28.11.05

asfalto violeta e vapor amarelo

Sair de casa com o calor de uma tenra bochecha adormecida ainda preso aos lábios. Sentir o frio a furar-me as narinas e fugir da boca transformado em fumo. Os olhos a picar, mágoa da luz vertida devagar pelos limites esbatidos das nuvens deslaçadas. Mesmo de casaco quase até aos pés e barrete às riscas, pareço-me uma ave desconcertada. Apreensiva e confortada em medidas aproximadas, sou uma gaivota em terra num dia de tempestade.

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