3.5.07

Sexo anal




(Disclaimer: este é um texto forte, assim como este é um assunto forte. Nem todos gostarão, se calhar quase ninguém. Mas o sexo anal é mesmo assim, cru, bruto, e potente. Não respondo por mim pelo que se vai seguir daqui, quem for demasiado sensível a estes assuntos que passe já à frente porque se é facilmente impressionável, este vai com certeza esborrachá-lo contra a parede. Paciência, a vida é mesmo assim, e nem todos têm a permeabilidade requerida para atravessar paredes, como eu…)

Talvez fosse o texto ali de baixo, mas as memórias vieram-me assim, em catadupa e de repente lembrei-me desses tempos, loucos e furiosos tempos, em que nada nos satisfazia e não havia quem nos pusesse um travão em cima, por dentro. Cada nova experiência preparava-nos para a seguinte e na descoberta dos nossos corpos ainda jovens não quisemos deixar nada por explorar. "Por trás" dizia-me ele… "quero fazer-te assim"… e eu não sabia bem se queria, à partida não, mas com jeitinho até talvez sim. Não compreendia bem as suas motivações mas ele dizia-me que queria experimentar porque lhe tinham dito que o apertaria mais, prolongando o seu prazer duma forma diferente… "diferente como?"... queria eu saber, mas sem experimentar não o saberia e eu cedi, cedi-lhe, cedi-me.

De gatas e já bem trabalhada, consegui relaxar-me o suficiente para o deixar penetrar-me por ali, recomendando-lhe que me pusesse bastante lubrificante porque não me era nada evidente que o tracto se ajustasse tanto a ele como o outro, pela frente. É uma sensação estranha ao princípio, parece-nos que temos lá algo que não pertence ali e o sentimento é demasiado familiar… instintivamente contraímo-nos para o expulsar, mas ele insistia ainda, e eu sentia-o por dentro mas não era onde eu queria mais, embora não me fosse totalmente desagradável senti-lo assim. Rapidamente, mais depressa do que o normal, ele veio-se em mim, e depois sim… a sensação de algo a escorrer-me por ali… desagradável, a fazer-me recordar sensações de situações muito repugnantes! Ele gostou muito mais do que eu, não me vim assim, não creio que fosse uma possibilidade física para mim. Depois soube que há mulheres que afirmam que assim também atingem orgasmos fenomenais. Parabéns para elas, devem ter muito mais sensibilidade nessa área do que nós as outras comuns mortais…

***

E porque este é também um espaço de serviço público deixo-vos alguns conselhos de quem já experimentou um pouco de tudo:

Há coisas que não se devem fazer quando se tenta o sexo anal. Não se deve penetrar a mulher analmente e depois vaginalmente porque o ânus é uma zona normalmente muito suja, contém muitas bactérias que não são nada saudáveis quando entram em contacto com a flora vaginal. As infecções que se apanham dessa forma não compensam o esforço para nenhum dos parceiros, porque se a mulher ficar fora de combate o homem também perde, como sabeis… As unhas são coisas proibidas, em qualquer um dos tractos! Mas um arranhão anal dói muito mais… e demora muito mais tempo a cicatrizar. E finalmente o homem não se deve nunca esquecer que a zona anal não tem lubrificação natural, e deve aplicar bastante lubrificante antes de penetrar a parceira por aí, porque senão dói, e muito!

De resto se isso vos trouxer prazer, dediquem-se-lhe com gosto e vontade, pois que é assim que o sexo deve sempre ser. Quem sabe não descobrem a pólvora e reescrevem o livro das vossas maiores fodas de todo o sempre!

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25.4.07

Terra do fogo




(E que me desculpem os caros leitores que esperam ansiosamente pelas minhas postas carregadas de humor… ele há coisas mais prioritárias e infelizmente eu não consigo concentrar-me em tentar fazer alguém rir antes de me vir! Falha minha pois claro que ponho o sexo lá mais para cima, ou para baixo, consoante o ponto de vista! Mas por outro lado ainda bem que não sou gajo porque senão ia dar muito nas vistas. Sendo gaja sempre posso andar por entre o resto dos comuns mortais sem que ninguém veja nem saiba que um rio me escorre por entre as pernas…)

Não é seguindo as coordenadas dum qualquer aparelhómetro amaricado que se chega lá, à terra onde tudo começa. É fácil cheirá-la, e mais ainda sentir-lhe o calor que emana do seu interior quente e húmido. Serei eu mais sensível que os outros? Serei eu apenas uma desconhecida felizarda que de repente apanhou no ar o perfume dessa terra que está onde nem todos podem, querem ou sabem alcançar?

Tantos se perdem, tantos se desorientam mas eu não! De nariz no ar e faro apurado avanço em jeito de seta em direcção ao centro do fogo latente. E eu sei como espevitá-lo e eu sei como multiplicá-lo exponencialmente até que o centro dela, e o meu, inflamam vorazmente o resto da floresta molhada cuja seiva se transforma em pura gasolina!

Qual Prometeu qual nada! Que fez ele senão roubar o fogo aos deuses imortais? Pois eu crio o fogo! Com a persistência das minhas mãos e com a mestria dos meus dedos. Tocando, puxando, acariciando, espremendo, mexendo, rodando e volteando a terra húmida e molhada que aquece e aquece até à combustão, dizimando, decepando, cegando, molhando… agradecendo todos os momentos e todos os minutos em que estou viva para recolher o fruto que o fogo me concede!

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10.4.07

O descaramento

Elas eram duas, jovens e bonitas. Partilhavam um apartamento e muitas das coisas que mulheres jovens, bonitas e livres partilham nessa idade indefinida entre os vinte e os trinta. Gostavam de se arranjar, gostavam de sair, gostavam de dançar e partilhavam também um grupo de amigos herdados dos tempos de faculdade. Conheci-as por interposta pessoa numa noite de copos num bar trendy da zona alta da cidade. Estavam no meio dum grupo enorme mas destacavam-se claramente do resto, pela pura energia que se desprendia dos seus olhares e sorrisos. Os copos esvaziavam-se a uma velocidade estonteante e antes que a noite terminasse eu já tinha sido incluída no grupo dos "íntimos" de Lela e de Susi.

Há sinais imperceptíveis que pairam no ar e que seguimos como um rasto de perfume que nos desperta sentimentos do passado. Eu percebi que Lela estava interessada em mim, pela maneira como me olhava e me sorria, convidando-me a dançar mais perto de si, sempre mais perto até que as minhas coxas já se roçavam no meio das suas, levando-me a um estado de excitação difícil de controlar. Nunca me tinha acontecido ser assim seduzida por outra mulher, mas era de facto impossível resistir à sensualidade do seu olhar e do seu corpo que continuava a encostar-se ao meu. Não foi preciso perguntar-lhe nada para sentir que ela me desejava, que gostava tanto de corpos de mulheres como eu, se não mais ainda. Disse-me mais tarde que era virgem de homens e que nunca se tinha arrependido, pelas experiências que as suas amigas lhe haviam relatado. Passava bem sem a agressividade e a crueza dos tipos que tentam foder uma mulher a todo o custo, nem que fosse pela força. Definia os homens todos como uma raça de brutos, porcos e egoístas. E sem jeito para lidar com mulheres, pelo menos não uma como ela, que sabia perfeitamente bem o que queria da vida e os seus planos não incluíam emparelhamentos baseados em motivos financeiros ou reprodutivos, felizmente ganhava bem e dispensava a prole que a prenderia e lhe traria muito mais dores de cabeça do que motivos de orgulho.

Lela era uma mulher fantástica e eu apaixonei-me tremendamente por ela, o que lhe dava um gozo enorme e aproveitava todas as deixas para troçar de mim e das minhas tiradas românticas e fora de época. Tratava-me por "pinga-amor" e sabia-me sempre disponível para as suas intermináveis voltas e inúmeros recados que lhe consumiam o tempo e davam à sua vida um ar de perfeita roda viva. Lela era uma mulher caprichosa, como muitas outras. Por vezes ignorava-me, não me atendia os telefonemas nem me respondia às mensagens. Mas havia dias em que parecia que não sabia nem podia viver sem mim e arrastava-me atrás de si mesmo que eu tivesse outros planos, que eu prontamente cancelava perante os seus pedidos que me deitavam abaixo toda e qualquer resistência. Depois às vezes compensava-me dando-me umas migalhas em forma de tardes e noites que passávamos a fazer amor escaldante e sofregamente.

Que mulher aquela… que antro de perdição! Que seios perfeitos os seus… redondos, duas meias laranjas com pequenas cerejas no topo que eu me comprazia a sugar e mordiscar enquanto ela se ria. Sem cerimónias empurrava-me para baixo e exigia-me aquilo que precisava e eu sentia que o momento era chegado ao tactear a forma inchada e molhada dos seus grandes lábios. É sempre difícil chegar ali, e mais difícil ainda relatar com exactidão os pormenores exactos daquele centro escuro e húmido. Os toques começam incertos, como um pianista que estreia um novo instrumento. Ali há reacção mas aqui não. Incertos e trémulos os meus dedos percorriam o seu sexo molhado e aberto, libertando odores que me inebriavam e me asseguravam que esta montanha iria ser escalada e conquistada sem apelo nem agravo. Era ela que enrodilhava os seus dedos nos meus cabelos e me puxava o nariz para dentro, como se quisesse que eu me afundasse na imensidão dos líquidos que ejaculava. Duches doces e perfumados que me percorriam o cabelo, a cara, as mãos, a língua... há mulheres que se liquefazem no caminho para o clímax e os seus sumos são as melhores e maiores provas do seu real prazer… e quanto mais o seu sangue aquece, mais elas produzem e mais nós agradecemos por podermos estar ali e sermos nós a causa desse caudal aromático e delicioso…

Fazer amor com Lela tinha tanto de extenuante como de gratificante. Felizmente para mim ela não me requisitava com muita frequência o que me permitia recuperar as forças e os líquidos entre duas dessas sessões profundamente intensas. Eu sabia das outras, sempre soube. Lela fazia questão de marcar o seu território de fêmea livre e resoluta. Ninguém a prendia e ninguém a controlava. E nós as que nos encontrávamos fascinadas por ela volteávamos e revezávamo-nos nas noites em que ela exigia morrer de prazer, para depois renascer mil vezes mais forte e mais decidida do que nunca.

Sempre pensei que Susi não gostava de mulheres mas na verdade nunca me apercebi da sua presença, nem nas noites que saíamos em grupo, nem mesmo nas noites que passava lá em casa com Lela. Se ela possuía alguma graça, não a usava da forma atrevida como Lela o fazia. Era engraçada, diria que era bonita até, mas não era tão terrivelmente sedutora como Lela. E eu nessa altura só tinha olhos para Lela, fascinante, feiticeira de andar bamboleante e sensual.

Foi numa dessas noites de saídas, com muitos copos e álcool à mistura, que tudo aconteceu. Nesse dia Lela estava especialmente quente, seria noite de lua cheia talvez, mas toda a noite as suas mãos procuraram as minhas para logo de seguida se enfiarem por dentro do meu decote, à procura dos meus mamilos arrepiados fazendo-me corar de vergonha. Todos sabiam que nessa noite Lela se excederia e eu tinha sido a feliz eleita para a acompanhar na explosão que aconteceria quando Lela se entregasse à noite dos prazeres incontidos e a mim. Foi ela que me excitou de tal forma que acho que ceguei, ou quis cegar, para que fossem apenas os meus outros sentidos a participar nesse excesso de sensações e emoções. O tacto, o olfacto e o paladar seriam mais do que suficientes para o que se iria passar depois, pensei eu quando fechei os olhos e tapei os ouvidos para me entregar a mais uma noite de gloriosa paixão.

Logo pelo olfacto denotei algo diferente, como uma nota fora de tom, uma palavra mal escrita, algo de errado, mas de forma surpreendente e excitante. Nem sempre a diferença nos demove, por vezes pelo contrário, sentimos uma atracção ainda maior pelos abismos que desconhecemos do que pelas montanhas e vales que já sabemos de cor. A casa era a mesma, o quarto e a cama também. Mas sem aviso prévio o filme tinha mudado de protagonista e eu encontrava-me presa numa outra realidade, querendo vivê-la tanto ou mais do que a anterior. Fiz menção de abrir os olhos mas uma voz suave pediu-me que não o fizesse, que seria melhor assim. Fiz menção de alcançar os seus seios, mas ela impediu-me, agarrando-me as mãos e atando-as com lenços à cabeceira da cama. Era uma mulher, não tinha dúvidas nenhumas acerca disso. Mas não era Lela… e eu encontrava-me ali, de mãos atadas e braços esticados, nua e exposta a um novo olhar que apreciava o meu corpo assim aberto à sua mercê.

"Minha querida tu já lhe deste tanto… hoje é a tua vez de receberes" dizia a voz suave e vagamente conhecida. "Mas… e Lela?" perguntei eu. "Dorme, drogada!" respondeu ela rejubilando. "E tu esta noite és minha e eu vou-te comer…" rindo-se descarada a mulher de voz suave que encosta o seu corpo contra o meu e me deixa ofegante de surpresa e de prazer. Os seus dedos são expeditos, a sua língua insaciável, tudo aquilo que as mães não devem ensinar aos filhos e muito menos às filhas, sabia ela de cor e salteado. Desta vez era ela a instrumentista e eu o instrumento e de mim arrancava os suspiros mais profundos, as ondas mais redondas e sublimes de picos nunca antes escalados. Eu não podia fazer nada, a não ser deixar que ela encaixasse as minhas ancas nos seus ombros para que pudesse comer-me, lamber-me, e foder-me. As mulheres também se fodem, com minúcia, docemente por vezes, mas nem sempre. O caminho está lá, e os dedos percorrem-no, lentamente primeiro, ritmadamente, massajando o interior quente, esponjoso, expansivo, incitando à libertação do líquido que se pode, que se deve, beber dessa fonte que os dedos desbloqueiam com um saber milenar. E ela bebeu de mim, e eu dei-me a ela duma forma como nunca me tinha dado antes, dei-me tanto que quase desidratei. Durante toda a noite Susi vingou-se dos amores que lhe tinham passado ao lado, dos homens que nunca a tinham amado, dos corpos suados que tinham conspurcado o seu. Nessa noite Susi orquestrou a foda do século e nessa noite ela quase me matou de exaustão…

Se sobrevivi para vos contar esta história foi só porque como me confidenciou depois, cada mulher possui em si um dom, desconhecido para muitas, de dar prazeres infindos a alguém que os mereça. Ela achou que eu merecia, que a minha hora tinha chegado, e usou o seu dom em mim… de forma descarada mas no fundo todas sabemos que deveria ser sempre assim!

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8.4.07

De Lado

Durmo de lado, de costas para ti. Os teus dedos tilintam pela minha cintura, percorrendo aquele vale pronunciado entre a minha anca e o meu esterno em pousio. Vão descendo como uma bailarina em pontas até mais abaixo, ao sítio onde tudo importa, o trabalho facilitado pela minha posição de sempre, em semi decúbito: o joelho direito colado ao queixo e a perna esquerda esticada até a ponta do pé tocar a dobra do lençol. Abres-me ao de leve, como quem empurra uma porta devagarinho para não estragar uma surpresa, mas eu continuo imóvel, a sonhar com unicórnios, identidades trocadas e a morte das minhas pessoas felizes, que é mais ou menos aquilo com que sonhamos quando a vida nos é cheia de coisas boas e temos muito a perder. Não cedes à minha imobilidade serena e os teus dedos penetram e exploram cada vez mais fundo, até engelharem de tão molhados, embora eu nada tenha a ver com o assunto. No meu sonho, confundo-te com uma coca-cola muito fresca, com gelo e limão, bebida de um trago. Às tantas, os teu movimentos circulares dentro de mim encontram nas minhas nádegas um parceiro de dança, e estas começam a rebolar devagarinho, sem um ritmo definido, como se ao som de um bolero, ouvido ao longe. Já não és Coca-cola: agora, és um actor de cinema, um daqueles da tusa universal, que me come contra a parede, e eu sem perceber porque é que nunca mais me venho, porque é que está a demorar tanto tempo se ele é tão giro e, seguramente, tão competente. Já sei, é porque é um filme, isto é um filme, e o sexo num filme não é suposto ser a sério. Perante o meu sono ainda fundo (apesar de tudo, e por agora, ainda mais fundo que os teus dedos que quase me fazem um filho), a tua língua vem em teu auxílio: calcorreia-me a nuca , invade-me o ouvido e lambe-me a raiz do cabelos, junto à orelha, passeando-se como se fosse domingo; é um pássaro grande que me debica com parcimónia a pele levantada pelo vento, no meio do deserto, ai que vou morrer. Algures por entre o sonho, perfila-se um desejo real que range os dentes de tanta vontade, mas que ainda não reconheço como tal. Afinal não vou morrer, desidratada e só, debaixo deste sol escaldante. E eis o meu corpo que se revolteia, independentemente da minha vontade, e os grifos que me cercam de sombras agoirentas, são na verdade almofadas, que enxoto para o chão do quarto. A boca abre-se-me num esgar de prazer miúdo e um fio de baba escorre-me pelo canto esquerdo do queixo, ensopando a única almofada sobrante que, minutos antes, tentara espantar com as mãos cegas de escuro, convencida de que vinha para me arrancar os olhos. Não percebo bem o que está a acontecer; dentro de mim, neste universo dormente, sinto galáxias a formarem-se como se no princípio do mundo; viras-me de barriga para cima, eu, um boneco de trapos sem voz nem vontade, e beijas-me a boca, a barriga, as virilhas e o sexo, impondo-me por fim a vigília, a consciência e o gozo. Explode em mim um milhão de estrelas e, com aquela sensação de felicidade imoral que se tem quando se é apanhado a jeito, constato que não, não estou a rir desalmadamente de uma piada que alguém me contava, sentados que estávamos a uma mesa de café, embora o meu corpo se contorcione em espasmos felizes. E agora, que me tens acordada por entre galáxias recém-formadas, vamos a isto, meu querido. Mergulho entre as tuas pernas , olímpica e ufana, chupo, engulo, regurgito, lambo e digiro. Reforçadas todas as doses vitamínicas necessárias, corremos em busca de novos mundos, onde nos basta encontrarmos qualquer coisa que mexa. Amanhã compenso e deito-me mais cedo, nem vejo a novela das nove, prometo-me enquanto te escalo.

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