30.3.06

sobre o estatuto de inferioridade

Há outra maneira de ver a coisa, Isabela: Deus fez Adão hermafrodita. Adão aborrecia-se e, não tendo encontrado entre os animais parceiro que lhe conviesse, Deus, enfadado (imagina-se), lá acedeu a construir uma semelhante, em torno da genitália feminina do Adão. Adão ficou para sempre um Y desprovido da essência do seu X, incompleto nessa amputação. Eva, por seu turno, nunca conheceu outra condição senão a sua combinação depurada, XX, completa, inteira. Tenhamos pena do rapaz, então, que chora desde os primórdios a sua incompletude.

29.3.06

Vestígios

Seis e quarenta. O café tem sinais exteriores de entreposto. No bairro, só ele acorda quando eu não durmo. Eis o António e três senhoras. Falam de futebol. E de um velho que morreu afogado. Conversam serenos. Permitindo-me madrugar assim em paz. A sabão azul, disperso vestígios da noite. há tanto tempo que não durmo. tanto tempo. não durmo desde que nos deixámos. quero dizer, desde que não nos deixámos. que não durmo. ou durmo acordando. melhor dizendo, acordo e vejo-me dormindo. mas não chego a acordar. nem a dormir. Fecho o livro. Apago o cigarro. O café desaparece.

28.3.06

pequenos prazeres primaveris II

Andar a pé.
O sol a aquecer-me a nuca, o vento (ainda frio) a despentear-me.
(Parece que de carro posso ser muito perigosa.)

and now...for something completely different

A verdade é que papo tudo o que me cheire a bebecêvidaselvagem, talvez como forma de aplacar a minha má consciência de refastelada suburbana. Mesmo agorinha, foi um programa sobre os crocodilos porosus (acho que é assim) australianos, que comecei a ver achando que ia encher o papinho com lutas de machos gigantes nos pântanos, manobras eróticas de acasalamento nos taludes e aconchegos maternos a crias recém-eclodidas. Estava eu, portanto, à espera de aprender qualquer coisa sobre o alegre espojanço das criaturas no seu habitat natural. Qual quê.

A tese começa a delinear-se desde o princípio, sob a forma de uma trapalhona tentativa de lavagem ao cérebro do espectador: que é a criação controlada com vista ao comércio de bens de luxo que permite a sobrevivência dos bichinhos, coitadinhos e que, se não fosse a generosidade, o bom-gosto e a consciência ambiental das novas ricas parolas provenientes dos guetos, que povoam os clips da MTV , os desgraçados não teriam qualquer hipótese. Para que conste, sim!, marcas como a Hermés e a Dior têm feito de tudo e mais alguma coisa pela conservação desta espécie ameaçada (momento da lágrima no canto do olho...nem que seja de crocodilo).

Os caçadores australianos - uns labregos das quintas - são tão bonzinhos, mas tão bonzinhos, que só apanham cinquenta por cento dos ovos enterrados, o que (dizem eles) dá aos que por lá ficam maior probabilidades de sobrevivência porque não têm que competir com a metade que eles carregam para casa. Já esta, caridosamente resgatada pelos meninos de coro em questão, como é posta em chocadeiras aquecidas e depois os bebezinhos são colocados em provetas onde mal se podem mexer e através das quais são alimentados até serem crescidinhos, também exibe, claro está, uma maior ratio de sobrevivência. Uma outra coisa boa, diz-nos o narrador, é que, como estes caçadores são remunerados, não caçam furtivamente. Genial, a distorção demagógica do raciocínio.

Fico ainda a saber que cada peça exportada (para França, claro) tem de ter um certificado de uma organização de controlo governamental, a CITES, pelo que tudo corre sempre dentro da legalidade e no melhor dos mundos. Parece, no entanto, que o recrudescer deste tipo de comércio não terá contribuído para aplacar os medos ancestrais da população em relação aos mauzões dos crocodilos (que afinal são tão queridos que dão para valises e manolos blahniks), que tem que de aprender a respeitar o animal e a ultrapassar esses medos: e é aqui que entram essas magníficas instituições nada castradoras e claustrofóbicas que são os jardins zoológicos, que aproximam o crocodilo das pessoas.

Ficamos, portanto, a saber que os caçadores australianos que se aventuram noite adentro para roubarem os ovos postos nos pântanos, os artesãos que os matam e lhes curtem as peles e os reptilários de seis metros quadrados ou menos dos zoos (afinal, os gajos são répteis, mexem-se pouco, não precisam de espaço), os governos australiano e francês, as bichas paneleiras das casas de alta costura em geral e as novas ricas labregóides em especial, são os maiores amiguinhos que estes animais poderiam ter, cutchi cutchi dá cá bjinho. É reconfortante saber que a Natureza está nas mãos de gente tão sensível.

Aaaah... pois, olhem, eu sou gaja e gosto muito de coisas de griffe, a sério: não desdenho um lencinho de seda Hermès (embora reste saber o que farão os pouco piedosos chineses aos pobres dos bichos-da-seda, com o alto patrocínio das potências ocidentais) ou um topzinho assinado Galliano mas às vezes dão-se-me assim uns ensejos anarco-fanáticos de ir Faubourg Saint-Honoré acima e largar uns coiso-bombas, porta sim, porta não. Assumam mas é que criam e matam a porra dos bichos por dinheiro (um centímetro de pele equivale a vinte e quatro dólares), ó governos de merda!, mas querem fazer o favor de não nos tomarem a nós - aos milhões que vos acham uma cambada de hipócritas venais -, por parvos?

Pronto, já desabafei (porque isto uma gaja não é só gajos).

27.3.06

pequenos prazeres primaveris

Conduzir com a janela toda aberta. Estender o braço para fora, com a palma da mão aberta e virada para a frente. Deixar o braço ondular na velocidade e apanhar punhados de vento (se possível, com cheiro a maresia). Trazer esse vento para casa e soltá-lo, aos poucos, por todas as divisões. Respirar fundo.

Cochichos, indiscrições e intimidades

Saiba tudo sobre os segredos de Vitória.

25.3.06

Progresso

A vantagem da tv por cabo é disponibilizar muitos canais para fazer zapping.

24.3.06

Estou de dieta desde que nasci


Oh, meu Deus, tenho tanta fome, uma fome tão negra que não há copázios de chá verde nem vermelho nem de leite com café e adoçante nem cenouras nem maçãs nem iogurtes com farelo nem nada, nada, nesta casa que me mate esta fome de séculos.
Tenho tanta fome, tanta fome, tanta fome que dava 20 euros por uma carcaça barrada a manteiga, mesmo sem sal. E massa, um grande pratalhão de massa com queijo e oregãos e azeite e azeitonas. Hidratos de carbono, muitos, nutritivos, saudáveis: 40 euros. Dou. Já.
Não há nada neste mundo que me mate esta fome, que algo me diz que não é fome, mas que até me aperta o esófago até chegar ao estômago e enrola-me o gasganete.
Tenho fome, fome, fome, fome, muita fome. Estou a morrer de fome.
Porque é que os outros podem fumar 30 cigarros por dia e eu não posso comer 3 carcaças, normalmente? Quero pão! Quero pão de Mafra com manteiga e pão alentejano com queijo. Quero pão de mistura com ovo. Quero pão de forma com delícias e alface e tomate. Quero uma sandes americana. Quero um folhado. Não, quero vários folhados de diferentes qualidades. Quero croissants quentinhos de massa folhada, tenrinhos, acabadinhos de sair do forno e a cheirar a croissants.
Ai, tenho tanta fome. Vou ali comer um iogurte.

23.3.06

AS LEIS DE MURPHY

Autor desconhecido. Recebido por mail:

1 - Os homens simpáticos são feios.

2 - Os homens bonitos não são simpáticos.

3 - Os homens bonitos e simpáticos são gays.

4 - Os homens bonitos e simpáticos e heterossexuais estão casados.

5 - Os homens que não são lá muito bonitos, mas são simpáticos, heterossexuais e que não estão casados, nao têm dinheiro.

6 - Os homens que não são lá muito bonitos, mas são simpáticos, heterossexuais, não estão casados, mas têm dinheiro, pensam que andamos atrás deles pelo dinheiro.

7 - Os homens bonitos, simpáticos, heterossexuais mas sem dinheiro andam atrás do nosso dinheiro.

8 - Os homens bonitos que não são lá muito simpáticos mas são heterossexuais e não ligam ao dinheiro, acham que não somos suficientemente bonitas.

9 - Os homens bonitos, simpáticos, heterossexuais, não casados, com dinheiro e que acham que somos lindas, são cobardes.

10 - Os homens ligeiramente bonitos, algo simpáticos, não casados, com algum dinheiro e, graças a Deus heterossexuais, que nos acham lindas, são tímidos e nunca dão o primeiro passo.

11 - Os homens que nunca dão o primeiro passo, perdem logo o interesse quando as mulheres tomam a iniciativa.

Por causa desta chuvarada que me põe o cabelo num estado lastimoso

este ano estrangulo a primeira pessoa que me vier falar de seca.

22.3.06

Os animais de laboratório assassinados todos os dias

Li esta notícia do DN de sábado passado: oito voluntários serviram de cobaias para teste de um medicamento novo contra a artritre reumatóide e a leucemia, em Londres. A dois foram administrados placebos, e nada lhes aconteceu. Os restantes seis caíram em colapso, à vez, sendo que dois continuam internados em estado muito grave. Tanto a artrite reumatóide como a leucemia são doenças gravíssimas e incuráveis, portanto, não se pode imaginar que fosse um medicamento inócuo. Os voluntários estariam informados do que testavam? Talvez não, até porque o conhecimento do que tomavam poderia influenciar o resultado dos testes. Mas saberiam, com certeza, que, para correr esse risco, lhes estavam a pagar cerca de 3000 euros. Portanto, deduzo que tenham aceite vender a possibilidade de arruinar a sua saúde por 3000 euros.
São estudantes e pessoas em carência, precisam do dinheiro. Aceito este argumento. Coloco a hipótese de eu própria ser voluntária para uma coisa destas. Quando é necessário sobreviver, arrisca-se tudo, até a morte. Custa-me é aceitar que os visados, ou a família, possam reclamar de outra coisa, agora, que não seja o preço excessivamente barato a que venderam a própria saúde. Convenhamos, 600 contos foi coisa pouca, foi barato.
Os laboratórios vão ter, a partir de agora, problemas para arranjar voluntários, diz-se. Não vão. Há sempre desgraçados dispostos a vender a vida por pouco dinheiro.
Quanto aos animais de laboratório, esses, sofrem sem reclamação, sem assistência. Abatem-se longe dos nossos olhos e ninguém pensa nisso.

Para alfinetes

Ah, ah, tenho aqui um 4, no Loto 2, e saíram-me 10 euros na Lotaria Nacional, a semana passada. Isto, meus amigos, para quem não tem sorte ao amor, tem de haver uma ou outra compensaçãozita.

21.3.06

piropo do dia

Estava aqui a olhar para o teu rabo e lembrei-me que hoje é dia mundial da poesia.

20.3.06

post que se comenta a si próprio

deprimente

Não há resposta

A pergunta aparece, assim, de repente, tão inesperada como um tijolo a cair de um décimo terceiro e ainda se está a tentar apanhar os bocados de cérebro que voaram para todos os lados quando se ouve outra vez, talvez com o pedaço de ouvido que sobrou do estoiro de neurónios, ou então em repeat mode, a loopar as poucas sinapses que cairam ao chão e não se escaparam pelos buraquinhos da grade de esgoto
quanto tempo, mas quantos dias, quanto tempo, quanto tempo?

Não sei responder, não tenho boca de qualquer forma, transformou-se numa massa mole meio avermelhada (que os tijolos e a força da inércia e mais a gravidade, aquela porcaria é do piorio) e não digo nada senão lugares comuns, que isso passa, tem calma que isso passa, tudo passa, é tudo uma questão de tempo e agradeço a todos os santinhos pelo tijolo que me impede de responder que na realidade

não passa.

Lamento imenso. E assim dito de chofre, eu sei, não é simpático, mas que se há-de fazer, não é, que te diga que passa, claro que sim, deixa lá isso, pensa noutra coisa, compra uns sapatos que logo te animas, eu sei, é o que se deve, nestas circunstâncias, é o melhor, a única coisa mesmo, conselhos tretosos e abraços silenciosos, oferecidos num chá de sacos de compras, gasta o visa, gasta o visa, põe-te bela, mas o problema, o problema é que não resulta; sabes-te calçada, sabes-te bela, sabes-te mais do que aquilo que queres ouvir e que eu te diga e eu também sei. Mandas vir o tijolo na tua pergunta, sabes que te caiu em cima, sabes que me caiu em cima, sabes que nos cai a todos em cima e sabes-te de cabeça rebentada e sabes da minha cosida de outros tijolos e queres saber quanto tempo demoram os pontos a sair, quanto tempo demoram os pontos a passar, quanto tempo demoram os pontos a cicatrizar e quanto tempo mais terás de esperar. E sabes, sabes com a parte que te sobra, que me sobra, que nos sobra das sinapses que ainda teimam em funcionar que não é assim, que não pode ser assim, que há outra forma, ou esperas, esperas que haja outra forma, com toda a esperança que assiste aos que sentem já que não há nenhuma.

Lamento imenso. Porque isso não passa. O que passa é nós. Nós é que passamos, nós é que nos cosemos a sangue frio e nós é que desmaiamos com os pontos que nos damos. Quando acordamos nada passou, nós é que passámos. Já não é nós. É outra pessoa que ali está. Parece a mesma até ao espelho, até quando nos vemos por dentro, mas já não somos. Desfizemo-nos e o que fica é

outra coisa.

Não sei quando. Acho que nunca. Lamento imenso. É o que somos, a soma de tudo quanto nos ficámos, nos ficou, não passou. Enganamo-nos a pensar que sim, é mais simples; e acordamos com tudo o que temos e mais algumas coisas; as que não passaram e que acabamos por aceitar, abraçar e que nos entram na pele por osmose.

Somos nós com outras pessoas dentro.

Queridas Anónimas

Estão dois dias sem escrever e vejam o estado em que encontram o blog!
A solidão bloguística tem consequências imprevisíveis, a avaliar pelo post abaixo.

Voltem depressa. Beijinhos
Krassi

Play time

Pigs in the space
They are coming

Fotografia tirada às 15 horas de hoje.

19.3.06

Post, sweet post

ou um post para deixar dissolver lentamente na boca.

17.3.06

de nozes e de dentes

Eu sou boa. Mas desde os vintes que me tem custado horrores manter-me boa. Até aos 18 podia comer uma bola de queijo com duas tigelas de marmelada caseira e chamar-lhe sobremesa.
A partir dos 18, lá parei de crescer e de gastar todo o que comia em ossos e pele e demais coisas que esticam e chegaram a celulite e os pneus, mas nada de preocupante.
Mau mau foi quando comecei a reparar que quando me mexia na cama ficava com a banha entalada, e que as calças começavam a fazer negras na cinta. Aí senti o peso da idade e os efeitos da vida sedentária e fiz pela vida: acabaram-se os donuts, bolas de berlim, 2 doses de arroz de cabidela só para mim, a francesinha semanal, os croissants mistos diários. Não se acabou a cerveja mas acabaram-se os amendoins, as moelas e o chouriço assado. Estou melhor, já não tenho de ir à cara ao homem cada vez que ele faz um carinho no sentido inverso ao das pregas da banha, mas tenho um recado para todas as adolescentes em crescimento e demais pessoas de “metabolismo rápido” que não comem/gostam de comer: Humpfh

16.3.06

O Kit do Enconanço Perene

Os homens casados (com outras, claro!) vêm com um chip de enconanço perene incorporado no cérebro. Eu explico: o dito vende-se sob a forma de um kit, contido numa embalagem colorida composta por chip + seringa de aplicação + recargas + instruções, o qual faz parte das listas de casamento em geral, situando-se algures entre o moínho de café, a saladeira da Cristal Atlantis e os pratos de sopa da Arcopal.

A coisa processa-se mais ou menos assim: durante a lua-de-mel num risóre ólinclusive em Cancun ou Punta Caña (nunca percebi a inclinação bovina dos recém-casalinhos pelas latitudes ventosas, confesso), a meio de um minete esforçado na quingsaizedebéde da suite nupcial, o gajo mete-lhe a cabecinha entre as pernas e ela zuca!, injecta-lhe o chip no pescoço, bem atrás da orelha e ao nível sub-cutâneo - tipo aquele filme do Schwarzenegger, não sei se estão a ver... O gajo não dá por nada e continua para bingo, só que, a partir daí e até ao fim da vida, já não pode pensar em comer outra gaja sem que o cilício da culpa lhe rasgue as virilhas e lhe aperte os tomates até ficar sem ar. Em resumo: gajo casado, perde o gosto de foder bem e como deve ser, sendo que tal não acontece por acaso, mas sim devido ao avanço da indústria farmacêutica.

O chip em questão, para além de trazer incorporada a característica do enconanço perene (que alguns traduzirão por não fode nem sai de cima), inclui outras, a saber:

- a da consciência do antónimo: o gajo fica para sempre com a ideia de que enconanço é o oposto de encornanço e de que o primeiro é que é o bom e está correcto, tipo post it colado na massa encefálica.

- a do auto-convencimento: a partir da ferroada fatal, o gajo passa a pensar que foder, só mesmo com a gaja que lhe deu filhos e que lhe pôs a grilheta, ops!, a aliança no dedo, o que nem é nada mau, afinal, um homem vem-se (quase) sempre, não é? O sexo com a mulher é portanto bonzinho e dotado de uma periodicidade confortável, para além de limpinho e sem o risco de doenças venéreas, e com isso me basto, convence-se ele, o ácido a actuar-lhe rapidamente no cérebro.

Isto significa que um homem casado é assim capaz de cumprir com os seus deveres conjugais na perfeição, como por exo., mudar a fralda ao mais novo, espremer os pontos negros nos costados da esposa ou verem juntos o telejornal, e estar ao mesmo tempo a imaginar a secretaria, a chefe ou a amiga, de perna aberta e a masturbar-se enquanto lhe grita pelo nome e lhe diz que ele é o maior.

- a da alteridade (ou da ubiquidade, se quiserem), que está directamente relacionada com a anterior - o gajo casado está lá mas não está. Está em casa, axandradinho dentro das quatro paredes do lar conjugal, com as quais jurou fundir-se por osmose até cair de velho e de podre, mas dentro da cabecinha dele é um ver se te avias de posições proibidas. Sim!, porque o chip, na sua versão mais evoluída, traz consigo uma outra feature que não é de desprezar: a do vôo do pensamento, com a possibilidade de upgrade para a versão desbocada/perversa. Um gajo casado imagina-se livremente em posições e situações de perigo e de equilíbrio dignas de um kama sutra ou de um cirque du soleil, porque tudo se passa dentro da sua higiénica imaginação - aí, pode, uma vez que tais malabarismos não interferem com a hora do jantar nem o impedem de pôr a loiça na máquina ou de levar o cão à rua.

Modo de funcionamento da gigajoga ( convém no entanto ler instruções):

Ao homem casado, é-lhe permitido (a um nível comezinho, é certo), o convívio rasteirinho com elementos do outro sexo, mas com esta particularidade: a partir do momento em que começa a segregar testosterona a mais e a babar-se para cima de uma terceira que não a legítima, o mecanismo contido no chip activa-se e aquilo começa a enviar-lhe impulsos eléctricos para o cérebro, com as seguintes mensagens em repeat mode: Problema! Chatice! Maçada! Alerta! (o gajo quase juraria que tem um pirilampo daqueles da BT aceso dentro do crânio) e outras mais invulgares como Baza Baza Baza Vai pra Casa Casa (como diria o grande Boss Ac). A mensagem recebida depende, está bem de ver, das referências culturais e das ensaboadelas morais a que cada gajo teve direito ao longo da sua vidinha de solteiro, mas todas resultam, que é o que interessa. Eficácia comprovada.

A grande inovação destes chips de última geração (que se podem encontrar nas listas de casamento da Moviflor e do Ikea) é esta fantástica capacidade que têm de transformar a segregação hormonal em excesso numa ideia negativa persistente, que retira toda e qualquer tusa até ao mais empenhado Casanova. Não admira, portanto, que seja grande, a lista de espera para a compra do Kit do Enconanço Perene, último modelo, e na qual estão inscritas namoradas, noivas, esposas recentes, usadas, em segunda mão, e outros sub-grupos desesperados.

Infelizmente, a remoção cirúrgica do aparelho - em caso de divórcio, por exemplo - não parece resolver o problema, já que o princípio activo é de ordem química e dissolve-se no sangue ao primeiro contacto, produzindo efeitos quase permanentes: homem divorciado por causa de outra mulher (ele há chips que vêm com defeito de fabrico, ah pois há...), raras vezes refaz a sua vida ao lado desta, pois não consegue deixar de a culpar pela quebra irreversível da pseudo-harmonia conjugal, tal como não consegue deixar de pensar que, a limpar o ranho aos filhos, a carregar à mulherzinha os sacos com o avio do mês e a conferirem juntos os recibos dos gastos anuais para efeitos do IRS, é que ele estava bem e se sentia quentinho e confortável. De pantufinhas é que era bom!, oh oh...


A tecnologia está, de facto, muito avançada e faz milagres.

Anedota

ouvida hoje de manhã na rádio:

A Kate Moss comprou um vibrador em ouro.
Sabem como ela chama à masturbação? Toque de Midas.

15.3.06

Dia 15 de Março: sem posts!

Não fora eu...tss, tss.

Informo que acabamos de ultrapassar os 555 posts. E que o contador de visitas estava, agora mesmo, assim:

14.3.06

Frango ao jantar sem o rabo do sofá levantar

Obrigada Soca ;)

12.3.06

dúvida

As pessoas com múltiplas personalidades masturbam-se à vez?

10.3.06

Arquivo

soc-anonima 4.txt
faz de conta que sabes que estou mas vagueio. que me encontro cá, mas lá também, na linha de recorte do mundo. e que sinto aqui a tua mão, mas ali há uma desordem que me atrai e onde me alongo. à beira do regresso.
mas sabe (se fizeres de conta, saberás) que é sempre para ti que eu venho. és tu sobre a minha ausência que conténs esta força fraccionária e me reintegras em mim.

QUERO

Medição.

Brincaram juntos. Correram e rebolaram os dois, estiveram a ver livros. À hora de dormir, juntaram as duas camas. Conversaram no escuro. Dormem sobre as metades contíguas dos respectivos colchões, virados um para o outro. A mão do pequeno pousada aberta, a dois centímetros do rosto do irmão.

9.3.06

Como vestir collants


1. Sente-se. Enrole bem os collants nas mãos, até à ponta. Ajuste sobre cada pé e vá soltando e esticando firmemente.

2. Suavemente, estique bem a meia até ao joelho. Faça-o devagar, soltando das mãos o tecido da meia e ao mesmo tempo esticando-o sobre cada perna, até acima dos joelhos.

3. Levante-se. Com as duas mãos, vá soltando e ao mesmo tempo esticando a meia acima do joelho, até à anca.

4. Puxe agora a parte dos collants da anca até à cintura. Ajuste bem e sinta o seu conforto.
Daqui

Trabalho

Sair e o vento frio a desconcertar a pele em espiral na cintura a oferecer-me assim a continuidade do teu beijo entre as minhas coxas.

O trabalho faz bem e dignifica.

Sangue (para mim)

Certos meses seriam riscados do tempo. O Sol escondido. A auto-estrada a arder; os pulmões expirando fumo. A vulva ardia-me, dois dias depois. Eu nunca teria feito amor de novo. Tinha-te pedido. Estando tão limpa, trazia o meu corpo ainda cheio de sangue. Para sempre cheio de sangue.
Talvez pudesse repetir, acabou, não o amo, não me ama, não o amei, não me amou. Conjugar verbos ocasionais e gratuitos. Não me ama. Não me amou. Talvez pudesse decidir como uma rainha ousa, beija, faz. Talvez tanta coisa. Talvez pudesse adormecer e esperar o próximo século. E nele, talvez tu. De novo. Tu viesses. Tu me beijasses. Tu fizesses amor comigo dois dias depois de o meu corpo ter emergido de tanto sangue. E talvez tu fosses, pela primeira vez, a verdade. Para mim.

8.3.06




Graça Morais, Paula Rego, Francisco Simões

7.3.06

O mais certo

é amanhã toda a gente andar a dizer bem de nós.

Descobri ontem que tenho o telemovel perfeito.

Tirei-o do bolso e veio uma moeda de 2 centimos agarrada. Ao que parece o meu telemovel tem o seu quê de iman e atrai moedas e chaves. Agora, em vez de passar meia hora a remexer na bolsa à procura das chaves do carro ou dalguma moeda perdida para dar ao arrumador, só tenho que encontrar o telemóvel que o resto vem a rasto.

Por isso o sr da loja disse que era um telémovel muito feminino...

6.3.06

Amigos

Uma coisa que me faz confusão nos homens é a capacidade que eles têm de ver outros homens todos os dias, falar, tomar café e refeições, trabalhar, jogar futebol e até de conversar com eles todos os dias, e mesmo assim não fazer a mais pálida ideia se esses homens, a quem às vezes até chamam amigos, têm amantes, são felizes, gostam da cor azul ou são alérgicos a marisco.
Não admira que as relações de amizade entre homens tenham fama de ser relações honestas...

a boca vive no rosto

Há um ditado chinês sobre a essência do desejo. Diz que quando é o corpo do ser desejado o que que evocamos, ao desejá-lo na distãncia, o que sentimos é apenas luxúria. É paixão se recordamos o seu rosto.
O sexo é fácil. O beijo pode ser muito mais poderoso e mais carregado de significado. Não é por acaso que as prostitutas guardam o beijo para os seus amantes.

dormência basbaque

Os primórdios de uma paixão assolapada dão-nos uma tesão monumental, uma fome do outro quase impossível de saciar que esvazia tudo o resto. Eu, por exemplo, quando caio no erro de me apaixonar, deixo de achar graça ao sexo comigo mesma: renuncio voluntariamente aos filmes pornográficos de fim-de-semana, guardo os meus activos e rotativos brinquedos na gaveta e nem me consigo vir com o chuveiro em modo massagem. Por essas alturas, uma cena de sexo puro e duro maça-me, enjoa-me, não sinto joaninhas voa voa por entre as pernas que o teu pai está em lisboa, não há formigueiro que me assalte nem coração que se me acelere. Mas dêem-me um daqueles dramas românticos de amor e morte e eu, no close up do beijo de língua, já estou que nem posso. Nesses momentos de querer inóspito, perde a graça toda, o sexo pelo sexo: por entre suspiros e visões, vou vegetando no limbo da antecipação, dou por mim a estranhar o mecanicismo assintomático do prazer físico que vem e olha já foi e sobe-me o sangue às partes mais insuspeitas só de perspectivar cenários amorosos de duvidoso bom-gosto. O caminho para o ponto G, encontro-o no cruzamento entre as palavrinhas sussurradas, as juras de amor eterno e os prenúncios de perdição. A cada vez que me apaixono deixa de me apetecer entregar-me nas minhas mãos, fica-me difícil falar ao meu corpo, que não me ouve e está lá na dele, entregue à ilusão temporária do amor acima de todas as coisas inclusive da estimulação do clitóris, convencido de que descobriu o segredo da foda suprema, agora é que é! the fuck of the century, na esfrega e refrega de duas pobres alminhas que se crêem gémeas e que se batem pelo orgasmo magistral. O que vale é que, mais cedo ou mais tarde, o meu corpo lá acaba por sair da dormência basbaque que o conduzia especificamente àquele fim redutor e eu volto a gostar de mim e a saber amar-me.

Olhem, a propósito, hoje comprei umas smart balls cor-de-rosa que...

3.3.06

Descubra as diferenças



A primeira imagem, do Expresso online, de um motociclo a ser desinfectado na Sérvia, no local onde foi encontrado um cisne morto com H5N1.



A segunda é uma imagem de gansos-patolas (retirada daqui), iguais aos que foram encontrados mortos na Torreira. Mas esses estavam de boa saúde (tirando estarem mortos) de acordo com os moradores da zona. A DGV diz que não há motivos para alarme e os testes não são prioritários.
Ainda bem, caneco! O que nos vale é que (OFICIALMENTE) a gripe das aves pode NUNCA chegar a Portugal!
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Ok,ok, esqueçam o post. Afinal os gansos-patolas não estavam infectados.

quando eu for grande quero ser...

Eu tenho o trabalho com que sonhei desde pequenina. Envolve um monte muito grande de qualidades de folheto publicitário e sou, alem disso, a principal beneficiária da quantidade e qualidade do trabalho que faço (pelo que tenho uma certa liberdade de fazer o meu próprio horário).
Aqui chegada a este trabalho de sonho, dou por mim a suspirar de inveja quando vejo pessoas a ler um livro no café a fazer tempo até chegarem as 9 da manhã e a ir almoçar em grupo e ficar na conversa até passar a hora de almoço e a irem às compras ou para casa ou ao cinema ou ao que seja a partir das 17 da tarde, a hora em que acabam as preocupações. Claro que eu até posso ficar mais uns minutos na cama em dias de chuva ou ressaca intensa. Claro que até posso tratar faltar um dia ou outro sem ter de dar grandes explicações e claro que até posso passar ir ao cinema à sessão das 16h. Mas isso não acontece. O que acontece são dias de 10, 12 e até 16 horas de trabalho, e preocupações que não acabam nem quando fecho a porta do gabinete, são pilhas de roupa suja à espera de um dia que alguém decida fazer testes à corrente eléctrica e não se possa trabalhar. São comidas congeladas aquecidas no microondas e re-mastigadas enquanto faço outra coisa qualquer.
E é vontade de dar porrada no eu que eu já fui por ter metido este sonho na cabeça, e na vida por me ter dado as oportunidades certas de o realizar.

Temos muito que falar as duas, Irmã!

Não temos de ser escravas sexuais dos homens. Eu tenho um homem quando quiser, sou mulher, mas as pessoas têm de começar a despertar para os prazeres da masturbação.

Adelaide Ferreira à Maria, semana de 27/2 a 5/3, p.31

2.3.06

Diário II

O meu cavaleiro de Chamilly não me responde às missivas, e eu lembrei-me de lhe enviar uma carta, em papel perfumado, perguntando e rezando, de joelhos no chão, se as tinha recebido e lido.
"Chamilly, irmão" escrevi, " se tem lido minhas cartas dobre o canto do sim, se não, dobre o canto do não.
E ele, o canto do não, dobrou...

Também é para isto que serve este blog!

Amanhã, às sete da tarde, há "Blogues no feminino" na Almedina do Atrio Saldanha,com a Sofia Vieira e a Rita Barata Silvério (duas senhoras a quem palavra nenhuma mete medo e a quem aqui presto a melhor homenagem no meu léxico, i.e., duas gajas sem merdas), o Francisco José Viegas (um admirador desde os primeiros dias da nossa SOCA) e o André Carvalho (um rapaz leitor assíduo mas que morre de medo de deixar um comentário, porque o gajedo em fúria é do piorio).

Passada que está esta parte mais institucional do post e com a isenção que sempre aplico no que respeita às minhas amigas, o resto deste post é dedicado à Sofia Vieira, que está com um ataque de stage-fright e não sabe sobre o que vai falar. Deixo aqui algumas sugestões mais práticas sobre um aspecto menos divulgado no blogar no feminino, para uma parcela significativa das bloggers:

Melher, tu leva-me os putos contigo mais um portátil. Sentas-te no palco e começas a tentar escrever um post. Um dos miúdos mexe nos livros. O outro mexe no portátil e está com fome e quer ir lanchar AGORA. A miúda sai porta fora a berrar mãe! eu já volto não te preocupes, estão ali umas amigas. Entretanto a estante já caiu, o portátil desligou-se, as amigas vêm ver a mãe da amiga e desatam aos risinhos e a dizer que afinal os bloggers são bem giros e até encontram mais duas mães de amigas, três pais e vinte tios e acham a maior das graças e começam a mandar sms's às mães delas a dar conta de tudo. O mais novo puxa por ti aos berros de estou farto e quero ir embora! O mais velho arruma os livros na estante e diz que não precisa de ajuda para nada, tu tentas escrever mais uma frase, dizes desculpem isto é só um momento, é normal, não liguem, a assistência murmura que queridinhos e todas as gajas presentes (leitoras de babyblogs às escondidas e com os relógios biológicos quase na meia noite) prometem a si mesmas reforçar a dose de estrogénios e deixar a prole para outra encarnação.

PS: o organizador, José Carlos Abrantes, não nos convidou para o palco, mas vamos estar presentes na mesma. Olé! :)

1.3.06

Já ninguém faz mais nada hoje!

E depois não digam que não sou amiguinha! Cliquem, vá, cliquem, está lá tudo, desde o anúncio da bic cristal até à Abelha Maia!

Aqui: Espaço Pirata - Momento Mágico

A bondade e o bem

No Verão do passado ano, creio que em Agosto, uma figura ecuménica internacional, o Irmão Roger Schutz, animador da comunidade ecuménica de Taizé, foi assassinado por alguém com distúrbios psíquicos.
Aconteceu-me ler, agora, uma crónica, referindo palavras que pronunciou, e veio, de novo, à minha mente, o caso dos meninos-assassinos do Porto. Estas foram as palavras do Irmão Roger:

Por mais radical que seja o mal, não é tão profundo como a bondade. Aqui está a chave da mensagem. A violência gratuita, a violência cega, apenas a violência, como expressão do mal, não pode fazer-nos esquercer a bondade e o bem.

E o que quero dizer é só isto: se os meninos assassinos fossem nossos filhos, o que quereríamos dar-lhes como castigo? Fechá-los, espancá-los, retirar-lhes todos os direitos, humilhá-los? Ou ensinar-lhes, agora, que talvez ainda seja possível, a bondade e o bem? Que é possível contruir o que se destrói, mesmo quando se destrói tanto.
Haver psicólogos disponíveis para os acompanhar e tratar até à entrada na idade adulta. Integrá-los em projectos de trabalho a favor da comunidade. Facultar-lhes ocupação dos tempos livres com actividades de expressão artística ou desportiva. Pareceria estarmos a pedir mais do que para os que nada fizeram. E estaríamos, sim, porque estes precisam mais, precisam com urgência.

Encerrá-los em instituições prisionais ou semelhantes, sem acompanhamento, em nada melhora a situação. Queremos mais 14 criminosos ou preferimos fazer deles cidadãos responsáveis?




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