e nem sequer me darei ao trabalho de limpar para o efeito do seu veneno em mim se prolongar…

Me ataque esta noite que eu vou lhe deixar! Renda-se aos meus encantos felpudos e macios e eu lhe aliviarei de tudo o que tiver aí para eu chupar! Só não aceito reclamação dos pelos que você na língua apanhar porque cobra que é homem engole tudo sem nunca protestar!

25.8.06

Realmente há necessidades impossíveis de satisfazer!

Voltando à conversa sobre a constância de certos homens, essa qualidade que os excede:

- duas, vá lá, três mulheres nas suas vidas podem ser fixas: a mãe, a mãe dos filhos e a mulher-a-dias.

- as restantes, quer sejam lindas, perfeitas, incomparáveis... eles até dizem... "viciantes", devem alternar trimestralmente! Por causa dos apegos. Porque os apegos é que não! Tem de se viver a vida a 100 por cento, e os ajuntamentos são muito enclausurantes. Acho que é assim que se diz.
Desculpem-me, o português também anda enferrujado.

23.8.06

Sexo a troco de dinheiro

Que haja quem o faça é compreensível porque a procura é vastíssima. Mas para qualquer mulher que possa ter qualquer outra ocupação essa opção é seguramente degradante. É uma devassidão do corpo que se reflecte no espírito e passado algum tempo eu estou em crer que elas deixam de ser humanas para passarem a ser só corpo e orifícios. Talvez haja algumas, prostitutas de luxo, que possam escolher os clientes a dedo e que tenham uns quantos "amantes" que as sustentem sendo uma situação satisfatória de parte a parte. Mas essas serão muito menos do que as outras, mulheres de olhar perdido que vagueiam pelas esquinas da vida à espera do próximo cliente. São mulheres sem direitos, convenientemente esquecidas pela nata da sociedade que hipocritamente disfarça e usa e abusa quando lhes convém.

E que haja quem pague para ter sexo assim! Gostava eu de saber o que sente um homem, subitamente acometido por um feroz desejo de despejar os seus resíduos em contentor humano, para se submeter a seguir uma fulana desprovida de raça, nacionalidade e credo (mas não de sexo) para dentro dum carro, ou para trás duma árvore e sem palavras e despojado de toda a sua racionalidade ali mesmo a penetre e se alivie como um qualquer animal que guincha ao ser trespassado pelos impulsos avassaladores do prazer sexual.

O sexo é coisa suja e porca, branqueado pela moral vigente para que a raça humana se possa perpetuar… e nós somos meros escravos dos nossos impulsos e desejos e também branqueamos o nojo que sentimos do acto em si, porque somos animais e gostamos de sentir prazer. Mas entre darmo-nos a alguém que nos atrai ou vendermo-nos como contentores humanos, a fronteira para mim é clara e intransponível!

Mas tenho mais pena das prostitutas do que nojo. E que venha alguém dizer que elas são-no porque querem ou até porque gostam. Ninguém pode gostar de ser tratado como um reles contentor! O homem que puser as mãos em cima de mim há-de tratar-me nas palminhas como se eu fosse realeza e se eu a ele me confiar vai ter que gastar muita saliva até me penetrar. Sim que eu sou uma fortaleza e não baixo as minhas defesas a troco de seja que montante for. Posso até considerar-me um prémio valioso, um bocado empoeirado é certo, mas eu é que escolho o quando, o como e acima de tudo o quem. E se homem nenhum me considerar como um prémio valioso pois paciência. Morrerei empoeirada e serei apenas mais uma nunca revelada e extraordinária amante em potência pois os prémios mais valiosos são os que se conquistam e não os que se compram por um qualquer montante, por mais elevado que seja.

Enfim, em termos hipotéticos e cinematográficos a gente até já viu cenas de um homem a pagar um milhão de dólares por uma só noite com uma mulher e se me aparecesse o Robert Redford com uma malita assim cheia de notas… pois quem sabe, o corpo por vezes é mais fraco que o espírito mas também se assim não fosse não haveria quem usasse o corpo como moeda de troca. E nós ficávamos todas sem trabalho que os homens que nos vêm cá ver no fundo também gostariam de sair daqui mais aliviados só que lá está. O mais parecido com o Redford que aqui esteve foi o Roberto Leal mas o homem foi tão pouco simpático connosco que até me interrogo se ele não estaria à espera que a gente lhe pagasse para que se viesse juntar ao nosso espectáculo. Não era ele que cantava que tinha casado com uma Gabriela que tinha muita guita? Em calhando é ela que lhe patrocina os discos que o homem tem cá uma voz de cana rachada que só dá vontade de bradar aos céus para que se lhe abata algo em cima da cabeça!

Eu, escort girl





Vou inscrever-me numa escort agency - espero que seja assim que se diz e escreve.
Cheguei das berças recentemente, e trago o inglês enferrujado.
Garota de programa quer dizer o quê? Puta ou apenas acompanhante de homem? Mas, mesmo puta, no fim, tanto faz.
Se forem limpinhos e não disserem muita ordinarice, posso fazer o favor, mediante pagamento mealhudo. Quero lá saber se são uns leitõezinhos de bigode, desde que não mo cheguem.
Como dizia a tia Deolinda quando eu não gostava das papas, "fecha os olhos, moça, e aperta o nariz!".
Isso: fechar os olhos, não respirar, não sentir a pele dos homens. Não comparar a pele dos outros com a pele de ninguém, a pele tão morna, tão antiga de alguém.
A pele tão quase imaterial, tão certo perdida daquele que amei no vento e se desfez com ele.
Essa pele que ainda sinto da minha janela como se a avistasse, lá ao fundo, do outro lado do rio. Que ainda cheiro.

Um whisky com 10 anos. Um bom whisky com 10 anos anos. O que custa fazer companhia a um homem só, com mulher e filhos, ou sem, que interessa? Just an escort girl, ninguém me pergunta sobre a minha vida privada, eu nada pergunto, a não ser "e aventuras nos mares do pacífico; os negócios a correr bem?", e ouvir a história que se segue, enquanto ele descalça os sapatos e coça os tomates ou desentala o elástico das cuecas, relaxando. O que custa?
Faço de conta que não vejo. O que custa deixar que me paguem um bom whisky de 10 anos, sorrir, sorrir, dizer "sim, claro, concordo", aparentar mais classe que a que realmente tenho, deixar que me olhem, que pensem o que quiserem.
"Somos parecidos, já viu?!" O que me custa responder, "assim parece!" E venha um whisky; 10 anos. E a taxa horária.
Se tiver de ser puta, que seja cara. De luxo. Hão-de pagar-me bem, e eu levantarei a saia, delicadamente, e deixarei que se aliviem um bocado dentro de um cone de latex que se introduzirá em mim enrolado numa espécie de sonda vaginal - que nas clínicas se paga a bom preço! Não será diferente. Imaginarei o médico perguntar-me, "minha senhora, quando foi a sua última menstruação? Afaste agora um bocadinho as pernas... isso!"
Se me inscrever numa escort agency e, para além, da taxa de usufruto, me pagarem três whiskies como os de ontem, até pode ser que dispa a saia, o soutien e me apeteça sentir a pele alheia, o nojo da pele alheia que não é nossa, que não desejamos, que não desejaremos depois da bebida. Que me transforme em carne pura, carne de talho, pelo tempo necessário para os esmifrar piedosamente entre viagens, entre mulheres, negócios, a puta da cultura que os pariu. E depois me lave com sabão azul-e-branco e beba só água das pedras nos dias seguintes. Até ao próximo. Belas férias no Sheraton de Paris, as que hei-de ter. No ano que vem.
Porque eu sou apenas uma mulher, uma pobre mulher que precisa de dinheiro - uma mulher honesta a quem eles fazem o favor de ajudar com uns trocos. Uma mulher que se expõe, que se mostra, que sorri, que se fode, porque é para isso que eu sirvo: expor-me, mostrar-me, sorrir, ser fodida. Tanto faz. O que é que custa?

22.8.06

Vou-te encher de beijos até que transbordem. Os beijos. Porque os fígados e estomagos e intestinos estão bem presos a ti e não são arrastados com qualquer enchente de beijos.

16.8.06

em trânsito

O sódio dos candeeiros calou-se, na rua em frente. Era já manhã feita, céu de leite com traços mal riscados, esborratados, azuis e cinza quente. Ouço os pássaros nas árvores, nos intervalos dos motores que passam. Os meus braços sobre o parapeito, castanhos, inesperados. Um monte de malas por arrumar e apenas saboreio o amanhecer, da janela. Vinda do sul, irei em breve à procura do norte. Dormi nos meus lençois, tranquila, depois de saber que as manhãs continuam a ser, em minha casa.

12.8.06

Baby sitting blogue

Hoje percebi uma coisa importantíssima que não vem em nenhuma dessas revistas da actualidade mas que não deixa de ser um facto que desperta em nós alguma curiosidade que é mesmo que ou a gente faz baby sitting ou a gente tem um blogue e tentar fazer as duas coisas ao mesmo tempo não dá e ao contrário do que muito boa gente possa pensar não é por causa do blogue que coitado não tem culpa nenhuma de ter algumas autoras que se dispersam mais do que deviam.

Mas passo a contar para que fique aqui registado o que eu ainda tentei mas como é mais do que óbvio redondamente falhei. A minha irmã pediu-me para tomar conta da minha sobrinha hoje que era a minha noite de folga e eu lá lhe disse que não que eu agora tinha um blogue e ela disse que sim que entendia mas à hora do costume veio-me cá trazer a miúda à mesma e eu que já estava de computador ligado fiquei um bocado atrapalhada que isto quando a inspiração nos chega não é todos os dias nem é para todos (e a propósito estava aqui a pensar com os meus botões que a gente devia ter um sistema qualquer para automaticamente apagar comentários mal educados que a gente esforça-se tanto e depois ouvir palavrões é algo que a meu ver nenhuma de nós merece, ou não é ó chefa?)

Portanto lá fiquei eu de calças na mão que é como quem diz inspirada mas com uma miúda irrequieta daquelas que merecia sem dúvida ser capa de revista mas depois ficar mas era mesmo presa na dita capa e de certeza que a minha irmã pensa o mesmo e muito mais nestes dias em que se arma em mãe extremosa e me larga aqui a peste com a única recomendação de não a deixar deitar mão aos frascos de verniz de pintar as unhas que parece que a miúda tem uma deficiência mineral qualquer e anda sempre a tentar ingerir coisas que não deve e eu mais preocupada com o blogue do que com os vernizes lá lhe disse para ir descansada que não havia de ser nada.

Depois sentei a miúda aqui ao meu lado e disse-lhe para estar quieta e calada que a tia tinha que dar comida aqui ao bicho e o raio da criatura assustou-se e pensou que o bicho era algum cão que ainda apareceria e a mordia e começou logo aos gritos e eu já desesperada porque tentar pensar direito assim já é difícil quanto mais depois escrever qualquer coisa de jeito. Foi o cabo dos trabalhos convencer a miúda que isto não era nenhum bicho desses de verdade e que era só uma coisa que a tia tinha que fazer antes de lhe prestar atenção por mais que isso lhe custasse que os miúdos hoje em dia têm a mania que são mais importantes do que tudo o resto nas nossas vidas mas há quem tenha blogues e que ainda por cima goste de os ter ainda que isso nos vote à mais completa e total incompreensão por parte de todos os nossos amigos e familiares incluindo cães e gatos que deixaram de levar as festinhas da ordem porque andamos tão embrenhadas nos nossos pensamentos bloguísticos que já só pensamos no que poderemos vir a dar-lhe como alimento a seguir.

E no meio destes pensamentos de repente vi que a miúda já não estava onde a deixei e percebi que a maior diferença entre uma criança e um blogue é que o blogue a gente sabe sempre onde está enquanto que a criança não. E mais do que isso um blogue nunca reclama mesmo quando a gente tem que o deixar a meio para ir procurar uma criança desaparecida em pleno acto de blogar.

Agora onde raio se meteu a miúda que eu não tenho vida para isto! Depois ainda me perguntam com o ar mais angelical do mundo porque é que eu não quero ser mãe. Pois olhem a resposta está mesmo aqui à vista de todos! Prefiro muito mais ter um blogue! E não é por causa da atenção que lhe devemos dar que essa se calhar é mais ou menos igual, é mesmo porque uma criança faz sempre o que lhe dá na veneta enquanto que um blogue não. Diria mesmo que um blogue é como se fosse um filho nosso mas da forma que gostaríamos que ele fosse enquanto que os filhos normalmente são tudo menos o que gostaríamos que eles fossem!

10.8.06

Engano lamentável!

Ai que eu estou toda a tremer ainda e nem sei se hoje me escapo ilesa que agora cada apito de sirene que ouço me faz imediatamente atirar-me de cabeça para baixo da cama como se isso servisse para alguma coisa que se os homens me quiserem prender bem sei que não escaparei!

Eu bem disse ao Jacinto que a ideia era completamente estapafúrdia mas ele insistiu que tinha que tentar nem que fosse a última coisa que fizesse na vida e em calhando se calhar até é mesmo que o homem foi apanhado com a boca na botija, que a bem dizer neste caso não era uma botija mas um garrafão de 5 litros e até agora não sei nada dele mas tenho andado a ouvir as notícias para ver se divulgam o nome dos capturados mas os senhores da RTP têm sumariamente ignorado o que se passa, e até já pensei se não será por vergonha de um dos capturados ser português e ainda por cima analfabeto.

Mas deixa-me cá contar o que se passou antes que venham os homens e me levem lá para as Mónicas que também era só o que me faltava neste momento passar a ver o sol nascer aos quadradinhos. Portanto ontem o Jacinto esteve a trabalhar na fórmula xptozística até altas horas porque hoje tinha marcado uma viagem a Londres para ir lá dar uma ajudinha ao primo Vicente que tem lá uma casa assim como a nossa mas em maior e com mais estilo e o Jacinto meteu na cabeça que o primo Vicente que é um homem com estudos e até fala várias línguas, que ele saberia lá o que se passava com a nossa fórmula caseira de tornar coisas invisíveis que por mais que ele lhe mexa aquilo só vai é mudando de cor e deita um cheiro que não se pode e eu bem lhe disse que ele levava aquilo no avião e provavelmente não saía dali vivo, nem ele nem os outros passageiros mas o homem tá quieto que é mais casmurro do que os senhores da RTP que teimam em só passar resumos de jogos de futebol, que ainda por cima parece que é só jogos a feijões, quando o que a gente quer é ver o que se passa no mundo e que está a causar este sururu todo!

Pois parece-me que o Jacinto não terá sequer entrado no avião e devem tê-lo apreendido de garrafão na mão e sabendo eu o que ele levava juro que também teria ficado desconfiada. E agora já ouvi que à conta disso já nem deixam ninguém entrar em nenhum aeroporto com líquido de espécie alguma que se difundiu a notícia que os terroristas teriam desenvolvido uma espécie de explosivo em forma líquida e ó senhores se soubessem o que vai naquela fórmula que cheira muito mal é certo, mas é tudo do mais inofensivo que há! Aliás devo dizer que o ingrediente fundamental é leite da burra que faz companhia à tia Maria do Jacinto e já há mais de quarenta anos e como a burra é caso de longevidade única na aldeia o Jacinto achou que o leite havia de ter propriedades mágicas e encomendou lá uns alqueires dele para ver se a fórmula desemburrava.

Mas na verdade nada aconteceu à fórmula a não ser passar de rosa a verde marinho e começou a deitar um cheiro que não se pode e a bem dizer se olharmos assim de perto até parece que deita fumo ou então somos nós que nos enevoamos com o nauseabundo da coisa e se calhar foi isso que aconteceu aos senhores agentes da autoridade lá do aeroporto que acharam que o pobre do Jacinto os estava a tentar envenenar e que faria parte dessa cadeia de malfeitores facínoras e suicidas e logo o Jacinto que é o homem mais pacato deste mundo!

Vou agora dirigir aqui umas preces à Nossa Senhora dos Aflitinhos para ver se esta crise passa que logo agora que as coisas pareciam estar a melhorar não há direito estarmos a apanhar com esta enorme onda de azar!

9.8.06

vi um cartaz num carro que dizia:

"vendo barato, ou troco por dois garrafões de vinho do bom"

8.8.06

não sou a unica a precisar de férias

Encontrei o meu dentista à entrada do prédio. Abriu a porta do elevador e disse "vamo-nos sentar menina Isabel?"

7.8.06

Se não é uma coisa é outra!

Esta é sem dúvida uma expressão que serve para muita coisa se não para quase tudo nesta vida porque as coisas nunca são como nós queríamos ou gostávamos que fossem. Neste caso em particular aplica-se aos pelos que como todos sabemos crescem a uma velocidade muito maior do que a que desejaríamos embora no caso das mulheres e das artistas em específico o que desejaríamos era nem tê-los! Mas como o cachet ainda não chega para nos irmos submeter aos tratamentos de extermínio definitivos pois temos que nos livrar deles como podemos porque uma sombra que seja de um desses minúsculos mas indesejáveis apêndices dá-nos logo cabo do sossego porque chama a atenção dos clientes para algo que não devia estar ali e não é isso que se pretende!

Estamos numa altura má, verdade seja dita porque no verão a tormenta é ainda maior porque um pelito milimétrico que seja aliado ao suor que nos escorre por entre as pernas dá-nos uma comichão de tal ordem que às vezes eu até temo que se nos venha a estragar o espectáculo. A gente até conhece os truques do pó de talco e das ventoinhas ligadas no máximo e direccionadas para os nossos entre pernas mas mesmo assim, mesmo assim há dias que parece que temos uma multidão de insectos carnívoros a ferrarem-nos as pequenas mandíbulas e ainda por cima de dentro para fora o que não se resolve nem à chapada o que aliás será de evitar porque ali está um dos nossos pontos mais sensíveis, ainda que mais sensuais é certo, e nós que tão mal o tratamos por vezes quando temos que desenrascar com o que temos que é impensável uma artista aparecer em palco sem ser no seu melhor que nós vivemos da imagem e uma imagem diz logo tudo sobre o grau de preocupação de cada uma de nós com o que temos de melhor que no meu caso é mesmo este corpo que aliado a uma forte e poderosa voz me permite ser cabeça de cartaz com muito mérito e honra.

Mas a Micaela, que esta rapariga me dá cabo da cabeça que o juízo é pouco ou mesmo nenhum que não sei porque acaba sempre por se meter em trabalhos e me arrasta sempre nos seus devaneios e ideias do arco da velha, ontem apareceu-me aí à tarde aflita que tinha corrido toda a Baixa e uma parte da Alta até onde a carteira que não é muito recheada lhe permitia, e mesmo assim não conseguiu arranjar quem lhe limpasse os pelos assim do pé para a mão que isto aqui tem que ser tudo com marcação e eu se não tivesse nascido com tanta vocação acho que neste momento seria esteticista que mulheres com pelos é coisa que nunca deixará de existir por muitas inovações que introduzam na forma de os eliminar. Mas dizia eu que a Micaela me apareceu aí ontem num estado de hirsutismo lastimável e com as pressas e para desenrascar lá fui eu buscar uma gilette das do Jacinto mas sem ele dar por nada que ele não gosta que se lhe mexa nas lâminas que o homem pode ser analfabeto mas também tem as suas manias. Lá lhe dei a gillete e recomendei-lhe calma e atenção porque a gente sabe que as lâminas não são amigas da nossa pele e muito menos nesse sítio tão sensível que é a pele do entre pernas que uma passagem mais descuidada pode ter consequências muito desastrosas mas esta rapariga que nunca liga nada ao que se lhe diz logo à primeira passagem arranca-me um bocado de pele tão grande que se lhe abriu ali uma nascente de sangue que a gente sabe bem que nestes sítios por muito minúscula que seja a ferida é o cabo dos trabalhos para o estancar!

Eu até receei que de repente a mulher me tivesse que ser levada às urgências para ser costurada e ainda por cima nesta altura que é só estagiários manetas e estrábicos e lá me ficava a Micaela com uma cicatriz daquelas à franquen-monstro num sítio que não dá jeito nenhum mas também era bem feita que toda a gente sabe que fazer tudo às pressas é no que dá! Mas depois com jeitinho lá conseguimos que a coisa acalmasse só que agora se punha o problema da indumentária porque fio dental ali por cima era capaz de fazer ainda pior e nós aqui pretendemos ter um show erótico e não gótico.

Lá descortinei uns farrapos e fizemos uma coisa assim à la jane das selvas com a vantagem que se a rapariga começasse novamente a sangrar era capaz de nem se notar e era bom mesmo que nada acontecesse senão quem ouvia era eu que sou responsável por ela e pelas outras todas e mesmo assim com tantas recomendações e cuidados acontecem sempre coisas destas que juízo naquelas cabecinhas é o que se sabe e o que se vê. Mas no fim lá acabou por sair bem mesmo com uns gemidos da Micaela à mistura que felizmente se incorporaram na música que eu tive o cuidado de escolher uma música à altura ("Peach" daquele rapaz amaricado e assim minorca que salta muito e nem sei como consegue porque tem uns saltos altos duma altura que até a nós nos causa vertigens) e ela aproveitou-se bem dos oohhhh uuuhhhhhs que pode ser uma perfeita desastrada noutras coisas mas tem alma de artista e quando o artista se esforça e a coisa até acontece o público aplaude e agradece que nisso eu cá posso não ser nenhuma pop star mas aprendi com os melhores (e deixo aqui um agradecimento público ao meu querido Serafim que nos deixou tanta saudade e que nunca mais cá veio desde que cortou os belos caracóis e tanto branqueou o cabelo que agora nem parece o mesmo!)

4.8.06

Inner thigh nook

(Nota de advertência ao leitor incauto: se procuraides por aqui algo aviso-vos já que não encontraraides mais que umas palavras de valor literário absolutamente duvidoso ou mesmo inexistente. Que quereides que eu faça que parece que a silly season me enrodilhou com tal força que ainda hoje estou para perceber se algum dia conseguirei dela sair. Se é de literatura pura e dura que gostaides então passaide à frente disto que são só dislates de mulher esforçada mas pouco conseguida helas!)

Não sei como traduzir esta coisa em português mas no caso refere-se a um pequeno ponto que existe no corpo de todas as mulheres (e no dos homens também embora no caso deles seja mais difícil de perceber porque normalmente não está exposto sendo totalmente coberto por uma pelagem selvática a não ser que eles adiram ao look depilação total mas mesmo assim não é bem igual ao das mulheres porque é mesmo assim que as coisas são).

Eu sei exactamente onde ele fica mas talvez seja difícil de explicar aqui só por palavras. Mas colocando o dedo indicador no joelho, roda-se um quarto de volta no sentido interior da perna e depois é sempre a subir até chegar ali onde a perna acaba e começa a virilha. Há ali uma pequena covinha por trás dum tendão e é essa covinha que tem este nome tão extraordinário e mais do que o nome tem um efeito ainda mais extraordinário quando a dona da dita covinha sabe que a tem e sabe o efeito que ela pode ter sobre todo o resto da espécie humana.

Não diria que esta é a parte mais sensual do corpo duma mulher porque isso cada um dirá o que a si lhe parece mais sensual no corpo de cada mulher mas está provado, talvez não cientificamente mas eu sei que está provado algures nos anais da história da sensualidade feminina, que as mulheres que melhor sabem jogar com o efeito desta sua sensual covinha são as que mais longe conseguem ir no imaginário erótico e sensual de todos os homens e se calhar até de todas as mulheres porque um recanto é sempre um recanto e os recantos, por vezes até apesar de terem dona, são por si só uma poderosa fonte de fascínio e mistério.

Mas voltando ao ponto x, neste caso à covinha de nome intraduzível, haveis de reparar nas poses de artistas do mundo erótico visual e vereis a diferença que faz uma pose cuja incidência seja essa mesma dita cuja covinha a insinuar-se para quem olha e tenta descortinar esse recanto inviolável que se antevê nas pernas entreabertas duma mulher. Bem vistas as coisas nem tem que ser uma pose erótica porque já vi um anúncio de creme anti-celulite que mostrava muito bem e em tamanho cinematográfico o entre pernas de uma modelo que de celulite devia ter pouca ou nenhuma mas que essa covinha mágica lá estava e que prendia o olhar lá isso ninguém o pode negar!

Outro exemplo são as fotos que saíram da Ana Malhoa na última revista FHM. Essa rapariga que era um autêntico saco de batatas aqui há uns anos atrás, neste momento tem um “inner thigh nook” de tal forma poderoso, e ela sabe-o bem, que se nota a quantidade de fotos tiradas por trás e incidindo sobre o seu mais belo e sensual recanto que a revista entendeu ter o dever publicar. É que não há nada que enganar. É só abrir ligeiramente as pernas e deixar a máquina brincar com os efeitos de luz que se materializam ali no meio. Artistas e fotógrafos conjugam-se para juntos realçarem o que a mulher tem de mais sensual e quando a artista está no seu auge, como é caso da Ana Malhoa que eu ainda estou aqui meio atordoada com a evolução drástica daquela que era apenas uma miúda balofa nos tempos do buéréré, e o fotógrafo se sente mais à vontade para explorar o que a artista se sente à vontade para lhe mostrar, e se calha a luz fazer sombra onde deve fazer e iluminar o que deve ser iluminado, então ninguém resistirá a se quedar uns bons minutos ou mais a estudar esse pormenor mágico e muito mais poderoso do que qualquer mulher possa imaginar.

Mas infelizmente também há as que exageram pois que há sempre quem tente ser tudo para todos e queira açambarcar o mercado sem perceber que nem sempre é na quantidade que está o ganho. O recanto é para ser entrevisto e adivinhado e não para ser esfregado na cara de quem está a apreciar a qualidade estética duma fotografia deste género. Se a mulher abre completamente as pernas e mostra mais do que deve perde-se totalmente o efeito e aí já entramos no reino da foto-pornografia que não é de todo ao que me refiro aqui. O poder do inner thigh nook está mais no que se esconde do que no que se mostra, precisamente porque atrás do que ali se esconde está um mundo enorme limitado apenas pela imaginação de quem se deita a adivinhar os caminhos que os dedos ali chegados poderão continuar (ou não) a traçar...

Uma gaja de yorkshire

Ah férias…Ainda me lembro quando um gajo tinha 3 meses para fazer nenhum e Agosto sabia já a fim de férias, já se tinham lido 50 livros e 2 enciclopédias e começava-se a procurar bibliotecas mais distantes… três meses… isso é que eram tempos…
Um gajo começa a trabalhar e prontos, quando dá por ela já só tem um mês de férias e só lê dois livrinhos. Um mês de férias… isso é que eram tempos…
Um gajo metia-se a trabalhar noutro sítio e já só tinha uma semaninha para ir para um país tropical, como a Espanha, com um livrinho na mala… Mas isso era dantes… uma semaninha…
Desde que um gajo é patrão que férias é aquele bocadinho que se vai tomar café ao Domingo à tarde e ler as letras grandes do jornal… Ah… Domingos à tarde… Quem me dera ter Domingos à tarde…
Mal posso esperar por terminar a digestão para me poder sentar um bocadinho e poder ler as instruções do tira nódoas…

1.8.06

SOCA Surfing

Catarina,

Não posso confirmar, mas ouve-se dizer por aí que andam muitas por estes lados...
Photo

Garantindo a continuidade e tal

Aparentemente as sócias foram a banhos. Agora inseria-se aqui uma pic catita de umas senhoras a banhos ou coisa parecida, mas não estou com paciência: lavores é outro departamento aqui do blog. Eu é mais bolos com farinha amparo. Ampare-se, pois, a SOCA, já que os saltos toctocam agora mais a sul ou noutro lado qualquer.

(já amparo qualquer coisa, assim que me ocorra; entretanto ide-vos habituando a que isto se transformou numa sucursal do meu tasco e já é uma sorte; quando as sócias regressarem, espantei a clientela toda, acontece...)

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